No STM, Bolsonaro e generais serão julgados por ex-subalternos

Bolsonaro e generais condenados pelo STF

 

Tribunal analisará se Bolsonaro, Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio e Garnier cometeram atos considerados indignos

Ana Pompeu
Brasília – O STM (Superior Tribunal Militar) deve julgar só no meio de 2026 a perda de patente dos cinco militares do núcleo crucial da trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão deve ser tomada após desentendimentos públicos entre ministros da corte e envolverá, no papel de juízes, antigos colegas de farda e subalternos dos condenados.

O STM irá avaliar os casos de Bolsonaro, que é capitão reformado, dos generais da reserva Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira e do almirante Almir Garnier.

Augusto Heleno acompanha a cerimônia no STM (Superior Tribunal Militar), em 2022 – Gabriela Biló – 3.ago.22/Folhapress
Segundo a Folha apurou, a expectativa é a de que cada um dos fardados tenha o caso relatado por um ministro diferente, após sorteio para atribuição de relatores e revisores.

O entendimento é que, embora os casos tenham sido analisados em conjunto pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o STM julga o comportamento dos militares, portanto, não haveria justificativa para a reunião dos casos sob uma única relatoria.

O tribunal irá avaliar se os militares cometeram atos considerados indignos para oficiais e devem ter suas patentes cassadas. Estão sujeitos a esse tipo de ação oficiais das Forças Armadas condenados, com sentença transitada em julgado, a pena privativa de liberdade superior a dois anos por crime militar ou comum.

Por causa desse recorte, não será analisado o caso do delator Mauro Cid, que recebeu pena de dois anos no STF.

Os condenados na Justiça Militar são expulsos das Forças, declarados “mortos fictícios” e deixam pensão para os familiares.

O STM é composto por 15 ministros: 5 civis e 10 militares (quatro do Exército, três da Marinha e três da Aeronáutica).

Entre eles, estão colegas de farda e ex-subalternos dos militares da trama golpista.

Heleno foi instrutor na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) de dois dos quatro ministros-generais da atual composição da corte, os cadetes Odilson Sampaio Benzi e Marco Antônio de Farias.

Paulo Sérgio foi comandante do Exército por 13 meses, de 31 março de 2021 a 1º de abril de 2022. Nesse período, teve em seu Alto Comando dois dos quatro ministros que ocupam as cadeiras destinadas ao Exército, os generais Lourival Carvalho Silva e Guido Amin Naves.

Garnier esteve no Almirantado —colegiado de almirantes da mais alta patente— com os três ministros do STM oriundos da Força Naval, os almirantes-de-esquadra Leonardo Puntel, Celso Luiz Nazareth e Cláudio Portugal de Viveiros.

As relações pessoais dos ministros com os condenados e o histórico profissional dos generais implicados na trama golpista devem permear o julgamento, avaliam três integrantes do STM ouvidos pela Folha.

Condenado a 21 anos de prisão, Heleno é citado como um dos generais mais respeitados no Exército. Ele foi uma das principais referências da Força nos últimos 20 anos, com atuação destacada no Haiti e no Comando Militar da Amazônia.

No caso de Braga Netto, a situação é tida como menos favorável pelo fato de ele ter proferido ataques aos chefes do Exército e da Aeronáutica contrários ao golpe e, segundo a acusação, financiado um plano para assassinar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o que o militar nega.

Trâmite e desentendimento
A decisão da corte militar sobre as patentes ocorrerá em julgamento público no plenário.

A presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, recebeu os ofícios enviados pelo Supremo sobre o trâmite em julgado nesta quarta-feira (26).

A partir de agora, o tribunal aguardará as representações sobre os casos da Procuradoria-Geral da Justiça Militar.

Quando isso ocorrer, a corte deverá fazer a distribuição de cada caso aos relatores e pautar os julgamentos quando os votos dos ministros estiverem prontos.

O recesso do Judiciário começa no próximo dia 19 de dezembro.

Há a expectativa de que não haja pedido de vista dos processos. Mas os julgamentos podem ter andamentos diferentes, tanto pelo fato de os casos serem distribuídos a relatores diferentes quanto pelo desentendimento recente entre ministros envolvendo discussão sobre participação de militares em golpe de Estado.

No final de outubro, o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, tenente-brigadeiro da Aeronáutica, fez críticas públicas à presidente do STM após ela pedir desculpas às vítimas da ditadura militar. Ele disse que ela deveria “estudar um pouco mais da história do tribunal para opinar sobre a situação do período histórico”.

Elizabeth rebateu afirmando conhecer bem a história da ditadura e disse não aceitar o “tom misógino” usado pelo colega.

O regimento interno do tribunal define que, em casos de empate, cabe à presidente adotar a decisão mais favorável ao réu.
FOLHA – Edição: Montedo.com

Respostas de 11

  1. O STM vai avaliar…

    Imagine, militares condenados por crimes e o STM vai avaliar … uma espécie de trabalho duro deitados na rede com uma caipirinha gelada. A (des) necessidade da JM é patente, uma peça de museu, ocupando espaço em uma neve espacial, um trabalho contraproducente, uma anomalia da República e um desperdício de dinheiro público. Para quem vai dizer que já existe a 200 anos…quando for trocar a roda do carro, coloca uma de carroça no lugar, por tradição.

  2. STM… Jogo de cartas marcadas… Se a sociedade brasileira não precionar… Vai terminar em pizza… Imagine generais mais modernos julgando os mais antigos… Que conhece bem a parcialidade e o corporativismo militar sabe que vão conseguir um argumento… extra lei… para livrarem a pele desses senhores golpistas… Nossa esperança é a imparcialidade da presidente do STM… Vamos aguardar… A tropa e toda a sociedade brasileira estão de olho…

  3. Nossa esperança e o capitão assunção, esses comandantes de ar condicionado só serve a políticos ficha sujas. Os pracinhas e pensionistas que se lasque.

  4. ​A criação do PT, de Lula, do STF e o surgimento de Alexandre de Moraes no STF são responsabilidade dos militares que depuseram a Família Real e a expulsaram do Brasil no momento em que proclamaram a República.

  5. Bem vamos aos fatos: pessoas que foram doutrinadas a não entregar o País ao Socialismo, desde os treze anos, supostamente em defesa da Nação ( parece que hoje 50 por cento da populacao aceita o socialismo, hoje, pelo menos é o que a imprensa divulga ou parte mais atuante dela), quando viram o caos, se expressaram, isto é o que o STM vai julgar. É caso de perder patente? A nação preparou e investiu neles pra aceitar o socialismo? Não. Com a devida vênia. Ao arrepio da Lei, sem ideogias. Vida que segue.

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