O general e ex-ministro foi convocado para depor em processo que investiga o desvio de armas do Exército. Investigação aponta que parte das armas desviadas teriam pago uma reforma de R$ 21,5 mil.
O general Walter Souza Braga Netto foi convocado para depor como testemunha em um processo que investiga o desvio de armas do Exército no Rio de Janeiro.
A defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida indicou Braga Netto para prestar depoimento. Na época dos fatos, o general comandava a 1ª Região Militar.
Atualmente, Braga Netto cumpre pena definitiva de 26 anos de prisão. A condenação ocorreu no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
Braga Netto será ouvido em novembro

Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão
A oitiva de Braga Netto está marcada para 10 de novembro de 2026. O depoimento deve ocorrer por videoconferência, mas ainda precisa de autorização judicial.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanha a execução da pena de Braga Netto. Por isso, a realização do depoimento depende de autorização do magistrado.
Tenente-coronel comandava fiscalização de armas
Alexandre de Almeida chefiava o setor responsável pela fiscalização de armas e produtos controlados da 1ª Região Militar.
A unidade abrangia os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), o tenente-coronel desviou armas entregues ao Exército para destruição ou reinserção na cadeia de suprimentos.
Além disso, parte dos armamentos havia pertencido a militares da reserva ou a integrantes das Forças Armadas já mortos.
Para esconder a origem das armas, o oficial teria inserido informações falsas no sistema interno do Exército.
Depois, ele teria registrado os armamentos em seu próprio nome ou em nome de terceiros.
Em seguida, segundo a acusação, repassava as armas para outras pessoas.
Armas desviadas teriam pago reforma da casa
A denúncia apresenta ainda um episódio envolvendo diretamente a residência do tenente-coronel.
Segundo o MPM, Alexandre de Almeida teria usado parte das armas desviadas para pagar a reforma de sua casa.
O serviço de marcenaria custou aproximadamente R$ 21,5 mil.
De acordo com o marceneiro citado na investigação, o oficial afirmou que não tinha dinheiro para pagar pelo serviço.
Por isso, teria oferecido armas como forma de pagamento.
Além disso, os armamentos chegaram ao profissional acompanhados de registros e documentos emitidos previamente em seu nome.
Assim, a investigação aponta que o tenente-coronel teria transformado armas desviadas do Exército em meio de pagamento para uma despesa pessoal.
O episódio constitui um dos principais elementos da acusação contra o oficial.
Fatos ocorreram durante comando de Braga Netto
Os fatos investigados ocorreram entre 2016 e 2018.
Naquele período, Braga Netto comandava a 1ª Região Militar.
Por esse motivo, a defesa de Almeida escolheu o general como testemunha.
A defesa sustenta que o tenente-coronel cumpria diretrizes dos escalões superiores e seguia ordens diretas de seus superiores hierárquicos.
Dessa maneira, os advogados pretendem contestar a acusação de que Almeida teria participado conscientemente das irregularidades.
Outros envolvidos receberam armas
A investigação também alcança pessoas que teriam recebido armas desviadas pelo oficial.
Segundo a acusação, esses envolvidos passaram a responder por crimes como receptação, posse ilegal de arma de fogo e uso de documento falso.
O MPM afirma que o esquema envolvia tanto o desvio físico dos armamentos quanto a alteração de registros no sistema militar.
Além disso, os investigadores apontam que as armas chegavam a terceiros acompanhadas de documentação aparentemente regularizada.
O Exército Brasileiro mantém estruturas específicas para o controle e a fiscalização de armas, produtos controlados e materiais de emprego militar.
Defesa aponta cumprimento de ordens superiores
A indicação de Braga Netto como testemunha busca esclarecer a cadeia de comando existente durante o período investigado.
A defesa de Almeida afirma que o oficial atuava conforme orientações superiores.
Portanto, o depoimento poderá abordar os procedimentos adotados pela 1ª Região Militar para controlar armas e produtos controlados.
Ao mesmo tempo, a audiência poderá esclarecer o conhecimento dos superiores sobre as operações realizadas pelo setor comandado pelo tenente-coronel.
Braga Netto cumpre pena por tentativa de golpe
Além do processo sobre o desvio de armas, Braga Netto cumpre pena relacionada à tentativa de golpe de Estado.
O general foi ministro da Defesa e da Casa Civil durante o governo Jair Bolsonaro. Depois, disputou a Vice-Presidência na chapa do ex-presidente.
Atualmente, ele permanece preso no Rio de Janeiro.
A autorização para o depoimento caberá ao STF, que acompanha a execução de sua pena.
Respostas de 3
FAKE NEWS
Cego é aquele que não quer ver…. Sua subserviência religiosa aos seus algozes o torna um patriotário lunático e seu instinto de vira lata o impede de ver a realidade dentro da instituição…
Café pequeno. O falso mito editou mais de 40 decretos facilitando a aquisição de armas e centenas delas foram parar nas mãos de traficantes. Em 2018 eram 350.000 CACs. Em julho de 2022, chegou a 1.000.000 de armas. Uma guerra civil estava em marcha???