Após décadas de desarmamento, países europeus retomam ou reformam o alistamento para recompor efetivos, atender às exigências da OTAN e enfrentar um cenário de segurança considerado o mais tenso desde a Guerra Fria.
A Europa está retomando — ou reconsiderando — o serviço militar obrigatório principalmente por uma combinação de ameaça geopolítica crescente e escassez de pessoal militar, depois de décadas de desarmamento. Em síntese, os motivos centrais são estes:
1) Ameaça russa voltou ao centro da segurança europeia
Desde a anexação da Crimeia em 2014 e, sobretudo, após a guerra em larga escala na Ucrânia, a Rússia passou a ser vista novamente como uma ameaça direta. Países europeus relatam:
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violações de espaço aéreo,
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espionagem,
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ataques cibernéticos,
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sabotagem de infraestruturas críticas.
Com informações de Swissinfo.ch
Isso elevou o nível de alerta ao patamar mais alto desde a Guerra Fria.
2) Falta de soldados virou um problema estrutural
Mesmo com mais investimentos em armas e tecnologia, faltam pessoas para operar e sustentar os exércitos.
Após o fim da Guerra Fria, muitos países:
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reduziram drasticamente seus efetivos,
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aboliram o serviço militar obrigatório,
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apostaram em forças profissionais menores.
Hoje, esse modelo mostra limites: há dificuldade de recrutamento voluntário, especialmente em sociedades envelhecidas.
3) Pressão da OTAN e dos EUA
A OTAN exige que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria defesa.
As metas atuais incluem:
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aumento expressivo dos gastos militares,
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expansão do efetivo.
Estudos indicam que a Europa precisaria de centenas de milhares de soldados adicionais, sobretudo se tiver de atuar com menos apoio dos EUA.
4) Recrutamento obrigatório é visto como solução rápida
Por isso, alguns países:
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restauraram o serviço militar (Lituânia, Suécia, Letônia),
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reintroduziram recentemente (Croácia),
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criaram modelos híbridos (Alemanha),
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ampliaram a base, incluindo mulheres (Dinamarca).
O alistamento permite aumentar efetivos mais rapidamente do que depender só de voluntários.
5) O caso suíço: menos falta agora, mais risco no futuro
A Suíça mantém o serviço obrigatório, mas enfrenta outro dilema:
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crescimento do serviço civil alternativo,
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queda prevista no número de militares disponíveis a partir de 2028.
Por isso, discute-se restringir a migração do serviço militar para o civil, para evitar um colapso futuro do efetivo.
6) Debate econômico e social
Há forte controvérsia:
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Críticos dizem que o recrutamento:
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retira jovens do mercado de trabalho,
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prejudica o crescimento econômico,
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transfere o custo da segurança para as novas gerações.
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Defensores afirmam que:
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fortalece a coesão social,
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aumenta a resiliência nacional,
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garante capacidade de defesa mínima.
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Alguns estudos sugerem que pagar melhor soldados voluntários pode ser mais eficiente economicamente, mas politicamente difícil.
7) Guerra moderna mudou, mas números ainda importam
Drones, tecnologia e mobilidade ganharam importância, como mostra a guerra na Ucrânia. Ainda assim:
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sem pessoal suficiente, não há capacidade de dissuasão,
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defesas fracas podem estimular agressões, em vez de evitá-las.
Em resumo
A Europa retoma o serviço militar obrigatório porque:-
voltou a se sentir militarmente ameaçada,
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desmontou seus exércitos no passado,
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não consegue recrutar soldados suficientes,
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precisa responder às exigências da OTAN,
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busca soluções rápidas diante de um cenário de guerra real no continente.
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Respostas de 3
O serviço militar obrigatório evidencia que muitos cidadãos não estão satisfeitos com a atuação política e não se sentem motivados a defender a situação atual. Grande parte da população enfrenta a falta de moradia, emprego, alimentação adequada, educação e outras necessidades sociais básicas. Diante desse cenário, uma eventual guerra pode ser vista como um fator de mudança do contexto atual ou até do próprio governo, e muitos não desejam manter esse modelo — muito menos morrer em defesa dessas ideias. Soma-se a isso o fato de que não há voluntários dispostos a lutar em guerras voltadas à defesa de interesses políticos: os próprios políticos não pegam em armas para sustentar seus ideais ou os conflitos que provocam e, por isso, impõem à população a obrigação de lutar por essas ideias por meio do serviço militar obrigatório.
E ameaça norte-americana, tb.
O problema é que o Trump está Putin.