As Forças Armadas brasileiras vem há quase 40 anos sendo desconstruídas pelos seus próprios líderes, em prol da popularidade, da “credibilidade”, dos famigerados índices de “confiança”.

Com a redemocratização, as Forças Armadas, envergonhadas e desesperadas pela aceitação pública, passaram aos poucos a relativizar e mesmo eliminar o seu poder de “força armada”, de corporação armada para a guerra.

Passaram a priorizar atividades-meio e a se apresentar à sociedade como alguém inofensivo. Armas? Somente para formaturas.

Assim, foi-se desconstruindo o potencial da força que deve ser intrínseco a essas organizações.

Resultado: nenhum cidadão respeita as Forças Armadas. Somente o pessoal mais velho, que alcançou lá atrás o uso da força potencial é que ainda as respeita, embora de uma forma saudosista e idiossincrática. Exclui-se, a parcela ínfima da sociedade que recebe títulos, medalhas e comendas. Esses, por óbvio, ainda respeitam as Forças Armadas.

Um exemplo: no mês de março, um pelotão de recrutas estava treinando para a formatura de incorporação em frente ao quartel. Um grupo de adolescentes que passavam naquele momento começaram a vaiar e a zombar dos recrutas.

Essa falta de respeito a uma tropa militar é consequência da desconstrução dessa tropa como força armada detentora de força potencial. Ou seja, aqueles adolescentes sabiam que não aconteceria nada com eles.

Vejam as polícias militares. Elas sempre conservaram a sua natureza de detentora de uma força em potencial. Quem desrespeita, desacata policiais, é de imediato abordado e levado à delegacia. Em hipótese nenhuma um grupo de adolescentes vaiaria um pelotão de recrutas policiais em treinamebro na frente do batalhão de polícia.

As Forças Armadas somente inspiram respeito pela sua força em potencial, não pelo uniforme, viaturas, ordem-unida, armas em exposição, etc.

Se ainda alguém não acredita nisso, dou outro exemplo: já passei em diversas ocasiões por viaturas da polícia militar atrapalhando a via pública por estar quebrada. Não vi nenhum motorista reclamando ou buzinando.

Já com as viaturas das Forças Armadas é comum buzinarem e reclamarem nessas mesmas situações. Ou se dirigirem ao motorista militar e ocupantes com palavrões e até ameaças.

Em suma, as Forças Armadas brasileiras vem há quase 40 anos sendo desconstruidas como Forças Armadas pelos seus próprios líderes em prol da popularidade, da “credibilidade”, dos famigerados índices de “confiança”.

Forças Armadas não deveriam sair dos quarteis para atividades alheias. Devem estar nos quarteis em preparo constante. E não deveriam ter medo de sua força, como se estivessem a todo momento pedindo desculpas por empregarem armas.

Pintar meio-fio e cortar a grama da praça municipal; “caçar” mosquito; recolher o lixo da praia; levar a banda marcial para tocar no shopping; entregar diplomas e medalhas a políticos; convidar políticos para almoçar no quartel; entre outras, são exemplos de situações que desconstroem as nossas Forças Armadas.

Infelizmente.

Deus nos livre de uma guerra!

(Texto de um leitor anônimo, recebido na área de comentários)