Ação integrada das Forças Armadas e órgãos federais derruba área de mineração clandestina de 4.570 para 56 hectares, interdita pistas ilegais e amplia indicadores de saúde indígena em Roraima
Boa Vista – Com forte presença do Exército Brasileiro, o Comando Operacional Conjunto Catrimani II completou dois anos de atuação contínua na Terra Indígena Yanomami com resultados expressivos no combate ao garimpo ilegal. Dados consolidados pelo governo federal apontam uma redução histórica de 98,77% das áreas de mineração clandestina ativa no território.
A operação foi ativada em 1º de abril de 2024, por meio da Portaria GM-MD nº 1.511/2024, e passou a atuar de forma integrada com forças de segurança e agências federais, sob coordenação da Casa de Governo de Roraima. No auge da crise, em 2024, o garimpo ilegal ocupava cerca de 4.570 hectares. Em dezembro de 2025, a área caiu para 56 hectares.
Mesmo com a retração da atividade criminosa, as ações de repressão foram mantidas. Até março de 2026, patrulhas fluviais e incursões aéreas desarticularam pontos logísticos considerados estratégicos para o garimpo. Ao todo, 80 pistas de pouso clandestinas foram interditadas com apoio da engenharia militar e uso controlado de explosivos, interrompendo rotas de abastecimento. O balanço inclui ainda 344 prisões, 191 armas apreendidas ou inutilizadas, 2.105 motores destruídos e 836 acampamentos desmontados.
Além da repressão direta, a operação ampliou o suporte logístico às comunidades indígenas. Aeronaves e embarcações garantiram a continuidade do atendimento de saúde, com impacto direto nos indicadores sociais. Em 2024, a taxa de mortalidade indígena na região caiu 21% em relação ao ano anterior. Houve também redução de 42% nos casos de malária e de 20% nos quadros de desnutrição, resultado do transporte regular de profissionais e medicamentos e da instalação de sistemas de energia fotovoltaica em áreas remotas.
Com a desintrusão de grandes polos de garimpo, lideranças indígenas e órgãos como a Funai relatam a retomada de atividades tradicionais, como o plantio de roças de mandioca e banana, fortalecendo a autonomia alimentar e a preservação cultural dos yanomamis.
Os resultados, segundo o comando da operação, decorrem do modelo de interoperabilidade entre as instituições envolvidas. O subcomandante operacional conjunto, general de brigada Klauber Rogério Candian, afirma que capacidades como mobilidade estratégica, logística em ambiente de selva, comando e controle, permanência em áreas isoladas e efeito dissuasório das Forças Armadas são determinantes para o êxito da missão.
O general ressalta ainda que a atuação segue rigorosa observância das normas legais, dos direitos humanos e das especificidades culturais das populações indígenas, condição considerada essencial para a legitimidade e a continuidade das ações na região de Roraima, com sede operacional em Boa Vista.