Rússia autorizou treino secreto na China com 200 militares, diz agência

China treinou militares da Rússia

Treinamento esteve ligado à guerra na Ucrânia e contou com a presença de generais russos e chineses. Exercícios incluíram defesa contra ameaças químicas, biológicas e radiológicas.

A Rússia autorizou um treinamento militar secreto na China no ano passado e mobilizou cerca de 200 militares para a atividade. Segundo documentos e fontes ouvidas pela Reuters, o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, aprovou pessoalmente a iniciativa e envolveu diretamente ao menos quatro generais russos e chineses. Além disso, o plano contou com a participação de oficiais de alto escalão, o que reforçou o peso político e estratégico da operação.

Cooperação militar amplia alertas na Europa

De acordo com autoridades europeias, o treinamento manteve relação direta com a guerra na Ucrânia. Por esse motivo, governos do continente passaram a acompanhar com maior atenção o aprofundamento da cooperação entre Moscou e Pequim. Ainda assim, autoridades chinesas negaram a realização dos exercícios, apesar das evidências reunidas.

Documento classificado detalha decisão interna

Um documento russo classificado cita um decreto interno emitido por Belousov em agosto de 2025. Nele, o ministro determinou o envio de uma delegação das Forças Armadas da Rússia à China para participar de treinamentos em instalações do Exército de Libertação Popular (PLA). Dessa forma, o texto confirma que a iniciativa partiu diretamente do alto comando militar russo.

Foco em defesa química, biológica e radiológica

Além da autorização formal, os relatórios detalharam o conteúdo do treinamento. Um dos cursos durou três semanas e ocorreu em novembro, em uma instalação militar em Pequim. Durante o período, os militares russos receberam instruções sobre proteção contra ameaças radiológicas, químicas e biológicas.

Segundo os documentos, os soldados acompanharam aulas ministradas por oficiais chineses, analisaram um modelo de reator nuclear e aprenderam técnicas de reconhecimento químico e de radiação. Além disso, o treinamento incluiu medidas para proteger sistemas de ventilação contra contaminação.

Tema sensível reforça caráter estratégico

Para autoridades europeias, a inclusão desse tipo de conteúdo evidencia o caráter estratégico do intercâmbio. Afinal, a preparação para ameaças químicas, biológicas e radiológicas é considerada altamente sensível para forças armadas em todo o mundo. Consequentemente, o envolvimento de generais dos dois países aumentou a preocupação sobre o real alcance da cooperação militar.

Silêncio dos ministérios e reação de Pequim

Enquanto isso, os ministérios da Defesa da Rússia e da China não responderam aos pedidos de comentário. Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou manter a mesma posição sobre a guerra na Ucrânia e classificou as acusações como “totalmente infundadas”, reiterando a postura de neutralidade e o discurso de mediação.

Inteligência europeia confirma treinamento

No mês passado, informações baseadas em dados de serviços de inteligência europeus e documentos militares indicaram que a China treinou cerca de 200 militares russos em novembro. Parte desses soldados, segundo as fontes, seguiu posteriormente para o conflito na Ucrânia. Apesar disso, o Kremlin não comentou diretamente a informação e criticou o que chamou de “informações falsas” divulgadas no Ocidente.

União Europeia avalia consequências diplomáticas

Em seguida, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que Bruxelas confirmou a realização do treinamento por seus próprios canais e passou a avaliar possíveis consequências políticas e diplomáticas. Em resposta, Pequim classificou as declarações como “difamações”.

Debate interno sobre sanções e relação econômica

Desde a invasão da Ucrânia em 2022, países europeus consideram a Rússia a principal ameaça à segurança regional. Por isso, acompanham com preocupação o fortalecimento dos laços entre Moscou e Pequim, sobretudo porque a China segue como parceiro comercial relevante do bloco. Nesse contexto, a União Europeia já impôs sanções a empresas chinesas acusadas de apoiar o esforço de guerra russo.

China vista como “facilitador decisivo” da guerra

Um diplomata europeu em Bruxelas afirmou que o bloco precisa deixar de analisar a China apenas sob a ótica econômica e passar a considerá-la um “facilitador decisivo da guerra da Rússia”. Assim, cresce a pressão por uma resposta mais dura ao aprofundamento da cooperação militar sino-russa.

Generais assinaram acordo e lideraram delegações

Segundo autoridades europeias, o acordo que deu base ao treinamento foi assinado pelo major-general russo Rustam Khusainov e pelo coronel sênior chinês Sun Dayun. Ainda assim, o parlamentar russo Andrei Kartapolov classificou a reportagem como “um completo absurdo” e afirmou que as Forças Armadas russas não teriam nada a aprender com a China.

Relatórios apontam limites da experiência chinesa

Por fim, documentos internos das Forças Armadas russas indicaram avaliações mistas sobre os exercícios. A Rússia acumulou experiência prática em mais de quatro anos de guerra na Ucrânia, enquanto a China não participa de conflitos armados há décadas. Um relatório sobre treinamentos em Nanjing elogiou equipamentos, simuladores e o conhecimento teórico dos instrutores, mas destacou a falta de experiência real de combate.

Outros registros identificaram generais envolvidos nas atividades. De acordo com a documentação, o coronel-general Rustam Muradov chefiou a delegação russa, enquanto o major-general chinês Li Jinsun participou da abertura de um dos cursos e o major-general russo Vitaly Gerasimov integrou um treinamento realizado em Bengbu.

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