Quem é o coronel do Exército que integrou esquema responsável por desvio de R$ 748 mil em comida

ex-coronel Omar Santoa  (Material obtido pelo Metrópoles)

 

Omar Santos foi expulso do Exército Brasileiro após ser condenado por participar de um esquema que desviou alimentos de batalhão
Arthur de Souza, Carlos Carone
O tenente-coronel que foi expulso do Exército Brasileiro pelo Superior Tribunal Militar (STM) é Omar Santos, 63 anos (foto em destaque). A Corte entendeu que o militar participou de um esquema de fraudes em licitações, entre 2001 e 2002, para o fornecimento de alimentos às tropas da Força, causando prejuízo de R$ 748.356,94.

O esquema foi descoberto após a Operação Saúva, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2006. O STM decidiu, por unanimidade, declarar a indignidade para o oficialato, determinando a perda de seu posto e de sua patente. A sentença foi publicada em 24 de outubro.

A decisão acompanhou o entendimento do Ministério Público Militar (MPM), após a condenação do oficial na Justiça Militar da União e a conclusão do processo de Conselho de Justificação instaurado pelo comandante do Exército, na esfera administrativa. Na esfera penal, Omar Santos foi denunciado e condenado, em primeira instância, a oito anos de reclusão, pena que foi posteriormente confirmada pelo STM.

Prejuízo
As investigações da PF apontaram a existência de um núcleo criminoso no 12º B Sup, que era responsável por manipular licitações, ajustar previamente vencedores, extraviar documentos de concorrentes, receber produtos em quantidade e qualidade inferiores e realizar pagamentos antecipados sem o recebimento dos itens contratados, além de envolver superfaturamento e pagamento de propinas a militares.

Segundo o MPM, essas práticas causaram prejuízo de R$ 748.356,94 ao patrimônio sob administração militar, afetando a atividade logística essencial ao preparo e emprego das Forças Armadas na Amazônia.

Em Brasília, o Ministério Público Militar identificou um núcleo ligado à Diretoria de Suprimentos do Exército, responsável por liberações indevidas de recursos que mantinham o esquema ativo, sempre associado a vantagens financeiras indevidas a oficiais envolvidos.

Expulsão
Ao apreciar o processo do Conselho de Justificação, instaurado para avaliar a capacidade de Omar permanecer como militar de carreira, o relator do caso no STM, ministro Leonardo Puntel, destacou que a conduta dele atingiu de forma direta e sensível a imagem e a credibilidade das Forças Armadas.

O ministro do STM ressaltou que o processo administrativo decorrente do Conselho de Justificação observou integralmente os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, e que as provas demonstraram a incompatibilidade da permanência do oficial nas fileiras do Exército.

Ao julgar procedente a acusação, Puntel destacou que todos os oficiais — da ativa, da reserva ou reformados — devem manter padrões de conduta que resguardem a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe, requisitos que são “inegociáveis e indispensáveis à carreira militar”. A perda de posto e patente foi confirmada pelo Plenário do STM de forma unânime.

O Metrópoles não conseguiu entrar em contato com a defesa de Omar Santos. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
METRÓPOLES – Edição: Montedo.com

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