Exército ganha protagonismo em debate sobre resposta a desastres em Porto Alegre
Representantes do governo do Rio Grande do Sul e do Exército Brasileiro participaram, nesta quinta-feira (25), do painel “Atuação das forças de resposta em desastres”, durante o último dia do Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
O encontro reuniu autoridades civis e militares para discutir estratégias de enfrentamento a eventos extremos e reforçou a necessidade de atuação integrada entre instituições públicas.
O evento integrou o Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño) e foi promovido pelo governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, em parceria com o Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade.
Defesa Civil destaca articulação entre instituições
Na mediação do painel, o diretor do Departamento de Gestão de Desastres da Defesa Civil Estadual, major Felipe Ghidini Stangherlin, defendeu a integração como eixo central da resposta a desastres.
“Temos um sistema de Proteção e Defesa Civil forte e contamos com o apoio de instituições igualmente preparadas. O maior legado da crise de 2024 é o sistema de governança da Defesa Civil Estadual. A Defesa Civil que projetamos é um órgão que realiza a articulação entre todas as instituições que possuem capacidade de resposta. O nosso modelo de governança é empoderar tecnicamente cada um desses entes”
Exército reforça atuação conjunta e prontidão operacional
O chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Sul (CMS), general de Brigada Renato Souza Pinto Soeiro, destacou o papel do Exército Brasileiro na articulação com os demais órgãos de resposta.
“Somente juntos conseguiremos fazer face a eventos extremos. Devemos estar organizados, articulando as nossas estruturas e os nossos planejamentos. Estamos atuando para que os nossos gabinetes de crise sejam mais unidos, a fim de que a nossa resposta seja cada vez mais rápida. O Exército está pronto para apoiar a Defesa Civil no que for necessário”
Corpo de Bombeiros e Brigada Militar relatam mudanças após crises recentes
O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Alexandre Sório Nunes, destacou investimentos e modernização da corporação com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
“Recebemos investimentos que possibilitaram a compra de veículos e de equipamentos que aumentam nossa capacidade de resposta, como robôs, caminhões, aeronaves, picapes e embarcações. Agora, na estratégia de preparação, estamos realizando diversos treinamentos, adestramento de cães, simulados de resposta a desastres e reuniões de alinhamento operacional”
O tenente-coronel Tiago Carvalho Almeida, do Comando da Polícia Ambiental da Brigada Militar, afirmou que os eventos extremos recentes alteraram a estrutura de atuação da corporação.
“As experiências de 2023 e de 2024 transformaram a Brigada Militar numa instituição muito mais preparada e capaz de proteger nossas comunidades. A crise acabou sendo o catalisador dessa mudança, com a criação de uma normatização e novas doutrinas de trabalho, com capacitação e mudanças de cultura. A Brigada Militar é um braço central na proteção da população em cenários de emergência climática”
Integração intersetorial é apontada como principal lição
A diretora do Departamento de Assistência Social da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Ana Paula Rodrigues, destacou a importância da atuação conjunta entre órgãos.
“A principal lição de 2024 foi entender a necessidade de realizar um trabalho intersetorial. É muito importante, por exemplo, a construção do Gabinete Integrado de Gerenciamento de Desastres (Giged), porque vai fazer com que atuemos de forma integrada. É necessário fortalecer nossas instituições intersetorialmente e trabalhar de maneira articulada. Só assim conseguiremos fazer a preparação e a prevenção necessárias e dar uma resposta qualificada”
Também participaram do painel o diretor-adjunto do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde (SES), Marcelo Vallandro, e o chefe do Departamento de Emergências da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Rafael dos Santos Rodrigues.