Zanin vota contra tese do ‘poder moderador’ das Forças Armadas: ‘Descabido’

Decisão monocrática foi de Cristiano Zanin

 

Placar da votação está sete a zero

Pedro Vilas Boas e Uesley Durães

Do UOL, em São Paulo
O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), seguiu os colegas de Corte e votou, nesta terça-feira (2), contra a tese do suposto “poder moderador” das Forças Armadas. Agora, o placar está sete a zero.

O que aconteceu
Zanin ressaltou que o poder moderador estava previsto na Constituição de 1824. “Assim, o ‘Poder Moderador’ não mais existe. Portanto, não há espaço para interpretação do texto constitucional que outorgue às Forças Armadas a titularidade do ‘Poder Moderador’, que arbitraria supostos conflitos entre os outros três Poderes”.

O ministro também definiu como “descabido” cogitar que as Forças Armadas estão acima dos demais Poderes. “Uma vez que estão subordinadas ao Chefe do Poder Executivo e devem atuar em defesa dos Poderes constitucionais – afastando-se de qualquer iniciativa de índole autoritária ou incompatível com a Lei Maior [Constituição]”.

Além de acompanhar o relator, ministro Luiz Fux, Cristiano Zanin também concordou com ressalva feita pelo ministro Flávio Dino. Ele pediu que a íntegra da decisão seja encaminhada ao Ministério da Defesa. “O esclarecimento do sentido do texto constitucional elucida a população em geral e os militares em particular, combate a desinformação propalada e evita a erosão das instituições democráticas”.

Votação
Votaram contra a tese do poder moderador: Luiz Fux, Luiz Roberto Barroso, Flávio Dino, Edson Fachin, André Mendonça, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O julgamento segue no plenário virtual até o dia 8 de abril. Quatro ministros ainda precisam apresentar voto.

Relator da ação, Fux votou na sexta-feira (29) e disse que a Constituição não permite que o presidente recorra às Forças Armadas para se opor ao Congresso e o Supremo. O ministro argumentou ainda não ser atribuição dos militares mediar possíveis conflitos entre os Poderes. Barroso, Fachin e Mendonça acompanharam integralmente o voto.

Terceiro a votar contra o poder moderador dos militares, Flávio Dino afirmou “a função militar é subalterna”. Ele disse ainda ser uma oportunidade do STF frisar os conceitos “que consagram a democracia como um valor indeclinável”. O ministro também defendeu que a íntegra da decisão seja enviada ao Ministério da Defesa.

Gilmar Mendes escreveu que é necessário ressaltar o óbvio. “Diante de tudo o que temos observado nesses últimos anos, todavia, faz-se necessária a intervenção do Supremo Tribunal Federal para reafirmar o que deveria ser óbvio: o silogismo de que a nossa Constituição não admite soluções de força”.

O magistrado concordou com Dino sobre o envio da decisão ao ministro da Defesa, José Múcio. “A fim de que – pelos meios cabíveis – haja a difusão para todas as organizações militares, inclusive Escolas de formação, aperfeiçoamento e similares”.

Entenda a ação em julgamento
O julgamento acontece no âmbito de uma ação apresentada pelo PDT para que o uso das Forças Armadas seja limitado a três situações específicas: intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. Com isso, as Forças Armadas ficariam limitadas a defesa da pátria, garantia dos poderes constitucionais e garantia da lei e da ordem (GLO). Com subordinação a qualquer um dos três Poderes.

A ação também questiona a Lei Complementar 97/1999, que regulamenta o uso das Forças Armadas. O partido defende que o presidente da República não tem poder absoluto para decidir como usá-las.

A sigla argumenta que a Constituição Federal não permite que as Forças Armadas sejam usadas para moderar conflitos entre os poderes. A partir disso, conter um poder que esteja extrapolando suas funções.

UOL

Respostas de 12

    1. Os universitários talvez, defensores de mais verbas para as universidades publicas, muitos defensores da maconha e do aborto depois que estão adultos, abortos aqui e mais filhos na China, precisam interpretar segundo suas convicções. Interpretação é assim, conforme os interesses de cada um. Por isso os contratos são feitos em letras minúsculas como aqueles rótulos de enlatados.

  1. O pessoal fala que o Lula é ladrão? Porque não vai lá e denuncia e prove isso ou está indo na falácia dos outros???! Pois o último que chamou o Lula de ladrão foi condenado em 30 mil chorou e recorreu e mantiverem a multa isso por não poder provar. Fique fazendo arminha em breve o ex presidente Jair Messias Bolsonaro o falso Messias, espalhador de fakes, destruidor de famílias espalhando o ódio e pior de tudo usa Deus em vão. O pai da mentira o diabo 😈 em pessoa Jair Messias Bolsonaro.

    1. Estão indo na falácia das reportagens da época do mensalão, do petrolão, da lava jato; nas falacias de 300 depoimentos na lava jato que denunciaram pagamentos de propinas através de empreiteiras com os codinomes dos beneficiados e, o pior, estão indo nas falácias dos tribunais superiores que julgaram e condenaram o inocente a 12 anos de prisão. O melhor de tudo é acusar o outro daquilo que vc faz.

    2. Teve sorte de o dono do Blog não cancelar a sua opinião (sobre o Lula). Toda vez que eu falava algo parecido, não publicava.

      1. Não Vou Discutir Se O Sujeito É Bom, Ou Ruim, Contigo. Estou Falando De Respeito A Uma Opinião Divergente, Nada Mais.

        Não Vejo Problema, Por Exemplo, A Sua Ironia. O Que Eu Acho Chato É A Negação, A Arbitrariedade De Bloquear Alguém Que Só Discorda Que, Em Nenhum Momento, Foi Mal-Educado.

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