Evento contou com interpretação simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para irmão e cunhada surdos de uma formanda
O Centro de Instrução e Adestramento de Brasília Almirante Domingos de Mattos Cortez (CIAB) realizou a Cerimônia de Juramento à Bandeira de sua 35ª Guardas-Marinha (GM) do Estágio de Adaptação e Serviço e Estágio de Serviço
A turma Contra-Almirante Durval de Oliveira Teixeira foi composta por 39 alunos das áreas de odontologia, enfermagem, fisioterapia, nutrição, administração, jornalismo, biblioteconomia, informática, serviço social, segurança do tráfego aquaviário, pedagogia e engenharia — cinco dos quais já haviam integrado as Forças Armadas anteriormente. Os militares foram designados para as OM sob a jurisdição do Comando do 7° Distrito Naval, que abrange o Distrito Federal, Goiás e Tocantins.
Suboficial atuou como intérprete de Libras
A cerimônia contou com interpretação simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras), primeira que se tem conhecimento no CIAB. A iniciativa surgiu após a aluna Jéssica Alves Pereira de Souza solicitar acessibilidade para que seus familiares surdos – seu irmão Ramon e a cunhada Carla – pudessem acompanhar plenamente a solenidade.

O responsável pela interpretação foi o Suboficial Fuzileiro Naval (Artilharia) Flaviano dos Santos, psicopedagogo com pós-graduação em Libras.
Foi a primeira vez que atuei como intérprete em uma formatura militar. Foi muito bacana poder fazer isso na cerimônia, no lugar onde sirvo, junto com meu Comandante”, disse.
O Suboficial Flaviano traduziu toda a cerimônia, incluindo explicações sobre o Hino Nacional. “A emoção foi muito grande. Como militar, incluir uma pessoa surda dentro do meu universo, ter essa acessibilidade e a Marinha me proporcionando isso foi incrível”, declarou.
Durante a solenidade, o Comandante Jeiel homenageou Ramon Alves Pereira de Souza e Carla Vanessa Pereira Valverde em seu discurso, mencionando-os nominalmente e destacando a importância da inclusão. A Guarda-Marinha Jéssica Alves emocionou-se com o gesto:
Apesar de ser a caçula, sempre lutei pelos direitos do Ramon. Eu não descansaria até conseguir um intérprete para eles na formatura. Quando cheguei ao pátio central, vi que os deslocaram para ficarem numa posição privilegiada, de onde pudessem me ver, pois estava na retaguarda. Sou muito grata pelo bom acolhimento.”
Jéssca aproveitou para fazer um apelo:
Convido todos a aprenderem ao menos o básico da língua de sinais. A comunidade surda fica muito feliz quando demonstramos interesse em nos comunicarmos com eles.”
Maria Cristina Alves Pereira, mãe de Jéssica, também manifestou sua gratidão:
Agradeço de todo coração ao Comandante Jeiel por homenagear meu filho Ramon e minha nora Carla em seu discurso. O respeito com que se dirigiu aos dois me encheu de alegria. Agradeço muito ao Suboficial Flaviano por ter interpretado o evento com muito zelo. Obrigada, Marinha do Brasil! Estou muito orgulhosa da minha filha Jéssica fazer parte dessa Força tão bela!”
Com Agência Marinha de Notícias
Respostas de 3
Pelo jeito em pouco tempo as FFAA aceitará surdos e mudos, assim como já admitem idosos com 62 anos. No mas parabéns pela atitude.
Tudo para “inglês ver”. Legal que agora aumentaram o prazo do consignado. Tentando é claro afrouxar a corda do pescoço do praça. Mas nunca com um rajuste compatível com o funcionalismo público.
A MB continua 72x.