Caças Gripen entram em operação para defender o espaço aéreo de Brasília

Gripen sobrevoa Brasília (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

Aeronaves da Força Aérea Brasileira, baseadas em Anápolis, passam a integrar o alerta de defesa aérea do Planalto Central quase 12 anos após o acordo com a fabricante sueca.

Os caças F-39 Gripen passaram a operar oficialmente na defesa aérea de Brasília nesta terça-feira (24), marcando a entrada em funcionamento do sistema de alerta do Planalto Central. As aeronaves estão baseadas em Anápolis (GO), a cerca de cinco minutos de voo da capital federal.

A ativação ocorre quase 12 anos após a assinatura do contrato entre o Brasil e a fabricante sueca Saab, firmado no fim de 2014. Atualmente, a Força Aérea Brasileira conta com dez Gripen operacionais em Anápolis, sede do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) Jaguar, responsável por empregar os caças em caso de ameaça ao espaço aéreo da região.

Capaz de atingir até 2.400 km/h — cerca de duas vezes a velocidade do som —, o Gripen reforça a proteção do centro político do país a partir de uma base criada em 1972 para abrigar os primeiros caças supersônicos da FAB, os franceses Mirage 3. A instalação foi projetada justamente para garantir resposta rápida a eventuais ataques ao coração do território nacional.

Desde a chegada das primeiras aeronaves ao Brasil, em 2020, e sua incorporação oficial à FAB, em 2022, o Gripen passou por uma extensa fase de testes e certificações. Em novembro do ano passado, a FAB realizou o primeiro disparo real de míssil com o caça, utilizando o modelo europeu Meteor contra um alvo aéreo não tripulado próximo ao litoral do Rio Grande do Norte. O armamento é considerado o mais avançado da categoria atualmente em operação no país.

No início de fevereiro, novos testes foram conduzidos na Base Aérea de Natal, com o lançamento de bombas em diferentes configurações. Também foram concluídos os ensaios de reabastecimento em voo com o cargueiro KC-390 e os primeiros disparos do canhão interno de 27 mm, de fabricação alemã.

Além das aeronaves baseadas em Anápolis, uma 11ª unidade do Gripen está em Gavião Peixoto (SP), onde Embraer e Saab mantêm a linha de montagem da versão nacional do caça. O primeiro exemplar produzido no Brasil deverá ser apresentado em março, em cerimônia que pode contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do alto comando da Aeronáutica.

O programa prevê a aquisição de 36 aeronaves, sendo oito na versão biposto. Inicialmente, todas deveriam ter sido entregues até 2025, mas o cronograma foi revisto, com conclusão agora prevista para 2032. O contrato foi estimado em US$ 4,5 bilhões à época da assinatura.

Segundo a FAB, o Gripen é um caça multimissão de última geração, apto a atuar em missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento, reunindo sensores modernos, alto grau de disponibilidade e menor custo operacional em comparação a modelos anteriores.

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