Sentença da Justiça Federal fixa indenização de R$ 300 mil por danos morais, considera ofensivas manifestações oficiais sobre o líder da Revolta da Chibata e rejeita pedidos de efeitos financeiros da anistia.
A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou a União a pagar R$ 300 mil por danos morais ao filho de João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. A 4ª Vara Federal entendeu que declarações oficiais da Marinha, encaminhadas à Câmara dos Deputados em 2024, ultrapassaram os limites da manifestação institucional e atingiram a memória do marinheiro, causando prejuízo moral ao seu descendente.
Segundo a sentença, a Marinha classificou a Revolta da Chibata como uma “deplorável página da história nacional” e desqualificou seus participantes. Para a Justiça, embora a instituição tenha o direito de apresentar sua interpretação sobre acontecimentos históricos, esse direito não autoriza o uso de linguagem considerada estigmatizante contra uma personalidade posteriormente anistiada pelo próprio Estado brasileiro.
Além disso, o juízo reconheceu que a proteção jurídica da memória de João Cândido também alcança seus familiares. Por isso, confirmou a legitimidade do filho para buscar reparação pelos danos decorrentes das manifestações oficiais.
Justiça rejeita pedidos de efeitos financeiros
Na ação, o autor também pediu o reconhecimento dos efeitos econômicos da anistia concedida a João Cândido pela Lei nº 11.756/2008. Entre as solicitações estavam a contagem do tempo de serviço, promoções funcionais e o pagamento de valores retroativos.
Entretanto, a Justiça negou esses pedidos. O magistrado concluiu que parte das pretensões estava prescrita e destacou que a própria lei de anistia não assegurou efeitos financeiros, já que o dispositivo correspondente foi vetado durante a tramitação da proposta.
Assim, a condenação ficou restrita ao pagamento da indenização por danos morais.
Documento de 2024 motivou a ação
O processo teve origem em um documento elaborado pela Marinha e enviado à Câmara dos Deputados em 2024. Na avaliação da Justiça, o conteúdo extrapolou os limites de uma manifestação institucional ao utilizar termos depreciativos para se referir a João Cândido e aos participantes da Revolta da Chibata.
Dessa forma, o juízo concluiu que as declarações produziram dano moral reflexo ao filho do líder do movimento e determinaram a responsabilização da União.
Decisão acolheu apenas parte das manifestações do MPF
Durante o processo, o Ministério Público Federal defendeu o acolhimento integral da ação. Contudo, a Justiça aceitou apenas parte desse entendimento.
Enquanto reconheceu o direito à indenização por danos morais, o magistrado afastou os pedidos relacionados ao reconhecimento da condição de militar reformado, às promoções, às pensões e aos efeitos financeiros da anistia.
Revolta marcou a história da Marinha
A Revolta da Chibata ocorreu em 1910, quando marinheiros se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos na Marinha, prática que atingia principalmente os militares de menor graduação. João Cândido Felisberto liderou o movimento e, décadas mais tarde, recebeu anistia por meio de lei federal sancionada em 2008.
Com a decisão, a Justiça reconheceu a responsabilidade da União pelas declarações consideradas ofensivas, mas manteve inalteradas as limitações legais relativas aos efeitos financeiros da anistia concedida ao líder da Revolta da Chibata.
Respostas de 7
Esse sim, merecia e merece uma homenagem, um dia ainda verei o Nome dele no costado de um navio ou em uma OM.
Jamais
Daqui a pouco vem o PPD (Praça Pobre de Direita) reclamar da decisão.
Com todo o respeito, mas não existe essa figura – pPD.
No Brasil, o pobre cerra fileiras nos espectro ideológico de esquerda, atrás do “pão e circo”.
Quando o pobre se eleva economicamente se afasta da “esquerda”, com receio de lhe tomarem o pouco que conseguiu.
Assim, considerado que toda “praça” é pobre – em verdade, essa expressão “praça pobre” já seria um pleonasmo -, só pode ser de “esquerda”.
melhor do que PPE ? entendeu mortadela
O maior herói da MB do século XX, João Cândido, o Almirante Negro. Foi homenageado em enredos de escolas de Samba, músicas populares e peças teatrais. 🫡🪖🇧🇷
mortadela