SP: Tarcísio quer criar escolas cívico-militares em regiões mais pobres

PECIM

Governo paulista planeja implementar a partir do segundo semestre um programa que vai fomentar a conversão de escolas estaduais em cívico-militares

CARLOS PETROCILO

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) planeja implementar a partir do segundo semestre um programa que vai fomentar a conversão de escolas estaduais em cívico-militares no ensino fundamental e médio em São Paulo.

O projeto de lei com as diretrizes do programa está em discussão entre a Secretaria da Educação do Estado e assessores de Tarcísio. Na sequência, o texto deverá ser enviado à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), onde a base do governador já está mobilizada para aprová-lo até o meio do ano.

“Essa é uma promessa do governador, uma bandeira nossa e do presidente da Casa [André do Prado, PL]. O texto não veio no ano passado porque não teve tempo hábil, com a [proposta de privatização] Sabesp”, disse o deputado estadual Lucas Bove (PL), vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesp.

A princípio, a escola cívico-militar deverá ser implementada em unidades com baixo desempenho na avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e situadas em regiões tidas como socialmente vulneráveis.

A proposta também prevê a contratação e a remuneração de policiais militares e agentes do Corpo de Bombeiros, aposentados, para funções administrativas e de vigilância no pátio escolar.

“Os militares não irão ministrar aulas nem interferir no dia a dia do aluno. Todo o conteúdo seguirá as diretrizes pedagógicas, e a escola terá professores convencionais”, afirma Bove.

Caberá a eles, por exemplo, monitorar e disciplinar o comportamento dos alunos no ambiente escolar, além de hastear a bandeira durante a execução do Hino Nacional.

“Vestimenta, cabelo cortado e, para as mulheres, amarrados são padrão na escola cívico-militar. A formação de fila pela manhã será feita por um líder da turma escolhido semanalmente de acordo com a meritocracia”, afirma Bove.

Alguns pontos do projeto de lei ainda estão em fase de discussão entre Secretaria da Educação, Casa Civil e deputados da base governista. Uma das propostas é criar raio de distância máximo entre uma escola cívico-militar e outra tradicional, para que pais e responsáveis possam escolher onde matricular o aluno.

Cidades com população menor não deverão ser enquadradas no programa. Hoje, a discussão se limita a cidades com mais de 10 mil habitantes.

Instituições em áreas de indígenas e quilombolas não deverão ser contempladas.

A deputada Professora Bebel (PT), que preside a Comissão de Educação e Cultura da Alesp, faz críticas ao modelo. Para ela, a escola cívico-militar é invasiva aos alunos e vai na contramão do que determina a Constituição.

“A lei de diretrizes [LDB] é clara, é preciso ter uma formação básica sólida. Portanto, essa é uma pauta de costume e que atende ao ex-presidente [Jair Bolsonaro, PL]. A escola cívico-militar custará muito caro, receberá todo o foco, enquanto há outras necessidades na educação”, afirma Bebel, que também preside o sindicato dos professores da rede estadual.

As escolas cívico-militares foi uma das bandeiras no governo de Bolsonaro. A gestão Lula (PT) iniciou o processo de extinção do programa federal de fomento ao modelo.

De acordo com estudo feito pelo MEC para embasar a decisão de Lula, o país mantinha o funcionamento de 202 unidades pelo país, com 120 mil alunos de ensino fundamental e médio.

A maior parte dessas escolas (120) direcionava recursos para pagamento de militares, o que gerou um gasto de R$ 98 milhões de 2020 a 2022. Até o fim de 2022, 1.500 militares estavam inseridos na iniciativa.

No mesmo dia em que o governo Lula divulgou a extinção do programa das escolas cívico-militares, em em julho de 2023, Tarcísio anunciou que pretendia ampliar o programa no estado de São Paulo.

O estado tem, hoje, uma escola estadual que funciona no modelo cívico-militar, a Marechal do Ar Eduardo Gomes, em Guarujá.Além da gestão Tarcísio, os governos do Distrito Federal e do Paraná também anunciaram a manutenção do programa.

FOLHA – Edição: Montedo.com

17 respostas

    1. Tarcísio é defensor do chamado Estado Policialesco, típico do fascismo, nazismo, stalinismo, etc etc.
      Não tem muito a oferecer. Estragou a carreira ao apoiar o bozo. Daí a importância da leitura e conhecimento.

      1. Nunca vi alguém estragar a carreira sendo a maior autoridade do estado mais rico do Brasil, pois se São Paulo fosse um pais seria um dos maiores fa America do Sul. Grande estragada de carreira. Tem gente sem nocão fã do Lule, e não consegue enxergar um palmo a sua frente. Ridículo!!!

    1. As pessoas nem sabem distinguir comunismo de socialismo, quanto mais definir comunismo sem ao menos saber onde surgiu e como era primitivamente. Povo só sabe ecoar palavras, nisso até o papagaio faz.

      1. O que menos importa é a diferença entre socialismo e comunismo, afinal o que todo comunista quer mesmo é o socialismo, a ditadura do proletariado. os agentes do movimento comunista, dentre os quais estão os membros do governo, não estão nem aí pra essas filigranas.

  1. Sem agenda positiva, levantaram a bandeira da Escola militarizada.

    Mourão quer PL para dar indulto para Golpistas…

    Estão todos juntos para desgraça deste país.

  2. Ótimo local para doutrinar. Logo onde falta tudo é maos Fácil para doutrinar mentes. Escola integral profissionalizante já. Darci Ribeiro que teve um ideia genial, deixada de lado pelos governantes.

  3. É cada coisa, o cara tem o projeto dele, é governador do maior Estado da Federação e vai otimizar o que pensa, quem discorda basta não matricular o filho, se todos fizerem assim o projeto fracassa, caso contrário prospera, simples assim.

  4. Esse daí sofreu alguma sequela, colocar escola cívico militar dentro de uma favela, agora me questiono: quem vai querer ser candidato a isso? E tem mais, uma política melhor do que essa, como um comentarista já falou (policianesca), seria escola em tempo integral, também já falado, onde a criança. adolescente ou jovem entrem e tenha todas as refeições, saindo logo após seus pais voltarem ao trabalho e não ficando ociosos a mercê da marginalidade. Isso sim daria frutos, agora dominação “cívica”, não cola.

  5. Seria uma boa uma escola em tempo integral. Temos condições para isso? Sim! Mas os políticos não querem uma sociedade que pensa, que estuda, que evolui. Eles querem o brasileiro do jeito que tá: Futebol, cachaça e putaria.

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