Quem era o interlocutor de Braga Netto junto ao alto comando do Exército para o plano golpista

Militar Ailton Barros intitula-se "01 do Bolsonaro no Rio de Janeiro" nas suas redes sociais

Há uma estranha proximidade entre o ex-major expulso do Exército e o alto comando das Forças Armadas

RODRIGO LOPES

O nome do ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros aparece com destaque na trama golpista investigada pela Polícia Federal (PF), segundo relatório que embasou a Operação Tempus Veritatis. Preso junto com o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, em maio do ano passado, o gaúcho de Alegrete seria, segundo os policiais, uma espécie de interlocutor do então chefe da Casa Civil Walter Braga Netto junto ao então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes.

Os diálogos eram frequentes entre os dois, segundo o relatório da PF. Em um deles, Braga Netto encaminhou a Barros uma mensagem que teria recebido de um militar de forças especiais do Exército: “Meu amigo, infelizmente tenho que dizer que a culpa pelo que está acontecendo e acontecerá é do gen. Freire Gomes. Omissão e indecisão não cabem a um combatente”. Em resposta, Barros sugere continuar a pressionar o comandante do Exército e, caso ele insistisse em não aderir à ideia do golpe de Estado, passariam a um plano B: “Vamos oferecer a cabeça dele aos leões”. Ao que Braga Netto teria assentido: “Oferece a cabeça dele. Cagão”. É também em conversa com Barros que o então chefe da Casa Civil orienta atacar o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, comandante da Aeronática, a quem chama de “traidor da pátria”.

Há uma estranha proximidade entre o ex-major, expulso do Exército, e o alto comando das Forças Armadas. Barros, hoje com 62 anos, já havia aparecido em diálogos interceptados pela PF por ocasião de sua prisão, em maio de 2023, por envolvimento no esquema de fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro. A Operação Venire encontrou diálogos entre ele e Mauro Cid sobre “tratativas para execução de golpe de Estado”. À época, a pressão sobre o então comandante do Exército já aparecia nas mensagens como método para pôr em prática a ação: “Continuar pressionando o general Freire Gomes para fazer um pronunciamento se posicionando em defesa do povo brasileiro, mas dentro das quatro linhas da Constituição”. Também à época apareceu um diálogo em que Barros refere-se à prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Embora bem menos conhecido na imprensa do que Mauro Cid, Barros, sem cargo no governo federal, era uma figura frequente no Palácio do Planalto durante a gestão Bolsonaro. Nascido em Alegrete em 1961, mudara-se para o Rio de Janeiro ainda na infância em razão da profissão do pai, cabo do Exército. Formou-se oficial na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e era paraquedista da Artilharia, como Bolsonaro e Cid. Em 2006, teria se envolvido em uma negociação com traficantes cariocas pela devolução de fuzis roubados de um quartel. Em 2006, foi expulso do Exército em decisão unânime dos ministros do Superior Tribunal Militar (STM). Tinha uma longa ficha de transgressões na Força, entre elas tentativa de abuso sexual de uma civil em acampamento militar, de mentir em depoimentos e humilhar militares de patentes inferiores. Em uma das decisões, os juízes escreveram: “Considerado incapaz de permanecer no serviço ativo do Exército sob argumento de que tem reiterada conduta irregular de atos que afetam o pundonor militar e o decoro da classe”.

Antes de ser expulso do Exército, o capitão foi promovido por antiguidade a major. Ele estudou Direito e passou a advogar na área criminal. Também tentou vários cargos públicos. Concorreu a deputado federal pelo PFL do Rio, em 2006 e, em 2020, tentou eleger-se vereador da capital fluminense pelo PRTB. Não conseguiu. Em 2022, identificando-se como “01 do Bolsonaro” em campanha para a Assembleia Legislativa do Rio recebeu 7 mil votos, ficando de suplente pelo PL.

GZH – Edição: Montedo.com

7 respostas

  1. Bandido ailton. Como esse homem se formou na academia militar?
    Um marginal cheio de condenacoes, expulso e indigno ao oficialato.
    Que coisa insólita.
    E como continuava circulando nos quartéis o civil ailton?
    😨

  2. As praças não foram recebidas pelo traíra, quando da aprovação da lei 13.954, mas o hiper patriota Ailton tinha trânsito livre naquele governo. Xandão não terá misericórdia.

  3. “Os que trataram praças de forma vil”… Meu amigo, eu quero ver é o que a esquerda irá fazer com vcs, mas e muito inocente mesmo, vcs não né, nós, já que me incluo nessa, pena que sou da ativa, mas logo logo irei embora com a graça de Jesus, das FFAA não espero nada, já tenho minha segunda renda, e segundo informes que já sei, uma naba voadora cantou por aí, militares serão jogados no INSS, não haverá aumento e quem não tiver contente peça pra ir embora, a única verdade que a esquerda tem e eu concordo, militar não faz nada de útil pra sociedade, só pra nós mesmos, muita verba pública pra nada.

    1. “segundo informes” para de mentir minion…..q saco…. Micto tinha a faca e o queijo com a maioria no senado e na câmara e não fez nada….milico nunca mais…vai tomar sua cloroquina!

  4. A culpa da gente ta na merda e nossa mesmo como militares ingenuos que somos ainda acreditando em oficiais “salvadores da pátria” como foi o caso do ex-capitão “Ladrãozinho” ganancioso, o seu Jair da casa 58 e “informes” desses puxa-saco baba ovo de generais golpistas. E o Aumento senhores!?

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