Heleno receberá visita de general cuja demissão por Bolsonaro gerou crise militar

O então ministro da defesa, Fernando Azevedo e Silva, participa de audiência pública,  para discutir o  PL 1645/19, que trata da proteção social dos militares. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil DF

 

Preso no Comando Militar do Planalto, Augusto Heleno terá visitas de familiares e do ex-ministro Fernando Azevedo
João Pedroso de Campos
Alexandre de Moraes autorizou nessa quinta-feira, 27, que o general Augusto Heleno receba as primeiras visitas no Comando Militar do Planalto, onde está preso desde a terça-feira, 25, para cumprir pena por tentativa de golpe.

Entre os familiares autorizados por Moraes estão Sonia Pereira, mulher do general, Renata Pereira, filha dele, e Carlos Augusto Pinheiro, genro de Heleno. Um amigo de Augusto Heleno também vai poder visitá-lo: o general Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro. As visitas não têm datas definidas na decisão do ministro.

Azevedo foi protagonista de um episódio marcante sob Bolsonaro, que mostrou muito da visão distorcida do ex-presidente sobre as Forças Armadas. Bolsonaro demitiu Fernando Azevedo no final de março de 2021, após fazer pressões políticas sobre o ministro. Ele pretendia que as Forças estivessem alinhadas politicamente ao governo.

Ao se despedir do ministério, o general divulgou uma nota que soou como recado contra interferências políticas no meio militar. “Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, escreveu Azevedo, que, antes de ser nomeado ministro, havia atuado como assessor de Dias Toffoli na Presidência do STF.

A demissão de Fernando Azevedo deflagrou uma crise militar no governo — a mais aguda 1977, quando Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, Sylvio Frota, expoente da linha-dura do regime militar.

Em apoio a Azevedo e insatisfeitos com atitude de Bolsonaro, os comandantes do Exército, general Edson Pujol; da Marinha, almirante Ilques Barbosa; e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carloz Bermudez, planejaram entregar os cargos conjuntamente. O então presidente se antecipou ao movimento e exonerou os três.

Fernando Azevedo foi substituído na pasta da Defesa por Walter Braga Netto, então ministro da Casa Civil — que também viria a ser condenado no julgamento da tentativa de golpe e preso para cumprir pena, no Rio de Janeiro.

Azevedo atualmente é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que reúne mineradoras e empresas do setor.
ESTADO DE MINAS – Edição: Montedo.com

Respostas de 11

  1. Bozo demetiu tres honrados comandantes com o mesmo objetivo do ditador Maduro. Tiro no pe, aqui nao vingou, conseguiu foi pena de reclusao. A democracia saiu vitoriosa.

    1. O que isso tem a ver com o fato de ele ter sido demitido por Bolsonaro e agora estar indo visitar o General Augusto Heleno na prisao?

    2. O IBRAM é uma organização privada, sem fins lucrativos, com mais de 300 associados, responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil.

  2. A ganância por poder e nada fazer pelo povo, aproveitando as mordonias do sistema, do outro lado o sofrimeto de várias famílias é apenas um detalhe. Um grupo de senhores de maior idade que já alcançaram o topo do topo, querendo mais e mais, para quê?

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