Aviadores de Tuskegee: os primeiros pilotos negros da Força Aérea dos EUA

Pilotos negros US Air Force

 

Afro-americanos eram considerados despreparados e “covardes” pela cultura racista no início do século XX

André Luiz Dias Gonçalves

A presença de pilotos negros nas Forças Armadas dos Estados Unidos era quase nula antes da Segunda Guerra Mundial, devido às políticas segregadoras da época. Mas um grupo que ficou conhecido como “Aviadores de Tuskegee” fez história ao encarar o preconceito e participar dos combates.

Considerados despreparados e “covardes” em meio à cultura racista das primeiras décadas do século XX, os afro-americanos só tiveram espaço nas Forças Armadas após pressões feitas por organizações de direitos civis. Com a guerra na Europa, o governo deixou que eles treinassem no Corpo Aéreo do Exército.

O grupo incluía mecânicos e outros profissionais. (Fonte: Wikimedia Commons)
O grupo incluía mecânicos e outros profissionais. (Fonte: Wikimedia Commons)

Em janeiro de 1941, o primeiro grupo iniciou o treinamento na cidade de Tuskegee, no Alabama, onde havia um programa para pilotos civis negros. Algum tempo depois nascia o 99º Esquadrão de Perseguição, cujos integrantes estiveram envolvidos em inúmeras missões na Segunda Guerra, no ano seguinte.

O projeto atraiu cerca de 14 mil pessoas negras de todo o país, incluindo algumas mulheres. Estima-se que em torno de mil participantes tenham se tornado pilotos, mas o grupo Aviadores de Tuskegee também tinha navegadores, mecânicos e engenheiros.

Sucesso no campo de batalha

Treinamento dos aviadores em Tunkesgee. (Fonte: MPI/Getty Images)
Treinamento dos aviadores em Tunkesgee. (Fonte: MPI/Getty Images)

Presentes em mais de 15 mil missões individuais durante a guerra, em determinadas ocasiões, os pilotos negros eram obrigados a voar em aviões mais antigos e lentos, e a trabalhar mais que os brancos. Mesmo assim eles se destacaram na luta contra os nazistas.

Diferenciando-se dos demais pela cauda vermelha em seus aviões, os aviadores negros abateram 36 aeronaves alemãs no ar e outras 237 no solo, além de terem destruído cerca de mil vagões e veículos de transporte inimigos. A equipe também ganhou fama na escolta dos bombardeiros americanos.

Alguns integrantes do grupo se destacaram voando em aviões mais bem equipados do que a média do esquadrão, como os coronéis Lee Archer e Roscoe Brown. Já o brigadeiro-general Charles McGee esteve em mais de 100 missões na Segunda Guerra, tendo sido convidado posteriormente para combates na Coreia e no Vietnã.

Fim da discriminação contra militares negros

Os aviadores eram treinados em Tuskegee, no Alabama. (Fonte: Getty Images/Reprodução)
Os Aviadores alinhados em frente a um caça P-51 Mustang, utilizados em combates da Segunda Guerra. (Fonte: Archive Photos/Getty Images)

O sucesso dos Aviadores de Tuskegee na Segunda Guerra Mundial foi primordial para a dessegregação das Forças Armadas dos EUA. Mas isso só aconteceu alguns anos depois do fim do conflito, com muitos deles tendo que usar saídas diferentes dos colegas brancos ao retornar para casa.

No dia 26 de julho de 1948, o então presidente americano, Harry S. Truman, ordenou o fim da discriminação contra militares pela cor, raça, religião ou nacionalidade. Isso permitiu que vários membros do batalhão histórico tivessem carreiras bem-sucedidas, como o coronel Benjamin O. David, que se tornou o primeiro general negro da Força Aérea dos EUA.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para o conteúdo