Queda de generais abala cúpula militar da China e coloca Taiwan no centro da tensão

Imagem ilustrativa, gerada por IA

Mudanças na cúpula das Forças Armadas concentram decisões estratégicas em Xi Jinping e levantam dúvidas sobre efeitos operacionais em um eventual conflito

A investigação e o afastamento de generais de alta patente do Exército de Libertação Popular da China reacenderam questionamentos sobre como a instabilidade na cúpula militar pode influenciar a postura de Pequim em relação a Taiwan, ilha autogovernada que o governo chinês reivindica como parte de seu território.

O Ministério da Defesa da China confirmou estar investigando Zhang Youxia, um dos mais poderosos militares do país e então vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), por suspeitas de “graves violações da disciplina e da lei”. Ele era o segundo nome mais influente das Forças Armadas, atrás apenas do presidente Xi Jinping.

Segundo a agência Associated Press, desde 2012 ao menos 17 generais do Exército de Libertação Popular foram afastados, oito deles integrantes da alta cúpula, em um processo contínuo de expurgo associado ao combate à corrupção e à consolidação de poder político.

Outro general citado nas investigações é Liu Zhenli, que integrava a Comissão Militar Central e chefiava o Departamento do Estado-Maior Conjunto. As autoridades chinesas não divulgaram detalhes sobre as acusações.

O Diário do Exército de Libertação Popular atribuiu culpa aos militares investigados, afirmando que eles “traíram a confiança do Partido Comunista” e “minaram a autoridade da Comissão Militar Central”.

Em outubro, o Partido Comunista já havia afastado outro vice-presidente da CMC, He Weidong, substituído por Zhang Shengmin. Com as recentes demissões, apenas um dos seis membros originais do órgão máximo das Forças Armadas permanece no cargo.

Impacto sobre Taiwan

Analistas avaliam que as mudanças não alteram a ambição estratégica da China de controlar Taiwan, já que essa decisão é centralizada em Xi Jinping e na liderança do Partido Comunista. No entanto, os expurgos podem afetar decisões operacionais, planejamento militar e a coordenação das Forças Armadas em um cenário de crise.

Nos últimos meses, Pequim intensificou a pressão militar sobre a ilha, com exercícios de grande escala ao redor de Taiwan, especialmente após anúncios de compras de armamentos dos Estados Unidos pelo governo taiwanês.

A concentração de poder na presidência chinesa tende a tornar o processo decisório ainda mais verticalizado, reduzindo o peso de lideranças militares intermediárias.

Não há confirmação se os cargos vagos na Comissão Militar Central serão preenchidos em breve. A expectativa é que Xi Jinping possa aguardar até 2027, quando ocorre a renovação do Comitê Central do Partido Comunista, responsável também pela nomeação da cúpula militar.

Respostas de 2

  1. Importante dizer que agência Associated Press tem um viés considerado independente, tal qual o BBC e o Reuters, mas…essa Agência, quando se trata de china, essa impacialidade muda.

    Ela é frontalmente anti-china, então, fora os fatos, a opinião desprezo.

  2. Vamos falar claramente?
    Havia um golpe militar em andamento.
    Foi tudo descoberto. A guarda presidencial reagiu a tempo e sufocou os golpistas.
    Vários generais e tropas participantes foram presos.
    É quase certo que todos serão executados.

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