Há 40 anos, caças da FAB perseguiram OVNIS no céu brasileiro

Noite dos OVNIS desencadeou perseguição de caças da FAB (Imagem gerada por IA)

Sargento controlador da FAB foi peça-chave na Noite dos Discos Voadores, enquanto caças tentaram interceptar alvos misteriosos

Na noite de 19 de maio de 1986, o sistema de defesa aérea do Brasil enfrentou uma situação sem precedentes. Naquele momento, dezenas de objetos voadores não identificados passaram a ser detectados simultaneamente por radares civis e militares. Como resultado, a Força Aérea Brasileira acionou protocolos de segurança e colocou caças em voo. Ao mesmo tempo, a atuação de um sargento controlador revelou-se decisiva para o início e a coordenação das ações que marcariam a chamada Noite dos Discos Voadores.

Alerta inicial partiu da torre de controle

Tudo começou ainda no início da noite, quando o então segundo-sargento Sérgio Mota da Silva, operador da torre de controle do Aeroporto de São José dos Campos, identificou um ponto luminoso estacionário no céu. Embora observasse atentamente, ele descartou a hipótese de estrela ou aeronave convencional. Dessa forma, comunicou o fato à patrulha e manteve o acompanhamento visual, enquanto os radares passaram a registrar novos contatos.

A partir desse relato, o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo I, em Brasília, confirmou a presença de cerca de 20 alvos não identificados. Além disso, os registros se espalharam pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná. Assim, o nível de alerta da defesa aérea foi elevado de forma imediata.

Caças são acionados em sequência

F-5E Tiger II e Mirage F-103 foram os caças utilizados pela FAB na frustrada perseguição aos OVNIS
F-5E Tiger II (acima) e Mirage F-103 (abaixo) foram os caças utilizados pela FAB na frustrada perseguição aos OVNIS (Imagens: arquivo FAB)

Diante da rápida evolução do cenário, o comando da defesa aérea determinou o envio imediato de aeronaves de interceptação. Por isso, cinco caças decolaram naquela noite: dois F-5E Tiger II da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e três Mirage F-103 da Base Aérea de Anápolis, em Goiás. Enquanto isso, controladores de voo passaram a orientar os pilotos em tempo real, com base nas informações disponíveis nos radares de solo.

Logo após as decolagens, os caças passaram a perseguir alvos que demonstravam desempenho muito acima dos padrões conhecidos. Em vários momentos, os objetos aceleraram de forma abrupta, mudaram de posição em segundos e desapareceram dos radares justamente quando os aviões se aproximavam. Ainda assim, os pilotos insistiram nas tentativas, seguindo as orientações recebidas a partir do solo.

Contatos visuais, interferências e manobras incomuns

Em uma das missões, um piloto conseguiu contato visual com um objeto luminoso que alternava cores e mantinha distância constante, apesar do aumento de velocidade do caça. Em outras ocasiões, os radares de bordo chegaram a captar os alvos, porém os sinais sumiam de forma repentina, sem qualquer explicação técnica imediata.

Além disso, um dos aviadores relatou interferências anormais no radar da aeronave, descritas como riscos diagonais no visor. Curiosamente, o problema cessava assim que o caça deixava determinada área. Paralelamente, outro piloto afirmou que o objeto parecia antecipar suas manobras, posicionando-se sempre fora de alcance, o que indicava um comportamento deliberado.

Reconhecimento oficial e repercussão histórica

Quatro dias depois, em 23 de maio de 1986, o então ministro da Aeronáutica, Octávio Júlio Moreira Lima, confirmou oficialmente os acontecimentos em entrevista coletiva à imprensa, acompanhado pelos pilotos envolvidos. Por esse motivo, o episódio passou a ser tratado como um caso oficial dentro da estrutura da Força Aérea Brasileira.

Anos mais tarde, a liberação de documentos e áudios das comunicações entre pilotos e controladores reforçou a dimensão do ocorrido. Os registros indicam que os alvos apresentaram características sólidas e comportamento incomum, incluindo voo em formação e capacidade de manter distância dos interceptadores. Assim, mesmo sem uma explicação definitiva, a Noite dos Discos Voadores consolidou-se como um marco histórico da defesa aérea brasileira, destacando tanto a prontidão dos caças quanto o papel essencial do sargento controlador que deu início a toda a operação.

 

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