Almoço no Comando do Exército pôs fim a audiências públicas e PEC dos militares deve ir à votação no Senado

PEC DOS MILITARES

 

Despolitização dos quartéis continua a representar um desafio

O que era para ser uma audiência pública no Senado para debater a proposta de emenda à Constituição (PEC) que impede a participação de militares da ativa nas eleições se converteu em um almoço na quarta-feira (24) no Comando do Exército em Brasília.

À mesa estava o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, acompanhado dos comandantes das Forças Armadas, general Tomás Ribeiro Paiva (Exército), almirante Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica), do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), dos ex-ministros da defesa, Nelson Jobim e Raul Jungmann, e do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva e principal opositor da matéria no Senado. O encontro foi o motivo do cancelamento da audiência pública prevista para o dia seguinte (25).

No encontro, segundo apurou o Valor, os presentes tentaram encontrar um ponto de convergência com Mourão e assim viabilizar um acordo em torno da proposta. Principal articulador contrário à proposta, Mourão disse que há poucos militares na política e não vê motivos para a PEC que, segundo ele, transforma os oficiais em “cidadãos de segunda classe”. O argumento foi rebatido pelo ex-ministro Nelson Jobim, que listou países como França, Inglaterra, Estados Unidos e Uruguai, onde militares da ativa não podem se candidatar.

Com as posições bem definidas em relação à proposta, os presentes chegaram a um consenso de que não seriam mais necessárias as sessões temáticas para debater a PEC. “Só haveria bate-boca e não construiria coisa nenhuma”, disse ao Valor uma fonte presente ao encontro. Com isso, a matéria deve ir à votação sem a realização das audiências públicas.

No almoço, Mourão ponderou que a proposta pode até avançar no Senado, mas encontrará forte resistência na Câmara dos Deputados. O motivo, segundo o senador, é um temor por parte das Polícias Militares (PMs) de que a aprovação da PEC resulte em uma proposta parecida para impedir a participação de integrantes da corporação nas eleições. Segundo o Valor apurou, há uma avaliação dentro do meio militar de que a politização nas PMs é ainda maior do que nas Forças Armadas.

A PEC foi construída por Múcio como uma reação ao aumento de militares da ativa na política no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Múcio já externou a aliados a mesma visão de Mourão de que a grande barreira para aprovar a proposta está na Câmara. Apesar disso, o ministro enxerga como principal objetivo de sua gestão a despolitização das Forças Armadas.

VALOR

7 respostas

  1. Sempre assim…

    Em um almoço regado a vinhos importados decide o destino dos Praças!!!

    Claro que vai respingar nas PMs e também nas PC, PF e PRF!!! Não poderia ser diferente!!!

    Agora….além de sermos privados de vários direitos trabalhistas (greve, insalubridade…) agora teremos restrições políticas!!

    O mínimo que deveríamos ter seria uma contrapartida financeira e das grandes… mas óbvio que para FFAA só ficam as coisas ruins…

    Obrigado painho por defender o “Chão De Fábrica”!!

    Mas a culpa é do bozo….dizem os Passadores De Pano…

    Tá….eu sei….aham….

    1. Essa PEC não faz diferença, a maioria fos candidatos que tem alguma chance de ser eleito já está na reserva, tudo isso é perda de tempo

  2. “O que era para ser uma audiência pública no Senado para debater a proposta de emenda à Constituição (PEC) que impede a participação de militares da ativa nas eleições se converteu em um almoço na quarta-feira (24) no Comando do Exército em Brasília.
    À mesa estava o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, acompanhado dos comandantes das Forças Armadas, general Tomás Ribeiro Paiva (Exército), almirante Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica), do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), dos ex-ministros da defesa, Nelson Jobim e Raul Jungmann, e do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva e principal opositor da matéria no Senado. O encontro foi o motivo do cancelamento da audiência pública prevista para o dia seguinte (25).”
    Isso sim É DESPOLITIZAR AS FFAA.
    A palavra convence e o exemplo arrasta.

  3. Os militares da ativa participantes do governo Bolsonaro eram todos dos estamentos superiores, em cargos de confiança. Isso a pec não vai barrar. Ou seja, é só pra prejudicar o pracinha mesmo.

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