Após ruptura com universidade gaúcha, Marinha consolida transferência do progama antártico para o Espírito Santo

Um grande iceberg aparece em frente à estação de pesquisas brasileira na Antártica 
Sargento Flávio / Marinha do Brasil

 

Acordo reforça a logística do PROANTAR no Espírito Santo e assinala a perda de protagonismo de Rio Grande após o fim da parceria com a FURG.

 

Um novo convênio firmado nesta semana entre a Marinha do Brasil, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) consolida a transferência do eixo logístico do Programa Antártico Brasileiro para o Espírito Santo e amplia a participação capixaba nas pesquisas científicas no continente gelado.

O acordo tem como foco o aprimoramento da logística do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), permitindo que a Estação Antártica Comandante Ferraz, mantida pela Marinha, amplie sua capacidade de apoio a projetos científicos. Atualmente, o programa garante suporte a 29 pesquisas brasileiras, número que tende a crescer com a nova estrutura de cooperação.

“Lacração” gerou represália
A formalização do convênio ocorre em um contexto de reconfiguração institucional do PROANTAR. Após mais de quatro décadas concentradas no sul do país, as atividades logísticas do programa passaram a ser gradualmente transferidas de Rio Grande (RS) para Vitória, mudança iniciada após o encerramento do convênio entre a Marinha e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG). A ruptura teve como pano de fundo a decisão da universidade gaúcha de revogar, em 2024, o título de Doutor Honoris Causa concedido ao Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, almirante-de-esquadra e um dos principais articuladores da criação do PROANTAR.

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Com o fim da parceria, a Estação de Apoio Antártico (ESANTAR), mantida pela FURG desde 1983 e responsável pelo armazenamento e preparação de materiais para as missões antárticas, deixou de operar como centro logístico do programa. Essa função passou a ser assumida por estruturas vinculadas à UFES, especialmente no campus de Goiabeiras, fortalecendo o Curso de Oceanologia da instituição capixaba, criado em 2000.

Segundo o superintendente da FEST, Armando Biondo Filho, a participação no PROANTAR amplia o alcance da produção científica local e integra a comunidade acadêmica do Espírito Santo a redes internacionais de pesquisa. A Marinha segue responsável pelo apoio logístico às operações antárticas por meio das Operações Antárticas (OPERANTAR), que empregam o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, o Navio Polar “Almirante Maximiano”, aeronaves UH-17 e a infraestrutura da estação brasileira na Ilha Rei George.

A mudança de polo logístico marca uma nova fase do programa antártico nacional, com impacto direto na distribuição regional das atividades científicas e no protagonismo das instituições envolvidas.

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