China mira forças armadas no nível dos EUA até 2049, afirma ex-coronel do Exército chinês

(250903) -- BEIJING, Sept. 3, 2025 (Xinhua) -- A grand gathering to commemorate the 80th anniversary of the victory in the Chinese People's War of Resistance against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War is held in Beijing, capital of China, Sept. 3, 2025. (Xinhua/Yao Dawei)

Analista militar diz que Pequim pretende concluir a modernização das Forças Armadas até 2035 e alcançar padrão equivalente ao dos Estados Unidos em 2049, mas mantém a reunificação pacífica com Taiwan como prioridade.

O ex-coronel do Exército de Libertação Popular (ELP) e analista militar Zhou Bo afirmou que a China pretende equiparar suas Forças Armadas às dos Estados Unidos até 2049. Em entrevista ao South China Morning Post, ele explicou que o objetivo integra o plano estratégico de modernização militar traçado por Pequim para o centenário da República Popular da China.

Modernização militar segue cronograma de longo prazo

Segundo Zhou Bo, a China estabeleceu três marcos para fortalecer sua capacidade militar. O primeiro ocorre em 2027, quando o Exército de Libertação Popular completa 100 anos. Em seguida, o país pretende concluir, de forma geral, a modernização das Forças Armadas até 2035. Por fim, em 2049, Pequim pretende alcançar forças armadas de “classe mundial”. O analista afirmou que, se mais de um país puder ser considerado uma potência militar de classe mundial, a China provavelmente já integra esse grupo. Entretanto, caso apenas uma nação reúna esse status, Pequim pretende colocar suas capacidades militares no mesmo nível das norte-americanas. Além disso, Zhou ressaltou que o marco de 2027 não representa a conclusão do processo de modernização. Segundo ele, os próprios documentos estratégicos chineses reconhecem que o Exército ainda precisará evoluir significativamente após essa data.

Ausência de guerras limita avaliação das capacidades

O ex-coronel reconheceu que a falta de participação da China em conflitos recentes impede a avaliação completa de seus sistemas militares em combate real. Ainda assim, ele classificou essa situação como consequência da estratégia de ascensão pacífica adotada pelo governo chinês. Segundo Zhou, a paz trouxe benefícios ao país e não deve ser interpretada como sinal de fragilidade militar. Como exemplo da evolução tecnológica chinesa, ele citou testes bem-sucedidos de mísseis e o desempenho de armamentos produzidos pela China utilizados pelo Paquistão.

Taiwan continua no centro da estratégia

Durante a entrevista, Zhou Bo rejeitou a interpretação de que 2027 represente um prazo para uma eventual invasão de Taiwan. Segundo ele, Pequim continua priorizando uma reunificação pacífica com a ilha. Ao mesmo tempo, o analista lembrou que a legislação chinesa prevê o uso da força em determinadas circunstâncias. No entanto, reforçou que essa possibilidade permanece como último recurso. Além disso, Zhou criticou previsões feitas por autoridades militares norte-americanas sobre uma possível ofensiva chinesa contra Taiwan, classificando essas avaliações como contraditórias e irresponsáveis.

Pressão sobre os Estados Unidos pode aumentar

O ex-coronel também afirmou que futuras vendas de armamentos dos Estados Unidos para Taiwan poderão enfrentar uma resposta mais firme da China. Entre as possíveis medidas, ele mencionou restrições econômicas a produtos norte-americanos, pressão diplomática e ampliação dos exercícios militares realizados no entorno da ilha. Segundo Zhou, Pequim possui instrumentos suficientes para responder a novas decisões de Washington nesse campo.

Competição entre China e EUA deve continuar

Embora os presidentes Xi Jinping e Donald Trump tenham manifestado interesse em manter uma relação de estabilidade estratégica, Zhou avaliou que a disputa entre as duas potências continuará predominando. Ele também comentou o avanço da inteligência artificial no setor de defesa. Na avaliação do analista, os Estados Unidos ainda lideram o desenvolvimento tecnológico. Entretanto, a China poderá assumir vantagem na aplicação em larga escala dessas tecnologias. Por isso, Zhou defendeu a criação de normas internacionais para limitar o uso da inteligência artificial na tomada de decisões militares.

Indústria naval é vantagem chinesa

Por fim, Zhou afirmou que os Estados Unidos enfrentam dificuldades para reconstruir rapidamente sua capacidade industrial voltada ao setor naval e de defesa. Segundo ele, a China preservou sua capacidade de construção naval e, atualmente, mantém vantagem significativa nesse segmento estratégico.

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