Em entrevista, o almirante Ilques Barbosa Junior aponta Itaipu e o Porto de Santos como alvos estratégicos, critica a lentidão no deslocamento de tropas — como no caso de Roraima — e diz que o País segue preso a debates ideológicos do passado.

A entrevista do almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior a Marcelo Godoy, do Estado de São Paulo, expõe uma visão ampla e pouco convencional sobre Defesa Nacional, deslocando o debate do campo estritamente militar para uma lógica de sobrevivência do Estado, infraestrutura crítica e coordenação civil-militar. A seguir, os principais eixos analíticos da conversa:
Segurança de fronteiras e mudança do eixo estratégico
Ilques parte do diagnóstico de que o Brasil não tem mais ameaças relevantes a Oeste, no continente sul-americano. Segundo ele, o peso econômico e territorial do país torna improvável um conflito regional clássico. O problema estratégico, portanto, desloca-se para o Atlântico, o espaço aéreo, o domínio cibernético e as rotas logísticas globais.
Nesse contexto, a segurança de fronteiras deixa de ser apenas vigilância terrestre e passa a envolver fluxos: comércio, energia, dados, fertilizantes, alimentos e rotas marítimas. Para o almirante, pensar defesa hoje é pensar interrupção de sistemas, não invasões territoriais tradicionais.
Itaipu e Porto de Santos: vulnerabilidades existenciais
A afirmação mais contundente da entrevista — “Se atacar Itaipu, acaba o Brasil” — resume sua tese sobre infraestruturas críticas. Ao citar a Itaipu Binacional, Ilques a enquadra como ativo estratégico absoluto: energia, estabilidade econômica e segurança nacional convergem ali. Um ataque ou sabotagem teria efeitos em cascata impossíveis de conter apenas com resposta militar clássica.
O mesmo raciocínio se aplica ao Porto de Santos. Para o ex-comandante da Marinha, o fechamento ou sabotagem do porto teria impacto imediato sobre abastecimento, exportações e arrecadação. A crítica implícita é que o país trata essas estruturas como temas administrativos ou policiais, quando deveriam estar no centro do planejamento estratégico de defesa.
Mobilidade militar: o calcanhar de Aquiles do território nacional
Um dos pontos mais práticos e reveladores da entrevista é a dificuldade de deslocar tropas dentro do próprio Brasil. Ilques cita explicitamente o caso recente de Roraima, onde o envio de forças levou mais de um mês e exigiu uma operação logística complexa, improvisada e custosa.
O almirante escancara uma fragilidade estrutural: o Brasil tem dimensão continental, mas não planeja suas rodovias, ferrovias, hidrovias e portos com lógica de defesa. Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, a mobilidade militar não está integrada ao planejamento civil de infraestrutura. O resultado é um país grande, porém lento e vulnerável em cenários de crise.
Defesa além dos quartéis: civis no centro da estratégia
Ilques defende que a Defesa Nacional não pode ser monopolizada pelos militares. Energia, transporte, biossegurança, segurança alimentar e cibernética exigem especialistas civis com poder de decisão, atuando lado a lado com as Forças Armadas.
Nesse ponto, ele propõe fortalecer a atuação do Chefe do Estado-Maior Conjunto com a incorporação, no mesmo nível decisório, de responsáveis por áreas estratégicas civis — substituindo a lógica restrita associada ao termo estrangeiro Joint Chief por uma abordagem mais ampla e adaptada à realidade brasileira.
O peso do passado: Ustra, Che Guevara e o debate estagnado
Ao mencionar Che Guevara e o que chama de “maluco da tortura” — referência direta ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — Ilques critica a obsessão recorrente com fantasmas ideológicos de mais de 60 anos.
Para ele, a insistência nesse embate simbólico paralisa o debate real sobre Defesa, orçamento, mobilidade e soberania industrial. Enquanto o país discute 1964, deixa de planejar 2040.
Indústria de Defesa e autonomia estratégica
O almirante também alerta para o risco de investimentos bilionários sem retorno estrutural. Ao citar feiras como a LAAD, aponta a frustração de depender de equipamentos sofisticados sem domínio tecnológico, cadeia logística ou recursos humanos. Sua defesa é clara: produção local, transferência de tecnologia e autonomia, mesmo que isso custe mais no curto prazo.
Síntese
A entrevista revela um pensamento estratégico que rompe com o modelo tradicional de Defesa. Para Ilques Barbosa Junior, o maior risco ao Brasil não é a guerra clássica, mas a interrupção de sistemas vitais, combinada à incapacidade logística e à ausência de coordenação política. Defesa, em sua visão, é menos sobre armas e mais sobre organização do Estado, planejamento e maturidade institucional.
