Explosivos que seriam usados na guerra da milícia foram entregues ao Exército em 2009 e 2010, diz fabricantel

Explosivos apreendidos pela Polícia Civil são de uso exclusivo das Forças Armadas — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Além do material, polícia recuperou ainda galões de gasolina, que poderiam ser usados para potencializar as explosões

 

Polícia Civil encontra explosivos, armamentos e munições em dois carros em Santa Cruz, no Rio, que seriam usados em guerra da milícia — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Rio – A indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) identificou os lotes de petardos — blocos de TNT prensado — de onde saiu parte do material apreendido pela Polícia Civil em dois carros abandonados em Santa Cruz, na Zona Oeste. Segundo a empresa estatal, os explosivos foram entregues ao Exército Brasileiro em 2010 e 2009. Nesta sexta-feira, eles foram encontrados em veículos abandonados próximos a três escolas e a uma unidade de saúde. De acordo com a polícia, o material pertencia à quadrilha de Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, e seria usado em um golpe contra a milícia rival.

Um dos petardos é identificado pela Imbel como “artefato de uso militar”, produzido para “destruições e demolições”. O TNT prensado é colocado em embalagem plástica ou metálica, e pode ser acionado por espoleta — nome dado ao dispositivo que aciona a bomba — comum ou elétrica.

Esse explosivo encontrado é o MD1, que tem 50 gramas. Seu lote é o L.001/10, enquanto o lote do TNT é o nº. 016/09. Outro explosivo recuperado pela polícia também é um petardo de 50 gramas, de lote nº. MB 05/09.

De acordo com manifesto da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), emitido em 2022, o petardo MD1 é fornecido exclusivamente pela Imbel, por meio da Fábrica Estrela, localizada em Magé, na Baixada Fluminense.

Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) afirma que “não teve acesso ao material apreendido, nem foi formalmente notificado pelas autoridades competentes a respeito do caso”. Ainda segundo o órgão, “até o presente momento não foi identificado desvio ou sumiço do material em questão. O CML reforça que está à disposição para colaborar com as investigações e apurações decorrentes”.

Granadas apreendidas: três são de fabricação artesanal, e outra é de uso militar — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Gasolina poderia potencializar explosões
A apreensão da Polícia Civil tem ainda 11 carregadores diversos de fuzis 762, um revólver 32, uma capa de colete, uma espingarda, coturnos e detonadores, assim como mais de cem munições.

Lago artificial, areia de praia, academia: os ‘oásis de luxo’ usados por Peixão no Complexo de Israel; veja vídeo
Além dos explosivos, foram encontrados também seis galões de gasolina, com 5 litros, cada. Para a polícia, o combustível poderia ser utilizado para fabricação de bombas incendiárias, do tipo coquetel molotov, ou mesmo para potencializar as explosões.

A área em que o material foi encontrado — o João XXIII — é conhecida por ser controlada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, ex-integrante da milícia de Wellington da Silva Braga, o Ecko. O miliciano que controlava a região até então, conhecido como Jacão, foi executado na última segunda-feira, dia 7. A morte teria sido executada por um grupo rival liderado por Paulo David Guimarães Ferraz da Silva, o Naval.

As investigações apontam indícios de que o material apreendido possa pertencer ao grupo de Varão, que tenta expandir seu controle na região após a execução de Jacão.

O GLOBO – Edição: Montedo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *