Múcio: Orçamento da Defesa “não dá para absolutamente nada”

Ministro Múcio falando sobre orçamento (Imagem ilustrativa, criada por IA)

Ministro diz que falta de recursos compromete o planejamento das Forças Armadas e defende aumento gradual dos investimentos para garantir a soberania nacional

O ministro da Defesa, José Múcio, criticou duramente o nível de recursos destinados às Forças Armadas e afirmou que o orçamento atual “não dá para absolutamente nada”. A declaração foi feita nesta segunda-feira (4), durante a abertura do Exercício do Mecanismo de Cooperação em Desastres (Mecodex 2026), realizado em Brasília. Segundo o ministro, a limitação orçamentária compromete o planejamento estratégico da Defesa e reduz a capacidade do país de proteger seu território e seu patrimônio natural.

Orçamento considerado insuficiente

Logo no início de sua fala, Múcio classificou a situação financeira da Defesa como “um caos” e atribuiu o cenário a um problema histórico de redução contínua dos investimentos. De acordo com ele, o Brasil destinou, no último ano, cerca de 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, percentual que considera incompatível com as necessidades estratégicas do país.

Além disso, o ministro destacou que a escassez de recursos impede previsibilidade nas aquisições militares. “Nós não podemos ter previsibilidade nas nossas compras. Eu não posso comprar, eu não sei se vou pagar a primeira prestação”, afirmou, ao defender a necessidade de um orçamento mais estável.

Alto custo fixo e pouco espaço para investimentos

Na sequência, Múcio detalhou a composição do orçamento da pasta. Segundo ele, aproximadamente 83% dos recursos são consumidos por despesas fixas, principalmente com pessoal, o que reduz drasticamente a capacidade de investimento em equipamentos, manutenção e modernização das Forças Armadas.

Para ilustrar a situação, o ministro utilizou uma analogia: “Você tem um automóvel, o automóvel quebra, você fica com o motorista”, disse, ao enfatizar que os custos permanecem elevados mesmo sem investimentos estruturais.

Comparações com outros países

Em seguida, o ministro comparou o Brasil a outras nações da América do Sul. Segundo Múcio, países como Uruguai e Colômbia investem, respectivamente, cerca de 2% e 3,5% do PIB em Defesa, enquanto o Brasil permanece abaixo desse patamar.

Além disso, ele mencionou os gastos globais no setor militar, citando Estados Unidos e China como exemplos de países que investem centenas de bilhões de dólares por ano, o que, em sua avaliação, evidencia a defasagem brasileira.

Proteção do território e da soberania

Apesar das críticas, Múcio ressaltou que a defesa de um aumento orçamentário não tem caráter ofensivo. Pelo contrário, segundo ele, o objetivo é garantir a proteção do vasto patrimônio nacional. O ministro lembrou que o Brasil possui cerca de 7 mil quilômetros de fronteiras terrestres, 8.500 quilômetros de litoral, além de concentrar grandes riquezas naturais.

“Não é para invadir ninguém, é para proteger”, afirmou, ao defender o fortalecimento das Forças Armadas como instrumento essencial para a defesa da soberania e da liberdade do país.

Proposta do governo e limites fiscais

Nesse contexto, Múcio explicou que o projeto do governo é elevar gradualmente os investimentos em Defesa para cerca de 1,5% da receita corrente líquida. No entanto, reconheceu que a execução integral da proposta enfrenta limitações fiscais, diante de outras prioridades do Estado, como educação, combate à fome e resposta a desastres naturais.

Política de Estado, não de governo

Por fim, o ministro defendeu que o financiamento das Forças Armadas seja tratado como uma política de Estado, independentemente de governos ou partidos. Segundo ele, as Forças Armadas “servem ao país, não a partido político”, e atuam em favor da sociedade brasileira.

Ao citar a Constituição, Múcio lembrou que o texto estabelece o presidente da República como chefe das Forças Armadas, sem personalização. “Quando a gente investe nas forças, nós estamos investindo na defesa do povo brasileiro”, concluiu.


Respostas de 27

  1. Ministro fraco, pior Ministro da Defesa de todos os tempos. Deixou a tropa 2 anos sem nenhum reajustes nos soldos, depois conseguiu uma esmola dividida em duas vezes.

  2. E só o pessoal dos poderes legislativo e judiciario, parerem de roubar e acharem que o que ganha e pouco, e ainda sempre dar um aumento acima do teto constitucional, hoje o poder execultivo esta com cara de OTÁRIO, com tanta roubalheira e tem que se calar, vamos acorda mudar e preciso

  3. se extinguir, os RCG’s, Escola de equitação, coudelaria do rincão e acabar esse programa de atletas de alto rendimento (o militar quer ser atleta, então dê baixa e procure a agremiação/associação/Clube/Equipe da atividade), vai sobrar muito dinheiro.

