O mesmo remédio amargo: após as Forças Armadas, STF enfrenta erosão da confiança pública

Imagem meramente ilustrativa, gerada por IA

Pesquisa aponta que escândalo do Banco Master aprofundou a crise de confiança no Supremo Tribunal Federal e reforça paralelo com o desgaste sofrido pelas Forças Armadas após o 8 de Janeiro

A confiança nas instituições não se perde de forma súbita — ela se esvai quando se acumulam sinais de afastamento dos princípios que justificam sua autoridade. É esse processo que agora atinge em cheio o Supremo Tribunal Federal, segundo a mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, e que já havia impactado profundamente as Forças Armadas após os atos de 8 de janeiro.

Os números são eloquentes. Hoje, 60% dos brasileiros dizem não confiar no STF, o maior índice de desconfiança desde o início da série histórica, em janeiro de 2023. O dado é ainda mais significativo porque rompe um equilíbrio que, até pouco tempo atrás, mantinha níveis semelhantes de confiança e rejeição. A curva descendente se acelera a partir de agosto do ano passado e encontra seu ponto crítico com a condução do inquérito envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A percepção pública de que ministros do tribunal poderiam ter relações pessoais ou financeiras com o investigado produziu um dano que vai além do caso concreto. Para 66,1% dos entrevistados, há envolvimento direto de integrantes da Corte no escândalo. As revelações sobre contatos de Vorcaro com Alexandre de Moraes, além de vínculos que também alcançam Dias Toffoli, consolidaram a ideia de quebra de imparcialidade — um dos pilares centrais da legitimidade judicial.

Como observou o constitucionalista Oscar Vilhena, a autoridade de um tribunal superior repousa sobre independência, imparcialidade e objetividade. Quando um desses fundamentos é colocado em dúvida, todo o edifício institucional treme. No caso do STF, a suspeita de promiscuidade entre magistrados e investigados não apenas fragiliza decisões específicas, mas contamina a imagem da Corte como árbitro neutro do sistema político.

Esse processo guarda paralelos diretos com o que ocorreu com as Forças Armadas após o 8 de Janeiro. Instituições historicamente associadas à disciplina e ao respeito constitucional viram sua credibilidade despencar quando passaram a ser percebidas como tolerantes — ou ambíguas — diante de movimentos que atentavam contra a democracia. A proximidade com o então presidente Jair Bolsonaro e a adesão de setores da caserna a narrativas golpistas arrastaram a imagem militar para uma crise sem precedentes desde a redemocratização.

Em ambos os casos, o dano não decorre apenas de atos individuais, mas da incapacidade institucional de estabelecer limites claros e comunicar esses limites à sociedade. O silêncio, a demora em respostas firmes e a adoção de posturas defensivas ampliaram o espaço para suspeitas e generalizações. Assim como os militares foram associados coletivamente às ações de uma minoria radicalizada, o STF hoje paga o preço de não ter isolado, com rapidez e transparência, eventuais desvios de conduta em seu próprio interior.

O paralelo é incômodo, mas elucidativo. Tanto o Supremo quanto as Forças Armadas experimentam o mesmo “remédio amargo”: a perda de confiança popular quando a instituição parece se confundir com interesses políticos ou privados. A lição é dura, porém clara. Legalidade formal não basta. Em democracias, a autoridade depende da percepção pública de imparcialidade e compromisso com o interesse coletivo.

A reconstrução dessa confiança será lenta e exigirá mais do que discursos. Passa por transparência real, autocrítica institucional e, sobretudo, pela reafirmação inequívoca de que nenhuma relação pessoal, política ou econômica pode se sobrepor às funções constitucionais. Caso contrário, o desgaste que atingiu os quartéis após o 8 de Janeiro tende a se repetir — e se aprofundar — nos salões do Supremo Tribunal Federal.

Respostas de 12

  1. São situações bem distintas: no caso do 8 de janeiro os militares foram acusados por parte da população de serem golpistas e por parte de não darem um golpe, situações em que não se enquadra o papel das forças armadas e essa situação se originou da escolha política da própria população e não dos militares.

  2. Ambas as instituições não foram escolhidas pelo voto direto, portanto não estão submetidas ao escrutínio. Isso seria dizer que o STF somente deveria votar em favor do povo sempre, em prejuízo do público ou do certo. Decisões são feitos da interpretação da norma e do caso concreto e que alguns dos que estão lá foram sabatinados pelo senado escolhido pelo povo. E o final, a instituição não pode pagar pelo erro de alguns poucos, os quais devem ser extirpados. Por fim, toda a imensa maioria apoia o julgamento da tentativa de golpe e a pena aplicada.

    1. FFAA melancias…por isso caiu a aprovacao. Mas tem razao , a instituicao tem que aguentar os PTralhas corruptos e os esquerdopatas coniventes idiotas úteis

    2. Que golpe, seu melancia? O mundo já sabe que tudo não passou de uma armação para detonar Bolsonaro e a direita.

      Sem essa de gopiiiiii!

      Gopiiii, sem armas?

  3. Depois da MP 2215 e da lei 13954, até os Militares “Pracas” deixaram de acreditar naqueles que administram e representam o comando da tropa.

  4. Não vamos apoiar ninguém nem que o inferno vire gelo. nem esquerda nem direita, Praça apoie sua família, sua esposa, seus filhos, faça por eles, faça por você. General ou Político estão pouco se lixando pra praça.

  5. A diferença é que as Forças Armadas aprenderam com 64 onde o povo pediu intervenção e elas agiram botando toda essa raça de comunistas para correr, depois o proprio povo exigiu a volta desse bando de comunistas de volta e passou a chamar os militares de golpistas. Hoje, aconteceu a mesma coisa só que as Forças Armadas se recusaram a participar de uma nova intervenção a exemplo de 64 e o povo agora os chama de “traidores”. O povo tem memória curta…ja o STF está enrolado até o talo com tanta corrupção.

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