Exército volta a instalar passadeira que restabelece ligação entre municípios no RS

Passadeira flutuante foi instalada pelo Exército | Foto: Mauro Schaefe

Estrutura garante a ligação entre Lajeado e Arroio do Meio para pedestres

Poti Silveira Campos

Lajeado (RS) – Sob o céu azul da ensolarada quinta-feira, dia 30, o agricultor Nelson Schorr, 67 anos, e a mulher, Ana Lise, 63 anos, decidiram sair de casa em Lajeado, no Vale do Taquari, para assistir uma cena que se tornou rotina sobre as águas do Rio Forqueta, desde que a enchente histórica destruiu as duas pontes que ligavam a cidade à vizinha Arroio do Meio. Em pé, no alto de um barraco, Nelson e Ana Lise contemplavam a fila de pessoas que descia o caminho pedregoso, até a margem do rio, para atravessar, em fila indiana, o curso d’água utilizando a passadeira flutuante instalada pelo Exército Brasileiro.

No local, os militares chegaram a montar duas dessas estruturas, que acabaram sendo retiradas em razão de forte correnteza. Na quarta-feira, dia 29, uma das passadeiras foi remontada por homens do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, de Porto União (SC). Ontem, o Comando da Operação Taquari 2, iniciativa das Forças Armadas em apoio à reconstrução do Vale do Taquari, aguardava a chegada de peças, desde Tubarão (SC), para estabelecer uma segunda passadeira. O próprio chefe da operação, general Marcelo Zucco, se deslocou de Porto Alegre para Lajeado, para acompanhar a ação.

Exército recoloca passadeira em Lajeado Mauro Schaefer

De acordo com o tenente-coronel Diego da Silva Agostini, 44 anos, responsável pela atividade dos 116 militares do Batalhão de Engenharia, as passadeiras chegam a dar conta do fluxo de cerca de 10 mil pessoas nos dias de maior fluxo. A passadeira é uma estreita ponte metálica, montada sobre canoas, que flutuam de um lado ao outro do rio. A que estava em uso nesta quinta-feira é um modelo importado, empregado desde a Segunda Guerra Mundial, mas a que chegará de Santa Catarina é moderna e de fabricação nacional, como explica Agostini. Para cruzar, as pessoas têm de usar colete salva-vidas, colocados por militares posicionados nas duas margens. Em alguns casos, os homens do Batalhão de Engenharia auxiliam a travessia do início ao fim.

“Muito antigamente, as pinguelas balançavam bastante, mas esta aqui é bem firme”, diz Noeli Maria Bruxel, 72 anos, ao chegar às terras de Lajeado, depois de percorrer os 80 metros da passadeira com o apoio de um soldado. Antes de seguir caminho, a aposentada se volta para o Rio Forqueta e relembra: “Meu pai contava da enchente de 41, mas isso aqui é outra coisa. Não tem explicação”, diz, olhando para os destroços da ponte de concreto da rodovia ERS-130, que se erguia sobre o rio, algumas dezenas de metros adiante.

Exército recoloca passadeira em Lajeado Mauro Schaefer

Há poucos dias, a travessia nas passadeiras tinha encerramento às 18h, por falta de iluminação no local. Agora, as prefeituras de Lajeado e de Arroio do Meio instalaram holofotes sobre os barrancos de cada margem, permitindo o funcionamento 24 horas por dia.

CORREIO DO POVO

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