Bases do Exército na Amazônia terão usinas solares e reduzem dependência de diesel

Bases do Exército na Amazônia terão energia solar (Imagem ilustrativa, criada por IA)

 

Projeto em Tefé e São Gabriel da Cachoeira prevê investimento de R$ 9,5 milhões, economia de R$ 23 milhões em combustível e corte de quase 11 mil tonel

Bases do Exército localizadas na Amazônia começarão a operar com sistemas de geração de energia solar, em um projeto que alia redução de emissões de carbono, economia de recursos públicos e maior autonomia energética em áreas isoladas. A iniciativa prevê a instalação de usinas fotovoltaicas com armazenamento por baterias em unidades militares nos municípios de Tefé e São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas.

O investimento total é estimado em cerca de R$ 9,5 milhões, com financiamento da Conta de Desenvolvimento da Amazônia Legal. O projeto é resultado de uma parceria entre a Axia Energia e a Baterias Moura. Segundo as estimativas, a substituição parcial do uso de geradores a diesel por energia solar permitirá a eliminação de quase 11 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) ao longo de 15 anos, além de uma economia aproximada de R$ 23 milhões em gastos com combustível.

A primeira usina será instalada na 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé, com capacidade de geração de 503,25 quilowatt-pico (kWp). Situado no centro do Amazonas, o município possui acesso predominantemente fluvial ou aéreo, o que torna o abastecimento energético um desafio logístico permanente. A maior parte da redução de emissões prevista pelo projeto está concentrada nessa unidade.

A segunda instalação ocorrerá no Comando de Fronteira Rio Negro/5º Batalhão de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira, com capacidade de 382 kWp. O município, localizado na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, abriga uma das presenças militares mais remotas do país. A implantação do sistema solar nessa região envolve elevada complexidade operacional, mas é vista como estratégica para testar a viabilidade do modelo em áreas de difícil acesso.

Os sistemas adotados incluem não apenas painéis fotovoltaicos, mas também unidades de armazenamento de energia por baterias (BESS), fundamentais em regiões não conectadas ao Sistema Interligado Nacional. A tecnologia permitirá que a energia gerada durante o dia seja utilizada à noite ou em períodos de baixa incidência solar, reduzindo a dependência de geradores movidos a diesel.

Atualmente, o fornecimento de energia em bases isoladas da Amazônia depende quase integralmente do transporte fluvial de combustível, que pode levar dias e envolve custos elevados, além de impactos ambientais adicionais. A substituição parcial desse modelo por fontes renováveis representa uma mudança relevante na forma como o Estado mantém suas operações na região.

Embora o volume de emissões evitadas seja modesto em termos globais, o impacto ganha relevância no contexto amazônico, onde cada litro de diesel consumido implica não apenas emissões diretas, mas também efeitos associados à logística de transporte dentro da floresta. A iniciativa reforça o papel do Exército como agente de presença institucional e, ao mesmo tempo, como potencial indutor de soluções sustentáveis em áreas remotas.

O cronograma prevê que os sistemas sejam desenvolvidos e implantados em um prazo entre seis e 18 meses, com início de operação antes do fim de 2027. Caso o modelo se mostre eficiente, a expectativa é que possa ser replicado em outras unidades militares da Amazônia Legal, além de inspirar projetos semelhantes voltados a comunidades isoladas, escolas, postos de saúde e outras infraestruturas públicas. Com informações do Ministério da Defesa

Uma resposta

  1. A Marinha instalou painéis solares nos rochedos de São Pedro e São Paulo há muito tempo. Será que em Fernando de Noronha vão melhorar o sistema?]

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