Denúncia contra oficial e empresários por suposta corrupção no hospital da FAB no Galeão é recebida pela Justiça Militar

Hospital de Força Aérea no Galeão (HFAG)

Denúncia apura suspeitas de favorecimento em licitações para compra de materiais usados em neurocirurgias no HFAG; Justiça determinou bloqueio cautelar de até R$ 139,3 mil.

A Justiça Militar da União recebeu a denúncia contra um oficial médico e dois empresários por supostas irregularidades em licitações do Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), no Rio de Janeiro.

Justiça Militar abre ação penal

A 4ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar recebeu a acusação apresentada pela 4ª Procuradoria de Justiça Militar no Rio de Janeiro.

Com isso, o oficial passou a responder por corrupção passiva. Já os dois empresários respondem por corrupção ativa.

Os crimes estão previstos, respectivamente, nos artigos 308 e 309 do Código Penal Militar.

A investigação começou com uma força-tarefa criada pela Procuradoria de Justiça Militar. O grupo acompanha contratações públicas e o uso de recursos nos hospitais militares do Rio de Janeiro.

Além disso, a força-tarefa analisou processos relacionados à compra de materiais e equipamentos médicos.

Investigação encontrou indícios em licitações

Segundo o Ministério Público Militar (MPM), a investigação reuniu análises técnicas, documentos, dados financeiros e laudos periciais.

Os investigadores concentraram parte das apurações em materiais utilizados em procedimentos de neurocirurgia endovascular no HFAG.

De acordo com a denúncia, os processos apresentavam especificações técnicas consideradas excessivamente restritivas.

Na avaliação do MPM, essas exigências poderiam reduzir a concorrência entre fornecedores. Assim, os critérios poderiam favorecer determinadas empresas nos processos de contratação.

A acusação aponta, portanto, possível direcionamento de licitações em benefício das empresas ligadas aos empresários denunciados.

Oficial é acusado de receber vantagens indevidas

Segundo a denúncia, o tenente-coronel médico ocupava a chefia da Clínica de Neurocirurgia Endovascular do HFAG durante os fatos investigados.

O MPM afirma que o oficial teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao exercício da função pública.

Conforme a acusação, empresas que mantinham negócios com a Administração Militar teriam repassado valores ao militar.

Em contrapartida, o oficial teria praticado atos funcionais capazes de favorecer interesses privados.

O Ministério Público sustenta que essas condutas teriam prejudicado o interesse público.

Dados financeiros integram investigação

A investigação também analisou movimentações financeiras atribuídas ao oficial.

Segundo a PJM Rio de Janeiro, os investigadores encontraram operações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelo militar.

Além disso, a apuração identificou repasses financeiros que, em tese, teriam relação com contratos resultantes dos processos licitatórios investigados.

O conjunto de provas também inclui informações obtidas por meio de acordos de colaboração premiada.

Os investigadores utilizaram ainda laudos especializados, documentos obtidos com autorização judicial e dados bancários e fiscais compartilhados regularmente.

Por isso, o MPM apresentou acusações distintas contra o oficial e os empresários.

Empresários respondem por corrupção ativa

O Ministério Público Militar atribuiu ao oficial médico o crime de corrupção passiva em diferentes episódios descritos na denúncia.

Por outro lado, os empresários foram denunciados por corrupção ativa.

A acusação considera que eles teriam participado das condutas destinadas a beneficiar empresas nos processos de contratação.

Entretanto, a denúncia ainda será analisada durante o processo judicial. A existência da acusação não representa, por si só, uma condenação.

Justiça determina bloqueio de até R$ 139,3 mil

Além de receber a denúncia, a Justiça Militar adotou medidas para garantir eventual reparação dos danos.

O MPM pediu a fixação de uma indenização mínima pelos danos morais coletivos relacionados aos fatos.

O valor solicitado corresponde às vantagens indevidas supostamente recebidas pelos envolvidos e chega a R$ 139.316,45.

Para assegurar eventual ressarcimento, o juiz determinou o bloqueio cautelar de ativos financeiros do oficial.

A ordem ocorreu por meio do SISBAJUD e alcança até o limite de R$ 139.316,45.

A medida pode atingir depósitos bancários, aplicações financeiras, investimentos e outros ativos.

Outras medidas podem atingir patrimônio

Caso o bloqueio financeiro não alcance o valor determinado, a Justiça poderá adotar outras medidas patrimoniais.

Entre elas, estão a indisponibilidade de imóveis, veículos e participações societárias.

A decisão também prevê restrições sobre eventuais embarcações e aeronaves registradas em nome do acusado.

Dessa forma, a Justiça busca preservar recursos para uma eventual reparação ao final do processo.

O caso integra as ações da PJM Rio de Janeiro para investigar possíveis irregularidades em contratos e licitações envolvendo hospitais militares.

Importante: os acusados passam a responder a uma ação penal, mas a denúncia não representa condenação. A responsabilidade criminal deverá ser definida ao longo do processo.

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Fonte: Ministério Público Militar.

Link de saída: Ministério Público Militar (MPM).

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