Editorial defende maior atuação das Forças Armadas no combate ao crime na fronteira

MAPA DA FRONTEIRA DO BRASIL

Campo Grande News sustenta que a União precisa ampliar a presença do Exército na faixa de fronteira para reforçar o enfrentamento às facções criminosas que atuam entre Brasil, Paraguai e Bolívia.

Em editorial publicado nesta segunda-feira (4), o Campo Grande News afirma que o avanço das facções criminosas na fronteira de Mato Grosso do Sul expõe a necessidade de uma atuação mais efetiva da União na defesa do território nacional. O texto argumenta que, embora as forças estaduais de segurança tenham intensificado o combate ao crime organizado, o Exército permanece subutilizado diante de uma ameaça que, segundo o jornal, extrapola a esfera da segurança pública e exige uma resposta coordenada do governo federal.

Enquanto o crime cruza a fronteira, o Exército permanece nos quartéis

Facções desafiam o Estado e cobram reação do País

Por José Cândido | 04/08/2026 06:01 Carga de açúcar era usada para ocultar drogas transportadas por traficantes. A apreensão realizada pelo DOF evidencia as estratégias adotadas pelas facções para tentar driblar a fiscalização. (Foto: Divulgação) Mato Grosso do Sul trava uma guerra que deixou de ser apenas sua. A expansão das facções criminosas, especialmente Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), transformou o Estado em uma das principais portas de entrada do narcotráfico e de outras atividades criminosas no País. O resultado é uma escalada da violência, confrontos cada vez mais frequentes e um cenário que desafia a capacidade das forças estaduais de segurança. A resposta da polícia tem sido dura. Somente neste ano, dezenas de criminosos morreram em confrontos com as forças de segurança. São operações diárias, apreensões de drogas, armas e prisões que demonstram preparo, coragem e dedicação dos policiais militares, civis e federais que atuam no Estado. Mas, por mais eficiente que seja essa atuação, é impossível vencer sozinho uma guerra dessa dimensão. O maior problema está na fronteira. São aproximadamente 1.500 quilômetros de divisa com Paraguai e Bolívia, grande parte formada por áreas rurais, estradas vicinais e regiões de difícil fiscalização. Em muitos trechos, atravessa-se de um país para outro praticamente sem qualquer obstáculo. Municípios como Paranhos, Sete Quedas, Coronel Sapucaia, Aral Moreira, Porto Murtinho e tantos outros convivem diariamente com essa realidade. São cidades pequenas, com efetivos policiais limitados, estrutura insuficiente e enorme dificuldade para enfrentar organizações criminosas que movimentam milhões de reais, utilizam armamentos de guerra e contam com sofisticada logística internacional. Essa não pode ser tratada como uma responsabilidade exclusiva do governo estadual. A fronteira é responsabilidade da União. A Constituição é clara ao estabelecer que a defesa das fronteiras nacionais é atribuição do Governo Federal. Não basta realizar operações pontuais ou enviar reforços temporários sempre que ocorre uma crise. É preciso presença permanente. As Forças Armadas precisam assumir um papel mais ativo na proteção da fronteira. O Exército conhece a região, dispõe de logística, inteligência e capacidade operacional para atuar em conjunto com as polícias. Permanecer restrito aos quartéis enquanto organizações criminosas consolidam corredores internacionais do tráfico é desperdiçar uma estrutura que foi criada justamente para defender o território nacional. Não se trata de militarizar a segurança pública, mas de reconhecer que o problema ultrapassou os limites da criminalidade comum. O tráfico internacional de drogas financia armas, lavagem de dinheiro, contrabando, homicídios, corrupção e outras modalidades criminosas que afetam todo o Brasil. O que entra pela fronteira sul-mato-grossense abastece facções em diversos estados brasileiros. Cada carregamento interceptado representa dezenas de outros que conseguem passar. Cada prisão revela uma organização muito maior, com ramificações nacionais e internacionais. Enquanto isso, os policiais estaduais seguem na linha de frente, muitas vezes enfrentando criminosos fortemente armados e assumindo riscos que deveriam ser compartilhados por toda a estrutura de defesa do País. Não faltam discursos sobre combate ao crime organizado. Falta transformar essas palavras em política de Estado. A proteção das fronteiras precisa deixar de ser apenas um tema de campanha eleitoral para se tornar prioridade permanente do governo federal. Mato Grosso do Sul está fazendo sua parte. A polícia demonstra eficiência, coragem e resultados. Mas nenhuma força estadual, por melhor que seja, conseguirá vencer sozinha organizações criminosas que operam em escala internacional. A guerra travada na fronteira não é de Mato Grosso do Sul. É do Brasil. E o Brasil precisa finalmente decidir enfrentá-la com todos os instrumentos de que dispõe.

Fonte: Editorial publicado pelo Campo Grande News, em 4 de agosto de 2026.

Respostas de 4

  1. Ta mais do que certo, enquanto as FA não mostrarem utilidade real para sociedade não adianta ficar reclamando de salario ruim. Tem que trabalhar mesmo e parar de ficar fazendo festa em quartel.

  2. Se o Exército Brasileiro e a política brasileira fossem instituições sérias… 90 % das unidades militares… Seriam sumariamente transferidas para as fronteiras secas brasileiras… Qual a finalidade de OMs em Florianópolis… João Pessoa… Natal… Rio de janeiro etc? Forças Armadas Subempregadas utilizadas na atividade meio em capitais… Numa atividade administrativa sem fim… Enquanto a defesa do país e nossas fronteiras secas estão a mercê do crime organizado… Militares devem ser empregados apenas na atividade fim… Vida que segue…

    1. 90% é pouco. É OBRIGATÓRIO q 99% das OM (e seus efetivos, tb) sejam transferidos para as fronteiras SECAS do Brasil. As FARC e ALN atuam nas fronteiras fluviais, todavia são DURAMENTE combatidos pelas tropas do CMA. O MD, tb, deve transferir OM da MB para próximo das fronteiras marítimas. Existem inúmeros OM da MB q são localizados nos grandes centros urbanos, bem longe das fronteiras marítimas!!!!

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