    1. isso é uma verdade que não querem ouvir. RGC é pra manter caalos, hoje desnecessários, é mais histórico.

      muitas OM pelo Brasil poderiam ser extintas, realmente.

  4. na real o orçamento dá sim, basta sabermos empregar.
    na atual conjuntura, Brasil não tem nem ameaça pra entrar em guerra.
    de verdade.

  5. “Segundo ele, aproximadamente 83% dos recursos são consumidos por despesas fixas, principalmente com pessoal”

    como isso? já se reduziu o numero de sargentos nas formações, ja se aumentaram os intersticios dos praças em pelo menos 5 anos nos últimos 20 anos, e agora nem todos os ST saem QAO, muitos nem terão o curso.

    acredito que já sangramos bastante. claro, cabe espaço para mais… Só que agora tem que sangrar a parte de cima.

    ass: Costa

    1. As aposentadorias de todo alto escalão do funcionalismo deveria ser fixada em 10 salários mínimos. Durante exercício de vida laboral ganham muito dinheiro acumulando patrimônio, casas alugadas, sítios, chácaras, fazendas, iates, etc. Essa aposentadoria, após a morte do beneficiário, deveria ser passada apenas para a viúva e ser extinta após sua morte.

  6. Barco furado, infelizmente. Esse pessoal que está entrando na EsSA, principalmente, tem que pensar muito bem o que está fazendo.

  7. Há alguns anos havia um debate sobre a maior imobiliária do Brasil, o INSS. Após um tempo, silencio absoluto, ninguém fala mais. Se há recursos para a roubalheira há recursos para melhorar as FFAA. Deveriam estar pensando na representatividade política da federação pois quem controla o dinheiro são os estados do norte e nordeste que possuem menor arrecadação, menor população, porém, maior representatividade política. Deveríamos ter apenas 1 deputado federal a cada 1 milhão de eleitores e 1 senador a cada 5 milhões de eleitores, voto distrital puro, voto impresso contado em publico e na mesma proporção 1 deputado estadual. Municípios com menos de 5 mil habitantes tornam-se distritos pois não possuem arrecadação suficiente para manter prefeito e vereadores. Em última instancia, se uma reforma política assim não resolver, tornar os estados confederados e proibir a migração entre estados, como na China, a não ser que tenham trabalho e moradia garantidos.

  8. Botija de gas no RJ 127,00.
    Tudo aumentou, carnes, material de limpeza, energia. Tudo. O ministro nao fala em recomposição salarial?
    A primeira coisa a se falar deveria ser o cuidado com a tropa.
    Existe um papo que vao cortar o fusex das esposas e dependente. Ainda tem isso ai.

  9. Mais de R$ 130 bi de orçamento, o 5º maior orçamento da esplanada.

    Os gastos em Defesa do BR são iguais aos gastos de todos os outros países da América do Sul somados.

    Não falta orçamento, o problema é que quase 60% do orçamento vai para aposentados e pensionistas, enquanto outros 20 e tantos % vão para a folha de ativos.

  10. Enquanto houver bandas de música e PTTC tem dinheiro sobrando! Seria muito simples enxugar os gastos com pessoal, um monte de quartel inútil e um quantitativo absurdo de EV…

  11. Não precisa de orçamento e só pegar seu salário macio e o restante do salário dos covardes do oficiais que reajustaram seus salários em mas de 80% reduzindo dos veteranos do quadro especial e suas pensionista que sobra muito dinheiro

  12. Não fala nada da miséria de reajuste que foi dados aos militares de 9% dividido em 2 vezes, enquanto teve categorias federais com reajuste de 28%. Daqui a pouco vão querer que militares trabalhem de graça.

  13. Reduz o efetivo de militares concursados…reformula a legislação referente ao benefício das pensionistas principalmente das filhas sadias que embarcaram no desconto do 1,5% ! O Serviço militar obrigatório deveria ser revisto. A Contratação de pttc deveria ser aplicada só em casos extremos da necessidade do serviço, algo que de fato seria comprovada por auditoria. Pronto, agora estenda as medidas de cortes e controles de gastos para o Judiciário e Legislativo em tudo e mais um pouco que for necessário e possível! Problema que nesse imbróglio todo temos chefes que só pensam neles pra negociar pela tropa…farinha pouca, meu pirão primeiro!sempre foi a regra dessa turma…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *