“PEC Pazuello”: proposta que barra militares da ativa em cargos públicos emperra no Congresso

'PEC PAZUELLO'

PEC apresentada em 2021 para limitar presença de fardados na administração segue parada na CCJ após pareceres opostos e perda de interesse político

A discussão sobre os limites da atuação de militares da ativa em cargos civis da administração pública federal, estadual e municipal esfriou no Congresso Nacional e permanece sem avanço desde 2024. A apuração é de Augusto Tenório, da Folha.

O impasse envolve uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada em 2021, que busca regulamentar a participação de integrantes das Forças Armadas — além de policiais e bombeiros — na máquina pública.

A iniciativa foi protocolada durante o governo de Jair Bolsonaro pela então deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC). Com a mudança de governo e a chegada de Lula ao Planalto, o tema deixou de ser prioridade tanto para o centrão quanto para a oposição, o que contribuiu para travar a tramitação.

A proposta prevê que militares com menos de dez anos de serviço sejam afastados das funções caso assumam cargos civis. Para aqueles com mais de uma década de carreira, o texto determina a transferência automática para a reserva no momento da nomeação. A medida foi concebida em meio às críticas da oposição à elevada presença de militares no governo Bolsonaro, período em que generais e oficiais ocuparam posições estratégicas no Executivo.

O projeto ficou conhecido como “PEC Pazuello”, em referência ao general da ativa Eduardo Pazuello, que comandou o Ministério da Saúde durante a pandemia da Covid-19. Sua gestão foi alvo de questionamentos, especialmente pela crise de falta de oxigênio em Manaus e pela demora na aquisição de vacinas. Hoje, Pazuello exerce mandato como deputado federal.

À época, a proposta chegou a receber apoio pontual de partidos do centrão, que viam na redução do espaço dos militares uma oportunidade de ampliar sua própria influência no governo. Um levantamento do Tribunal de Contas da União apontou que mais de seis mil militares da ativa e da reserva ocupavam cargos civis no governo Bolsonaro — número mais que o dobro do registrado no fim da gestão Michel Temer.

Encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2021, a PEC nunca teve sua admissibilidade votada. Naquele ano, a comissão era presidida por Bia Kicis (PL-DF), aliada do então presidente, que não pautou a matéria. Relatores chegaram a ser designados, mas deixaram a comissão antes de apresentar parecer.

Em 2023, sob a presidência de Rui Falcão (PT-SP), a CCJ retomou a análise e nomeou Samia Bomfim (PSOL-SP) como relatora. Ela apresentou parecer favorável à admissibilidade, argumentando que o texto não proíbe de forma absoluta a atuação de militares, mas apenas define consequências jurídicas conforme o tempo de serviço. Ainda assim, o relatório não foi votado diante da resistência da bancada bolsonarista e do desinteresse do centrão.

No ano seguinte, com a CCJ sob o comando de Caroline de Toni (PL-SC), a proposta ganhou novo relator, Paulo Bilynskyj (PL-SP), que se manifestou pela inadmissibilidade da PEC, alegando violação a direitos civis garantidos aos militares pela Constituição.

Sem consenso político, o texto permanece paralisado na Câmara, sem perspectiva de votação. Paralelamente, o governo Lula enviou ao Congresso, em 2023, outra PEC para impedir que militares da ativa disputem eleições ou ocupem cargos do primeiro escalão do Executivo sem passar para a reserva. A proposta, apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), avançou no Senado, mas também encontrou resistência da oposição e acabou não sendo levada ao plenário.

Com a proximidade das eleições e outras pautas prioritárias no Legislativo, como a PEC da Segurança Pública e mudanças na jornada de trabalho, a tentativa de retomar o debate sobre a presença de militares na administração pública perdeu força e segue fora do radar do Congresso.

Respostas de 9

  1. Já tinha esquecido de “Eric Cartman”.

    Sumiu, hein?

    Seria uma “retirada estratégica” dos holofotes ou apenas a volta a uma natural insignificância?

  2. Lugar de militar é dentro de sua força adicionando força manual e ajudando na escala de serviço. Militar na política, tem que pedir demissão ou licenciamento antes.

    1. Militar eleito vai automaticamente para reserva. Impedir de militar poder concorrer à cargo eletivo nos tornaria mais cidadãos de segunda classe que ja somos. Ta certo que tem uns que depois de eleitos nao servem pra nada, mas…

  3. A minha proposta de PEC seria….

    A proposta da PEC consiste em estabelecer que todos os agentes públicos que tomarem posse em cargos eletivos sejam definitivamente demitidos ou exonerados de seus cargos públicos de origem, passando a se dedicar integralmente ao exercício do mandato, sem direito de retorno ao serviço público após o término do período eletivo. A medida visa impedir que agentes públicos utilizem seus cargos, funções ou títulos como plataforma política ou eleitoral, evitando a autopromoção e o desvio de finalidade das funções públicas. Além disso, propõe-se que agentes públicos inativos ou ex-integrantes de órgãos públicos sejam proibidos de utilizar títulos ou referências funcionais anteriores em atividades político-partidárias, de modo a evitar a vinculação indevida de instituições públicas à atuação de agentes políticos.

    Essa seria a minha PEC.

  4. Praça sempre joga pra ” Cool “. Rapaz, qualquer um pode ser candidato e ponto final, o que importa é a pessoa trabalhar bem e em prol do povo. Foda-se se o cara é militar, pastor, empresário, sapatao, gay, gato, papagaio, famoso, dentista, anão, preto, branco… porém, gente tem demais, só falta o ” Trabalhar para o povo ” kkkk

  5. Se quiser ser civil, simples, faça concurso e seja.
    Só que não…, quer benesses, afinal tudo mundo busca se dar bem. Não é? Garantir de um e ganhar de outro com ajuda do padrinho que babou.
    PEC neles, chega de imoralidade.

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