Decisão do Pentágono, motivada por divergências diplomáticas e tensões comerciais, reacende debate sobre autonomia militar europeia e preocupa aliados da Otan
O presidente dos Estados Unidos, Donal Trump, anunciou a retirada de 5.000 soldados americanos da Alemanha, medida confirmada pelo Pentágono na sexta-feira (1º) e que deverá ser implementada ao longo de seis a 12 meses. A decisão ocorre em meio a divergências entre Washington e Berlim sobre a guerra no Irã, além de tensões crescentes com a Europa relacionadas a tarifas comerciais.
A Alemanha abriga hoje o maior contingente militar dos Estados Unidos no continente europeu. Segundo dados do Centro de Recursos Humanos de Defesa americano, 36.436 militares ativos estavam estacionados no país em dezembro do ano passado. Com a retirada anunciada, uma brigada completa deixará o território alemão, além do cancelamento do envio de um
batalhão de fogos de longo alcance previsto para este ano.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou neste sábado (2) que a medida já era esperada, mas avaliou que ela deve servir como estímulo para que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria segurança. Segundo ele, a Alemanha vem expandindo suas Forças Armadas, acelerando aquisições militares e investindo em infraestrutura.
O objetivo é ampliar o efetivo da Bundeswehr de 185 mil para 260 mil soldados.
Trump defende há anos a redução da presença militar americana na Alemanha e cobra reiteradamente que os aliados europeus aumentem seus gastos com defesa. A ameaça foi intensificada nesta semana após um desentendimento com o chanceler alemão
Friedrich Merz, que afirmou que o Irã estaria “humilhando” os Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra de dois meses.
O anúncio ocorre também em um contexto de agravamento das relações comerciais. Trump declarou que pretende elevar para
25% as tarifas sobre importações de automóveis da União Europeia, acusando o bloco de não cumprir acordos comerciais.
A medida pode gerar prejuízos bilionários para a economia alemã.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reagiu de forma cautelosa. A porta-voz da aliança, Allisson Hart, informou que o bloco está trabalhando com os Estados Unidos para compreender os detalhes da decisão e afirmou que a Otan segue confiante em sua capacidade de garantir dissuasão e defesa.
A retirada também gerou preocupação entre aliados do Leste Europeu. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou que a maior ameaça à comunidade transatlântica não são inimigos externos, mas a possível fragmentação da aliança em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia.
Para integrantes do governo alemão, a decisão reflete pressões políticas enfrentadas por Trump. O deputado Peter Beyer, responsável pela política externa do partido CDU, afirmou à Reuters que tanto a retirada das tropas quanto a escalada tarifária parecem menos parte de uma estratégia coerente e mais uma reação política diante de frustrações em conflitos ainda não resolvidos.
A presença militar dos Estados Unidos na Alemanha remonta ao pós-Segunda Guerra Mundial e atingiu seu auge durante a Guerra Fria. Hoje, instalações estratégicas como a Base Aérea de Ramstein e o hospital militar de Landstuhl Regional Medical Center seguem sendo fundamentais para operações americanas no Oriente Médio.
A retirada parcial, especialmente do componente de fogos de longo alcance, é vista em Berlim como um duro golpe à capacidade de dissuasão contra a Rússia, enquanto os europeus ainda trabalham para suprir lacunas críticas em suas próprias defesas.
Respostas de 2
Não farão falta, a Alemanha estará segura com os seus efetivos.
Nunca esteve e as tropas dos EUA são históricamente tropas de ocupação.