O trabalho dos militares desde o primeiro momento da catástrofe no Rio Grande do Sul

Até hoje, acesso entre os municípios estava sendo feito por barcos ou pela via aérea.
André Ávila / Agência RBS

Exército fazia um exercício de prontidão em Santa Maria quando a chuva caiu como uma parede. A missão real começou imediatamente
Míriam Leitão
No dia 30 de abril, o comandante do Exército, Tomás Paiva, estava em Santa Maria (RS), onde serviu no início da carreira. Ele estava lá por acaso. Havia chegado com o ministro José Múcio no dia 29, para acompanhar um exercício militar na Brigada de Santa Maria. Este específico exercício tem o nome de “Apronto Operacional da Força de Prontidão”. Nele, 1.500 militares simularam a preparação para uma missão iminente. Na ida, quando estavam chegando, caiu um raio no avião. Não houve maiores problemas, mas quando isso acontece a aeronave tem que ser enviada para manutenção e substituída. Logo após o exercício militar, a chuva caiu como se fosse uma parede, descreve quem estava lá. Ficou claro que não era uma chuva normal. O avião que pegaria o ministro e o comandante teve dificuldade de pousar na tarde daquele dia. A missão para a qual as tropas haviam se preparado, em simulação, começaria imediatamente.

— Eu vim para ver esse exercício militar nos dias 29 e 30, mas foi quando iniciou a catástrofe, começou a chover e não parava mais, uma coisa assustadora — me disse ontem o ministro José Múcio, de São Leopoldo.

O Rio Grande do Sul é o centro da tropa blindada do Exército brasileiro e a Brigada de Infantaria de Santa Maria é descrita como o coração dessa força. Os veículos Guarani, de seis rodas, anfíbios, foram colocados em ação. A atuação foi batizada de Operação Taquari 2 e envolveu as três forças. Naquela mesma noite, caíram barreiras e esses carros de combate saíram para o resgate de pessoas que tentavam atravessar as águas.

Quando desabou o aguaceiro, as equipes que foram fazer o religamento de energia ou, em casos de risco, o desligamento da rede elétrica para evitar acidentes, se deslocaram nesses blindados. O anfíbio entrava, parava debaixo do poste e de lá saíam as equipes para manutenção da rede elétrica.

São 11 mil militares do Exército no Rio Grande do Sul, 17.200 somando os das três forças, num total de 33 mil militares, policiais e agentes envolvidos, incluindo os integrantes da Defesa Civil. A tropa de engenharia foi convocada para ajudar na logística. Já foram instalados sete pontos de travessia, e dois estão em operação, de pontes e passadeiras até o tráfego por botes. Tudo que permita às pessoas atravessarem os rios e os grandes alagamentos. As Forças Armadas têm hoje 1.200 viaturas no Rio Grande do Sul, 120 lanchas e botes. Todos os blindados sobre rodas que estavam em pontos diferentes do estado estão sendo usados, cinco hospitais militares de campanha foram instalados — o quinto chegou ontem para a região de Porto Alegre— de um total de onze que o governo tem no estado. Há nove helicópteros em atividade só do Exército, um deles foi levado de Belém. Ao todo, atuam no estado 60 aeronaves. A Marinha levou um navio e tem outro a caminho. A mobilização está em outras partes do país.

Tem ainda a logística de suprimento. Só em Brasília, há 50 soldados destacados para o trabalho de separar donativos. O Exército já mandou três comboios para o Rio Grande do Sul, um do Rio de Janeiro, um de Brasília e um de São Paulo. O volume de doação é tão grande que apenas de Brasília saíram 200 toneladas por via terrestre. De água à ração para animais. Ontem 14 bombas de água seguiram para o Rio Grande do Sul em carretas do Exército.

Os militares chamam de “serviço de Uber” os casos em que a água baixa e as pessoas começam a voltar para casa a pé. Os Guarani saem oferecendo carona para quem está andando, num caminho ainda com água, que pode estar contaminada e em terreno arriscado de caminhar. Perguntei ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, se era grande o esforço, e ele respondeu:

— A dimensão do esforço é proporcional ao tamanho da tragédia provocada pelas águas.

Ontem o general Tomás estava em São Leopoldo, na sexta viagem dele ao estado desde o começo da crise gaúcha. Falei com o ministro José Múcio, mas ele logo encerrou a conversa para ir se encontrar com o governador Eduardo Leite. O que se diz no Exército, quando se pergunta sobre essa mobilização, é que o comando é integrado, unindo civis, militares, agentes governamentais, com rotinas de briefings, sempre às 11h da manhã, para saber o andamento do trabalho. “Não tem protagonismo de ninguém, é um centro de operações em que todos participam”, informou o Centro de Comunicação do Exército.
(Com Ana Carolina Diniz)

O GLOBO

7 respostas

  1. Falta o reconhecimento e dar o reajuste Merecido para os militares. Usar os militares para limpar a imagem do lula é triste. Depois que tudo isso passar vão ser esquecidos.

  2. A Globo ( à pedido De alguém kkk 😁) tentado limpar a imagem do EB … Nao vai conseguir … a péssima imagem das FFAA Com Esses três comandantes bajuladores e esses ministro da defesa zero a esquerda, estará no chão ( pelo Menos até 2026 …)

  3. Só para constar:

    A tropa estava a quase uma semana em santa Maria treinando para esse “aprontou operacional”. Ficamos dentro das viaturas, molhados e com frio após a formatura porque os lords não podiam nos ver daquela maneira deplorável. Nosso Almoço foi as 15/16h porque “alguém” lembrou que ainda estavamos la.

    Teve Cabo/SD que perdeu família, perdeu casa, Eletros, família foi evacuada para abrigos etc. Não negamos a missão, mas quem ajuda a família do militar nessas horas que ele está em missão em prol de outras pessoas? Essa guerra de imagem o EB só perde.

    1. Complicado a situação por você relatada. Ao mesmo que fico feliz com a atuação do Exército, também me entristece ver o quanto estes amadores oportunistas se aproveitam da tragédia e do trabalho alheios para Pintar uma imagem de grandes Líderes. Estes indivíduos podem até viajar para os locais afetados por estarem preocupados com a Operação e com as pessoas Atingidas, mas também não abrem mão de suas regalias e suas gordas diárias e mais atrapalham do que ajudam, pois sempre tem que destacar tropa para segurança, para balizamento e para uma infinidade de missões rolhas.

  4. PS: na imagem tem gente trabalhando enquanto tem capitão fazendo videozinho para o Instagram com seu coturno brigando e as roupas secas.

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