Novos recrutas russos têm expectativa de vida de até 35 minutos no front da guerra na Ucrânia

Rússia x Ucrânia

Relatório indica que drones ucranianos e treinamento precário aceleram as baixas entre soldados da Rússia

Novos recrutas enviados pela Rússia ao front da guerra na Ucrânia sobrevivem, em média, entre 20 e 35 minutos após entrarem em combate. A estimativa consta em um relatório analisado por um historiador e divulgado pela revista de política internacional Foreign Policy. Os dados evidenciam, sobretudo, a rapidez com que o governo russo repõe seus efetivos desde a invasão iniciada em fevereiro de 2022. A informação é do blog Page Not Found, no portal Extra.

Vida curta desde o alistamento

De acordo com o historiador Peter Frankopan, que se baseou em números oficiais de alistamento e de baixas, um soldado recém-incorporado vive apenas de 10 dias a três semanas desde a chegada ao centro de treinamento até a morte em combate. Esse período inclui tanto a formação militar quanto o deslocamento para a linha de frente, o que reforça a precariedade do preparo oferecido.

Pressão por novos combatentes

À medida que o conflito se aproxima de quatro anos e meio, a cúpula militar russa intensifica a busca por novos soldados. No fim de 2025, autoridades afirmaram ter recrutado mais de 420 mil militares para contratos anuais. Entretanto, mesmo com esse esforço, a própria mídia estatal reconheceu uma queda de cerca de 30% no ritmo de alistamento ao longo de 2026.

Treinamento acelerado e perdas crescentes

Ainda assim, blogueiros militares relatam que Moscou continua recrutando entre 800 e 1.000 voluntários por dia. Muitos passam por apenas alguns dias de treinamento acelerado antes de seguir para o front, enquanto uma parcela significativa vem do exterior. Como consequência direta, as baixas mensais já superam 30 mil soldados, e fontes ocidentais estimam que o total de perdas russas ultrapassa 1 milhão desde o início da guerra.

Drones ampliam a letalidade no front

Além disso, analistas apontam que a Rússia registra atualmente oito baixas para cada uma sofrida pela Ucrânia, apesar de ter uma população estimada em 143 milhões de habitantes. A explicação central está no uso intensivo de drones militares ucranianos, que se consolidaram como as armas mais eficazes do conflito. Paralelamente, a urgência em repor tropas faz com que combatentes sem preparo adequado sejam enviados diretamente ao campo de batalha.

Incentivos financeiros para atrair voluntários

Diante da dificuldade em manter o fluxo de recrutas, o governo russo passou a oferecer bônus de adesão de até US$ 80 mil (cerca de R$ 413 mil). Além disso, alguns voluntários recebem propostas de perdão de dívidas que podem chegar a US$ 140 mil (aproximadamente R$ 723 mil). Ainda assim, mesmo com esses incentivos, as perdas continuam elevadas e a expectativa de vida no front permanece extremamente baixa.

 

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