Respostas de 13
O Ilques não precisaria falar nada, pois entrou no panteão das personalidades navais da história, por se negar aos intentos golpistas do Pres.Rep anterior, ele e os demais Comandantes. Concordo em parte com ele, pois o país se desenvolveu totalmente dependente da forma rodoviária, enquanto que a maioria das potências procuraram se desenvolver de todas as formas (férrea, cabotagem, rodoviária, aérea) que facilitam a logistica, bem como estar preso a apenas uma hidrelétrica, quando na realidade a dependência energética com base limpa das hidrelétricas deveria existir em outros locais com cursos de água e próprias. A energia nuclear, para fins de energia elétrica é ufanista, todavia seria útil para ser utilizada em belonaves. A demora da conclusão do submarino nuclear (se a França mudar de ideia já era). Quanto ao discurso ideológico de que trata, infelizmente é necessário nesse momento, pois alguns Flertaram e flertam com o golpe antidemocrático e uma instalação de ditadura vem com os horrores de toda sorte de tortura. Relembrar o passado para não cometer os erros no futuro. Como falei acima a barreira contra o golpe começou com eles que ligaram o alerta da atitude golpista.
cara vc não entendeu nada que o Almirante falou….vc como bom petralha vem falar em golpe Tabajara e é justamente o que o Almirante vem falando deixar as falácias do passado e olhar para o futuro. Como bom petralha vc vem ressuscitando um mentira que somente existe na cabeça baldia do esquerdalha. Golpe Tabajara.
Cara, você deve ter déficit cognitivo, não é possível e não é de hoje. Eu li o que ele falou e coloquei meu ponto de vista do que não concordava, se bem que não maioria concordei, todavia discordei com argumentos factíveis. E você com os meus argumentos o que propôs? Simplesmente xingar. Vai cuidar da sua doença antes de vir aqui e destilar sua raiva incontida. Passe lá no posto e tome uma antirábica. Passar bem.
essas verdades ditas pelo almirante são conhecidas .Essa entrevista reforça tambem que autoridades quando na ativa calam-se por questoes hierarquicas, politicas ou mesmo por incompetencia. Ao senhor almirante que, com mais de 40 anos de serviço ativo, teve em maos o comando dos meios navais pouco ou quase nada realizour, a nao ser a rotina marinheira. Mas culpa-lo é covardia. Somos todos culpados.
culpados por aceitar essa condiçao de submissos a uma politica destruidora, culpados por calar-mos diante das pessoas e coisas erradas. Somos uma sociedade que visa o “proprio umbigo” e que o certo so incomoda e o errada ” é assim mesmo”. Ou mudamos nosso comportamento ou seremos sempre o “país de um futuro Distante e incerto”
….e a tropa continua na Penúria…
Novo reajuste deveria ser anunciado….
Esse têm visão geoestratégica, deu o bizú convicto e sem medo! Lembrando que: Não vamos apoiar ninguém nessa eleição. Vorcaros continuarão a surgir assim como outros alexandres e os praças sem aumento. Ao menos que recebamos um aumento antes das eleições segue o veredito: sem apoio à ninguém. Quem quiser valorize-nos antes, promessas não pagam boletos.
Se me permite, acrescentaria que depois de Itaipu cair, teríamos muita dificuldade com um contra-ataque, pois não teríamos munição suficiente.
Lembrando que um soldado executa em média 15 a 25 tiros na sua formação.
Temos pouquíssimos recursos para a atividade-fim. O triste é que se gasta muito em firulas, como combustível para deslocar viaturas com tropas para participar de… formaturas.
Há muito já se disse que no brasil se costuma sempre olhar para o retrovisor, nunca para o parabrisa.
Diversos artistas, por exemplo, ganharam – e ainda ganham – notoriedade e dinheiro, muiro dinheiro, por se apresentar como “exilado”.
Esses “filhos de 1964” não vivem outro mundo. Continuam estacionados lá atrás. Para eles, calça “boca de sino” continuará sempre na moda.
E assim, o país vai ficando também para trás…
Se atacar Itaipu quem sofrerá é o Paraguai que depende 90% de Itaipú. O Brasil depende mensos de 10% e pode realocar a malha e acionar as termoelétricas. Atacar o Portode Santos? !!!
Quando trocaram os CC M41 pelos leopard, no inicio dos anos 2000, ouvi de um general que o exército estava enfrentando problemas diante da decisão de concentrar os meios no CMS. Isto porque nossas ferrovias (as poucas em uso) não haviam sido pensadas para o transporte estratégico de meios militares. Bitolas diferentes em cada trecho, tuneis estreitos, pontes Sub dimensionadas, obrigavam que os CC fossem descarregados das composições para que fossem levados “rodando” até o próximo trecho, o que tornava o deslocamento lento, complexo e custoso em termos financeiros. Imagina isso numa crise? Outros casos também sugerem uma reflexão: em 2010, levamos 3 meses para mobilizar, equipar e transportar 1.500 homens para o Haiti, por ocasião do terremoto que devastou aquele país. Em 2024/25, precisamos de 30 dias para entregar um punhado de blindados em Roraima etc. Isso tudo faz a gente pensar que o problema da Defesa exige muito mais do que um recruta com um fuzil nas mãos e que, ao contrário do que muitos imaginam, esta questão SEMPRE foi Negligenciada em nosso país.
Aqui no Brasil nós criamos inimigos para justificar super heróis.