‘Cidade’ flutuante: Conheça o USS George Washington, o superporta-aviões dos EUA com propulsão nuclear que está no Rio

USS George Washington em sua última visita ao Brasil, em 2015 — Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo

 

Navio tem capacidade para 5 mil tripulantes e 90 aviões e helicópteros; a caminho de sua base no Japão, ele participa de operações conjuntas com marinhas da América do Sul e Caribe Thayz Guimarães

Em funcionamento desde 1992, o USS George Washington foi o primeiro porta-aviões com propulsão nuclear americano permanentemente estacionado fora do território continental dos EUA a partir de 2008. Em 2017, ele regressou para Norfolk, no estado da Virgínia, onde passou por processos de reabastecimento e revisão de meia-vida que, em meio a limitações orçamentárias e atrasos dos mais diversos tipos — incluindo a pandemia de Covid-19 —, só foram concluídos em maio de 2023, a um custo estimado de mais de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,3 bilhões).

Popularmente conhecido como GW, o USS George Washington mede 330 metros de comprimento por 78 metros de largura (40,8 metros na linha d’água) e desloca cerca de 110 mil toneladas no mar. Da quilha até o topo do mastro, são 74 metros de altura, o equivalente a um prédio de aproximadamente 24 andares. Seu interior comporta dez pisos acima do convés e outros dez abaixo, interligados por mais de 50 escadas. Além disso, tem capacidade para receber uma tripulação de cerca de 5 mil militares — o equivalente à população inteira de uma pequena cidade. Atualmente, estão embarcados 4,9 mil tripulantes, sendo mais de 3 mil alistados na companhia de navios e 1.450 na ala aérea, além de 250 oficiais da ala aérea e 200 da companhia de navios.

O super porta-aviões americano ainda possui dois reatores nucleares, que geram energia para alimentar as quatro hélices que movimentam o navio, bem como o restante da embarcação, incluindo os elevadores (que levam as aeronaves do hangar para o convés em apenas oito segundos), as catapultas para lançamento dos caças (que atingem uma velocidade de quase 2.000 km/h em instantes) e os cabos de retenção (responsáveis por frear as aeronaves no pouso). Sua ala aérea de bordo é composta por cerca de 90 aviões e helicópteros divididos em nove esquadrões — as aeronaves são as principais armas dos porta-aviões, servindo também para defesa da força-tarefa.

Porta-aviões são geralmente os maiores — e mais caros — navios operados pelas Marinhas de Guerra. Sua principal função é apoiar e operar aeronaves que realizam ataques a alvos aéreos, flutuantes e em terra durante operações de projeção de poder sustentado, servindo como uma espécie de pista de pouso e decolagem capaz de se deslocar rapidamente pelo mar, dispensando assim aeroportos ou instalações convencionais.

A última vez que o George Washington esteve no Brasil foi em 2015, durante a operação Unitas, o mais antigo exercício marítimo multinacional organizado pelos EUA. Na ocasião, que marcou a viagem do navio de Yokosuka para Norfolk, militares brasileiros e americanos realizaram treinamentos conjuntos, incluindo simulações de combate aéreo entre caças da Força Aérea Brasileira e da Marinha americana.

Agora, estão previstos exercícios de passagem e operações no mar com as forças marítimas de nações parceiras, que acontecerão ao longo da circunavegação do continente sul-americano. Além do Brasil, a companhia de navios do George Washington — que inclui submarinos, destróieres e navios de reabastecimento — participará de compromissos com Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai, com visitas a portos planejadas para as cidades de Rio de Janeiro, Valparaíso e El Callao.

O GLOBO assistiu com exclusividade aos exercícios conjuntos entre a companhia de navios do USS George Washington e a Marinha do Brasil no último domingo (19/5). Os movimentos foram realizados entre os litorais de Rio de Janeiro e Espírito Santo, próximo à cidade de Cabo Frio, distante 100 km em linha reta da Base Aérea do Aeroporto Santos Dumont — uma viagem de cerca de uma hora a bordo de um helicóptero militar americano com tempo nublado (veja vídeo abaixo).

A Marinha do Brasil empregou na operação as fragatas Independência e União, além das aeronaves UH-15/AH-15B “Super Cougar”, AH-11B “Wild Lynx” e AF-1 “Skyhawk”. Pelo lado dos EUA, estavam envolvidos o porta-aviões USS George Washington, o destróier USS Porter da classe “Arleigh Burke”, o navio de apoio logístico USNS John Lenthall, e o navio da Guarda Costeira USCGC James, além do caça F/A-18E/F “Super Hornet”; jatos de ataque eletrônico EA-18G Growler; caças furtivos F-35C “Lightning II”; helicópteros de guerra antisubmarino MH-60 “Seahawk”; e aviões de radar E-2 Hawkeye.

O USS George Washington é o sexto porta-aviões da classe Nimitz — constituída por dez supernavios desse tipo, movidos a energia nuclear, a serviço da Marinha americana — e o terceiro nomeado em homenagem ao primeiro presidente dos EUA. Ele está sob o comando da 4ª Frota Naval, que por sua vez responde ao Comando Sul dos EUA, cuja área de atuação abrange Caribe, América Central e do Sul.

Vista da torre de comando do USS George Washington. Foto: Hermes de Paula

Novidade para o Southern Seas 2024, uma equipe internacional embarcada de aproximadamente 25 oficiais de 13 nações parceiras, incluindo o Brasil, está servindo a bordo do USS George Washington. Segundo a Marinha americana, o objetivo é que recebam instruções de professores da Escola de Guerra Naval dos EUA, enquanto trabalham juntamente com pessoal embarcado para conduzir um planejamento operacional detalhado em apoio às operações no mar.

A aeronave de patrulha Hawkeye pousa no porta-aviões USS George Washington durante operação no litoral fluminense.. Foto: Hermes de Paula
Caça da Marinha dos EUA pousa no porta-aviões USS George Washington durante operação no litoral fluminense. Foto: Hermes de Paula

Cerca de dez oficiais brasileiros estão a bordo do USS George Washington, entre eles o comandante Emanuel Ramos Ferreira e o capitão de corveta Rodrigo Silva, ambos do Estado-Maior. Eles embarcaram em 29 de abril na Estação Naval de Mayport, na Flórida, e seguirão viagem com a tripulação até El Callao, no Peru, onde o desembarque está previsto para 21 de junho.

Oficiais da Marinha do Brasil observam exercícios no USS George Washington. Foto: Hermes de Paula

A operação Southern Seas visa aprimorar a capacidade, melhorar a interoperabilidade e fortalecer parcerias marítimas com países em toda a área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA.

O GLOBO – Edição: Montedo.com

3 respostas

  1. Propulsao nuclear. Desde a decada de 80 a Marinha do Brasil trabalha para conseguir essa tecnologia e nada. Teve ate Almirante preso. Por ai vai.

    1. Nunca. O brasil é uma grande máquina de transferir dinheiro pra político e demais amigos que estão no poder. nunca algo vai ser feito em benefício do povo ou da segurança. só ver a ineficiência das forças armadas na ajuda ao rio grande do sul. tudo é sucateado, menos as contas na suiça…

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