Pentágono convoca centenas de generais para reunião, mas não revela o assunto

Imagem: Jsson Reed/Reuters

 

Reunião acontece após o governo Trump demitir uma série de generais e oficiais superiores de alto escalão

Por O Globo e agências internacionais
Washington – O agora conhecido como Departamento da Guerra dos Estados Unidos convocou centenas de oficiais de alta patente — incluindo generais e almirantes — para uma pouco usual reunião presencial na semana que vem, em uma base militar no estado da Virgínia. O encontro não teve o assunto revelado, nem mesmo aos oficiais e seus assessores, e ocorre em meio a mudanças complexas no departamento, incluindo uma mudança de nome e demissões.

A convocação, feita no início da semana, foi revelada pelo jornal americano Washington Post, e é válida para cerca de 800 oficiais de alta patente nos Estados Unidos e espalhados por dezenas de países — não se sabe quantos deles irão. Cada um desses comandantes é responsável por milhares de soldados, alguns deles em zonas de risco, como no Leste da Ásia e Oriente Médio.

Dos militares ouvidos pelo Post e pelo New York Times, nenhum se lembra de uma reunião desse tipo, convocada às pressas — o fato de ser presencial é um motivo a mais de questionamentos, ainda mais quando o Pentágono tem sistemas seguros de comunicações, que permitem discutir temas de segurança nacional à distância.

— As pessoas estão preocupadas, elas não têm ideia do que isso significa — afirmou um dos comandantes ouvidos pelo Post.

Outros demonstraram receios sobre a necessidade e os riscos de reunir, em um mesmo local, toda a cúpula da maior potência militar do planeta: para eles, caso surja uma crise durante o encontro, marcado para o dia 30 de setembro, a ausência dos comandantes de seus postos “reduzirá sua capacidade” de ação. Existe a possibilidade do presidente Donald Trump comparecer, o que adicionaria mais uma camada de riscos — ao ser questionado, na Casa Branca, Trump tentou amenizar a convocação.

— Por que isso é tão importante? — disse o presidente. — Vocês falam como se isso fosse algo ruim. Não é legal que pessoas do mundo inteiro estejam vindo para se encontrar?

Além da reunião presencial sem precedentes, os participantes estão no escuro sobre o que estará na pauta. A mensagem de convocação não trata do tema a ser abordado pelo secretário de Defesa (ou da Guerra), Pete Hegseth, e em comunicado ao Post, o porta-voz do Pentágono, não deu detalhes, apenas confirmou o evento.

— Não se pode chamar oficiais de operações especiais (GOFOs) que lideram suas tropas e a força global para um auditório nos arredores de Washington sem lhes dizer por que ou qual é o tópico ou a agenda — disse um oficial ouvido pelo Washington Post. — Estamos tirando todos os generais e oficiais de patente do Pacífico agora? Tudo isso é estranho.

A convocação ocorre em um momento de mudanças e incertezas dentro do Pentágono. A começar pelo nome do departamento, agora chamado Departamento da Guerra, por ordem de Donald Trump, e um maior controle ao trabalho da imprensa no órgão — segundo o Post, não houve objeções à publicação da matéria sobre a reunião. Em termos práticos, Hegseth ordenou, em maio, uma redução de 20% no quadro de generais de quatro estrelas, os mais experientes do Exército, e fez demissões de peso desde sua chegada ao cargo.

A lista inclui o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Charles Brown Jr.; a comandante da Marinha, Lisa Franchetti, a primeira mulher a ocupar o posto; e a representante dos Estados Unidos na comissão militar da Otan, Shoshana Chatfield. Além dos oficiais de alta patente, Hegseth determinou um corte de 10% no quadro de generais e comandantes nas Forças Armadas. Segundo o Washington Post, o secretário quer exercer maior poder nas promoções de oficiais, levantando dúvidas sobre o impacto no trabalho dos militares e na eficácia das forças.

Neste contexto, muitos apostam que o encontro sirva para detalhar a política de cortes de pessoal e gastos, ou mesmo para anunciar novas adequações orçamentárias. Por outro lado, alguns acreditam que Hegseth discutirá a nova estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos, que passará a considerar a defesa do território americano a maior prioridade das Forças Armadas, ao lado da segurança do Hemisfério Ocidental — há anos, a China é considerada o maior risco à segurança nacional do país.
O GLOBO – Edição: Montedo.com

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