Ataque dos EUA à Groenlândia colocaria fim à cooperação transatlântica e exporia crise inédita na Otan

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Aliança não foi criada para lidar com agressões internas e que um conflito liderado por Washington poderia levar à criação de uma Otan europeia sem os Estados Unidos, diz especialista

 

Especialista em Otan e professor na Universidade da Dinamarca, Sten Rynning afirma que um eventual uso da força pelos Estados Unidos contra a Groenlândia colocaria a aliança em uma crise sem precedentes, já que a Otan não foi concebida para lidar com agressões internas entre seus próprios membros. Segundo ele, a confiança mútua — base da defesa coletiva — se dissolveria rapidamente, tornando a aliança incapaz de responder de forma eficaz.

Rynning avalia que o governo Trump demonstra pouco apreço pela diplomacia tradicional e pelo funcionamento consensual da Otan, adotando uma postura ideológica e disruptiva em relação aos aliados europeus. Para essa visão, a aliança seria excessivamente limitada para atender aos interesses estratégicos dos EUA, o que ajuda a explicar a pressão crescente sobre a Groenlândia.

Caso a agressão americana fosse limitada, o especialista considera possível que os aliados tentem preservar algum tipo de cooperação, mas apenas por meio da criação de uma nova estrutura, como uma Otan europeia sem os Estados Unidos. Nesse cenário, a cooperação transatlântica em segurança estaria encerrada, e restaria saber se Washington aceitaria uma Europa mais autônoma em defesa ou tentaria fragmentá-la politicamente.

No curto prazo, Rynning aponta que a Otan poderia responder à coerção dos EUA com iniciativas coletivas no Ártico, como uma estratégia de vigilância e defesa para a região. No entanto, ele ressalta que capacidades militares sem consenso político são insuficientes, e que falta liderança americana para articular uma política comum.

Por fim, o especialista alerta que uma Otan enfraquecida ou dividida beneficiaria Rússia e China, que poderiam explorar a crise interna da aliança por meio de pressões políticas, militares e econômicas, especialmente no Ártico e no Leste Europeu. Para Rynning, a investida de Trump revela uma crise estrutural na defesa coletiva ocidental, com perda de confiança difícil de reverter, agravada também pela condução da política dos EUA em relação à Ucrânia.
Com informações de O Globo

Respostas de 2

  1. Tempos loucos que vivemos, até lembram as décadas de 1920 e 1930, nas quais velhos imbecis que se acham deuses imortais não se contentaram com o muito que já tinham e colocaram a segurança do mindo em xeque. Pior ainda são os loucos que os seguem e os idolatram. Infelizmente enquanto estivermos batendo palmas para os loucos dançarem, estes continuarão dançando até o último de seus dias.

  2. A Europa está numa crise geopolítica sem precedentes na história. De um lado, a Rússia com sua agressão (guerra) na Ucrânia. Do outro, os EUA fazendo investidas, cada vez ➕️ ousadas, na Groenlândia. E, ainda, por fora, tem a China observando, pacientemente, tudo isso.

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