‘Politização das Forças Armadas é maior ameaça à democracia’, diz Barroso

(crédito: Carlos Moura/SCO/STF - 29/5/19)

“Nós ficamos por um triz do impensável”, afirmou Barroso em Harvard

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse, neste sábado, 6, durante participação na Brazil Conference, organizada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que a ‘politização das Forças Armadas é a maior ameaça à democracia’ na América Latina, citando exemplos em que militares foram cooptados por líderes políticos em planos autoritários em países do continente.

Ao falar sobre a situação do Brasil, Barroso lembrou de diversos acontecimentos recentes de ataques antidemocráticos, principalmente durante o governo de Jair Bolsonaro, e reiterou que “as instituições venceram”, mas que “nós ficamos por um triz do impensável”.

“Tivemos repetidas acusações de fraude eleitoral não comprovadas, tivemos a politização das Forças Armadas, o que, na América Latina, é a maior ameaça possível para a democracia. Tivemos o não reconhecimento do resultado eleitoral, tivemos um incentivo aos acampamentos na porta dos quartéis, tivemos desfile de tanques na Praça dos Três Poderes no dia de uma votação importante [sobre o voto impresso], tivemos ataques ao Supremo, ataques à imprensa e depois tivemos o 8 de Janeiro. Felizmente as instituições venceram no Brasil, mas nós ficamos por um triz, chegamos muito perto do impensável no Brasil”, salientou o ministro.

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Voto impresso
O magistrado também falou sobre a tentativa de voltar com o voto impresso nas eleições brasileiras, o que ele classificou como “o caminho da fraude” e lembrou que se “empenhou muito para impedir que voltasse o voto impresso” por entender que ali estava o “germe do golpe.

“Nós tivemos a tentativa de volta ao voto impresso. O voto impresso sempre foi o caminho da fraude no Brasil, desde o início da República. Eu me empenhei muito pessoalmente para impedir que se voltasse ao voto impresso no Brasil porque sempre tive o pressentimento que ali estava o germe do golpe. Se os extremistas tiveram a capacidade de invadir o Supremo, o Palácio do Planalto e o congresso, imaginem o que não fariam nas seções eleitorais em que imaginassem que fossem perder se nós tivessemos contagem pública manual dos votos, que era a proposta”, ponderou o presidente do STF.

Barroso abriu um dos painéis do evento na universidade norte-americana ao lado de Steven Levistky. Ele falou sobre “Democracia e Justiça no mundo contemporâneo”.

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3 respostas

  1. Esse Ministro é interessante, acredito que o STF não esteja com a pauta cheia de processos a julgar, ou que eles ganham para trabalhar em home office ou finalmente que os assessores Redijam os votos que eles devam dar nos processos. O negócio deles e se manifestar fora dos autos sobre os processos em que vão decidir demonstrando de que lado já estão sobre o tema e fazer ativismo judicial onde quer que vá. Desde quando Ministro do STF tem que se empenhar em alguma coisa decidida pelo Congresso Nacional, na verdade vivemos tempos estranhos.

  2. Gostaria de contemplar esses mesmos esforços da nossa mais alta corte era no combate aos desvios de recursos públicos e providências em relação às disparidades remuneratórias que assola os profissionais da educação, segurança pública e saúde. Se os 3 poderes envidassem esforços no sentido de reverter a situação precária pela qual essas categorias passam, ai sim, teríamos um país com a democracia consolidada, sólido crescimento e rumo ao desenvolvimento que a nação necessita!

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