Segurança energética impõe limites à transição e exige diversificação de fontes, avalia ex-ministro

Almirante Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia

 

Almirante Bento Albuquerque afirma que matriz limpa não é sinônimo automático de abastecimento seguro e defende equilíbrio entre renováveis, térmicas e novas tecnologias

 

Segurança energética como consenso global
Em artigo publicado no Poder360, o almirante de esquadra da Marinha Bento Albuquerque, que foi ministro de Minas e Energia no governo Bolsonaro, sustenta que a segurança do suprimento deve ser o eixo central do debate energético. Ele relata que, no encontro bianual de ministros da Agência Internacional de Energia, realizado em fevereiro em Paris, houve uma rara unanimidade: sem segurança energética, metas de sustentabilidade, transição e inovação tornam-se apenas promessas.

Energia vai além do debate ambiental
Segundo o autor, tratar a transição energética como um caminho único e linear é um erro recorrente. A discussão, afirma, envolve dimensões econômicas, geopolíticas, de soberania, industrialização, competitividade e estabilidade social. “Energia não é apenas uma pauta ambiental”, ressalta.

Brasil: matriz limpa, mas vulnerável
Albuquerque destaca que o Brasil parte de uma posição diferenciada, com cerca de 50% de sua matriz energética composta por fontes renováveis, percentual muito superior à média mundial. Essa vantagem, porém, não elimina o principal desafio: a segurança do suprimento. A forte dependência da geração hidráulica, somada à rápida expansão de fontes intermitentes como solar e eólica, aumentou a exposição do sistema a fatores climáticos imprevisíveis.

Lições das crises recentes
O artigo lembra que períodos de estiagem severa, como a crise hídrica de 2020/2021, evidenciaram fragilidades do Sistema Interligado Nacional. Nesses momentos, os custos aparecem na forma de risco de apagões, instabilidade operacional e medidas emergenciais onerosas, reforçando a tese de que matriz limpa não é, necessariamente, matriz segura.

Papel estratégico das termelétricas
Nesse contexto, o almirante defende as usinas termelétricas como parte essencial do sistema, não como antagonistas das renováveis. Para ele, as térmicas funcionam como um “seguro” do sistema elétrico, oferecendo potência firme, resposta rápida em situações de estresse, atendimento a picos de demanda e estabilidade de frequência e voltagem, com impacto relativamente pequeno nas metas climáticas brasileiras.

Tendência internacional e gás natural
O movimento global, segundo o autor, reforça essa visão. Dados do Global Energy Monitor indicam dezenas de usinas a gás em desenvolvimento no mundo, inclusive para atender à expansão de data centers. A mensagem, afirma, é clara: mesmo economias tecnologicamente avançadas recorrem a fontes despacháveis para garantir segurança e flexibilidade.

Baterias: potencial com limites
Albuquerque também aborda os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (Bess), cujo primeiro leilão está em preparação no Brasil. Embora reconheça o potencial das baterias para reduzir desperdícios e auxiliar na estabilização do sistema, ele alerta para limitações tecnológicas, custos elevados, dependência de minerais críticos e riscos operacionais. “Baterias não produzem energia, apenas armazenam”, observa.

Prudência e diversificação
Para o autor, o poder público deve adotar realismo no desenho de leilões e evitar a substituição precipitada de tecnologias maduras. A produção termelétrica, argumenta, possui cadeia global consolidada, custos previsíveis e regulação testada. “Em segurança energética, maturidade tecnológica não é conservadorismo, é prudência”, afirma.

Segurança como objetivo central
Ao concluir, o almirante recorre à experiência histórica brasileira, como a resposta à crise do petróleo de 1973, para defender a diversificação como pilar do planejamento energético. O objetivo, sustenta, deve ser avançar rumo a uma matriz cada vez mais sustentável, mas, sobretudo, resiliente e “à prova de apagões”, garantindo energia confiável e a custo competitivo para a sociedade.
Leia o artigo completo no Poder 360.

Respostas de 4

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *