Luiz Eduardo Ramos assume a dianteira na articulação do governo para tentar passar Previdência em segundo turno

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
O general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Thiago Herdy

A retomada nesta terça-feira da votação da reforma da Previdência marca a entrada em campo do ministro da Secretaria-Geral de Governo, Luiz Eduardo Ramos, agora titular da articulação do governo com o Congresso. Cada vez mais ele assume a posição que era ocupada pelo ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni – seja cuidando de entregar o peixe prometido pelo antecessor e ou vendo o que consegue pescar para alimentar a manada à porta do gabinete. 

Quando ainda vestia a farda e servia no Rio de Janeiro, Ramos liderou a ocupação de áreas violentas para permitir que técnicos da Justiça Eleitoral atuassem contra a propaganda irregular. Cada ação era precedida de conversas com líderes comunitários e avisos sobre a chegada, para evitar sobressaltos. Naquele ano, a ocupação mais tensa foi a do Complexo do Alemão, única que não contara com anuência prévia de entrada.  

Na madrugada, militares conseguiram colocar uma bandeira do Brasil em ponto chave da comunidade. Ainda assim, na manhã seguinte, o clima era tenso. Não havia criança na rua, mal sinal. Com fuzil na mão, Ramos recebeu no rádio uma mensagem do tenente-coronel Aguiar. Ele avisava que militares de Ação Cívico Social (Aciso) – como barbeiro, manicures e médicos – estavam a postos para subir o morro e começar o serviço. 

– Pô, Aguiar, cê tá de sacanagem. Agora é hora de Aciso? Temos que ocupar antes! – reagiu. 

– Mas até a banda tá aí… – completou o subordinado.  

Após longo silêncio do outro lado, ele ouviu uma nova mensagem: 

– Aguiar, faz o seguinte. Não sobe ainda com ninguém. Manda só a banda subir tocando o hino do Flamengo. 

O rádio ficou mudo. 

– Coronel, o senhor poderia repetir a ordem? – titubeou. 

– Pô, Aguiar, vai lá na banda e manda tocar! 

Ao primeiro acorde de “uma vez Flamengo…”, as janelas se abriram, o clima na comunidade anuviou. 

– Agora toca do Vasco. E agora Fluminense – ordenou. 

Para tentar garantir a passagem da reforma em segundo turno, Ramos vai botar a banda para tocar nesta terça no Congresso. “Ali é a banda da paciência, da resiliência”, diz, assumindo o tom político. “Tem que estar preparado par ouvir coisa que às vezes você não gosta, mas tem que entender”, completa. 

Que música tocaria na volta do recesso?, pergunto. Vem à sua cabeça “Amigos para sempre”, música que para ele simboliza a relação com os companheiros de farda da vida inteira, os que tiveram acima ou abaixo de sua jurisdição.

“Mas essa eu não vou dizer. Não vem ao caso”, afasta.

ÉPOCA/montedo.com

Respostas de 12

  1. Montedo e leitores,

    Falta publicar a inflação de Jul 19.

    Inflação x reajuste em quatro parcelas (Set 16 à Jan 19) ou seja, 51,6584% – 25% = 26,6584% (perdas).

    ====> Quando os nossos generais enxergarão isso ???? Reposição já !!!!!

    Vejam:

    Cálculo da variação de um período IPCA (IBGE)

    A variação do índice IPCA (IBGE) para o período de 01/03/2012 a 30/06/2019 é 51,6584% (incluso as conversões de moeda)

    Fonte:
    https://www.debit.com.br/indice_acumul.php?indexador=17&imes=03&iano=2012&fmes=08&fano=2019

    1. Excelente este seu trabalho de mostrar nossas perdas companheiro! O pessoal fica preocupado com um PROJETO de reestruturação da carreira, para o ano que vem, e esquece que um PROJETO pode ou não ser aprovado! Enquanto isto o governo empurra a defasagem salarial dos militares com a barriga! Precisamos de IMEDIATA reposição salarial este ano! Não é aumento e sim reposição de nossas perdas frente à inflação.

      1. Infelizmente, a maioria dos militares estão desatentos a esse detalhe. Muito importante essa reposição e duas parcelas no máximo com urgência, pois trata-se de perdas reais e seria um aumento para todos.

  2. Esse general, quando era chefe do EME, editou a ILEGAL Portaria 419/17, que fere ato jurídico perfeito, ao impor novos tempos médios de promoção aos oficiais dentistas, QCO, farmacêuticos e capelães.

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