Trégua de duas semanas foi costurada com mediação do Paquistão após ameaças de Donald Trump e tem como principal condição a reabertura do Estreito de Ormuz
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, atingiu nesta terça-feira (7/4) um de seus momentos mais tensos. Em poucas horas, o conflito passou de ameaças explícitas do presidente americano Donald Trump à costura diplomática que resultou no anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz.
Segundo a BBC, Trump havia estabelecido um prazo até as 21h (horário de Brasília) para a obtenção de um acordo, sob ameaça de ampliar ataques em todo o território iraniano. A proposta de trégua foi apresentada pelo Paquistão, que atuou como mediador, e aceita pelos EUA desde que houvesse “abertura completa, imediata e segura” da principal rota marítima de escoamento de petróleo do mundo. O Irã concordou com os termos.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que aceitou o cessar-fogo porque os EUA “já atingiram e superaram todos os objetivos militares” e estariam avançados em um acordo mais amplo de paz no Oriente Médio. O presidente disse ainda que Teerã enviou um plano de dez pontos a Washington e a Israel, a ser discutido durante o período de trégua.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi declarou que o tráfego pelo Estreito de Ormuz seria retomado de forma segura durante o cessar-fogo, em coordenação com as Forças Armadas do país. A reação dos mercados foi imediata: o preço do petróleo caiu com força após o anúncio, depois de o barril do Brent ter superado US$ 111 ao longo do dia.
Mesmo após o acordo, a BBC relata que ataques continuaram a ser registrados em diferentes pontos da região, incluindo ações atribuídas a Israel e lançamentos a partir do Irã, o que indicou fragilidade inicial da trégua.
Ameaças e pressão diplomática
Horas antes do anúncio, Trump havia feito declarações duras, afirmando que “uma civilização inteira” poderia ser destruída caso não houvesse acordo, além de ameaçar atingir pontes e usinas de energia iranianas. Em mensagens posteriores, disse preferir uma mudança de rumo político em Teerã e sugeriu que o prazo imposto poderia abrir espaço para um “momento histórico”.
Em paralelo, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas discutiu a situação do Estreito de Ormuz. Uma proposta inicial, mais dura, acabou suavizada após vetos da Rússia e da China, resultando em um texto que apenas incentivava esforços defensivos para garantir a navegação.
Mediação do Paquistão e plano de 10 pontos
Trump citou diretamente o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o chefe das Forças Armadas, Asim Munir, como peças-chave da mediação. Sharif pediu publicamente mais tempo para a diplomacia e, pouco antes do prazo final, anunciou que o cessar-fogo já estava em vigor, convidando as partes para novas rodadas de negociação em Islamabad.
De acordo com a BBC, o plano iraniano de dez pontos inclui, entre outros itens, o fim dos conflitos em países como Iraque, Líbano e Iêmen, a reabertura e segurança do Estreito de Ormuz, indenizações por danos de guerra, suspensão de sanções, liberação de ativos congelados e o compromisso do Irã de não buscar armas nucleares.
O cessar-fogo, embora temporário, abriu uma janela diplomática após semanas de escalada militar e retórica agressiva, marcando uma virada inesperada em um dos conflitos mais sensíveis do cenário internacional recente.
Com informações da BBC News Brasil