Concertina instalada pelo Exército em local tombado como patrimônio histórico gera polêmica no Ceará

Arame no muro do Passeio Público. (Foto: Yuri Allen)

Passeio Público de Fortaleza: cerca de arame colocada pelo Exército não foi autorizada pelo Iphan
LARA VIEIRA

Arame no muro do Passeio Público. (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo) 

Fortaleza – Na Praça dos Mártires, mais conhecida como Passeio Público e um ponto histórico icônico no Centro de Fortaleza, uma instalação chama atenção por destoar do restante do cenário. Da lateral de onde se pode ter a visão parcial da Praia da Leste, o muro que faz divisa com a área do Comando da 10ª Região Militar recebeu a instalação de arames de concertina. Considerado um patrimônio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a proteção perimetral agride a caracterização original da praça.

Sendo a mais antiga praça da Cidade, datada de 1864, o Passeio Público já recebeu diversos nomes: Campo da Pólvora, Largo de Fortaleza, Largo do Paiol, Largo do Hospital da Caridade, Praça da Misericórdia e, a partir de 1879, Praça dos Mártires. O último faz referência a um episódio ocorrido em 1824, quando líderes da Confederação do Equador, como o padre Mororó e Pessoa Anta, foram fuzilados no local.

Arame no muro do Passeio Público. (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo) 

Na metade desse século, o presidente da então província, Fausto Augusto de Aguiar, escreveu um relatório sobre a necessidade do ajardinamento da Praça dos Mártires, a fim de torná-la um “belo passeio público”. Em 13 de abril de 1965, o local foi tombado pelo Iphan. Além da bela vista para o mar, a praça atualmente possui como atrativos naturais diversas árvores centenárias, como o famoso baobá plantado por Senador Pompeu em 1910, e um restaurante.

Foi nesse estabelecimento onde, na última sexta-feira, 19, o jornalista cearense Eliézer Rodrigues parou para almoçar e se intrigou com os espirais de arame no muro. “Ué, o Passeio Público é tombado e essa cerca, montada pela 10ª Região Militar, agride a autonomia da caracterização original de um bem artístico”, publicou o escritor, em suas redes sociais.

Na manhã de terça-feira, 23, a equipe do O POVO foi até o local verificar a instalação. Na ocasião, foi possível notar os cerca de 40 metros de arame sobre o muro, ao lado direito do equipamento público. No decorrer de sua extensão, contudo, o muro da Praça é reduzido de altura para dar destaque a estrutura de grade de ferro ornamental.

Dessa forma, o arame posto pela organização militar não continua na área do Passeio, mas se inclina para o Comanda da 10ª RM, dependência vizinha. Vale ressaltar que, a concertina posta nas dependências da Praça apresenta condições de desgaste e, em diversos pontos, é possível perceber deformidades e ferrugem.

Sobre a cerca de concertina, o Iphan se reservou em informar que “a instalação no gradil do Passeio Público, bem tombado, não teve a aprovação prévia do Instituto”, disse em nota. Segundo o órgão, uma equipe de atuação no Estado “realizará vistoria no local para avaliar o impacto da mesma”.

O Comando da 10ª Região Militar, por sua vez, também foi contatado para prestar esclarecimentos sobre quando a concertina foi instalada, bem como as providências a serem tomadas quanto a irregularidade. A matéria será atualizada caso a organização se manifeste.

Fontes: Iphan e Mapa Cultural do Ceará

O POVO

6 respostas

  1. Também acho desnecessário, já que tem sentinelas armas e preparados para revidar.
    Kkkkkkkkk homi que desmoralização é essa, coloquem dois cachorros pastor alemão, já que não sabem atirar.

  2. Engraçado é esse repórter ser o juiz do caso, ou então a praça conversa com ele, sendo que ele afirma que a concertina “agride” a praça… Com certeza essa praça deve ser trans e por isso se ofende tão fácil assim… Quem conhece essa praça sabe que o problema ali não é a Concertina… engraçado ainda é dizer que o repórter estava ali almoçando quando percebeu a cerca… Quem conhece essa praça sabe que ali em volta não tem como almoçar por causa do mal cheiro de fezes da praça, além de ser cercada Por trombadinhas, mendigos, usuários de droga e prostituição. E a praia abaixo ninguém frequenta a não ser os integrantes da facção que domina o local… E se não fosse o EB essa praça já teria acabado… Se esse “jornalista” estivesse realmente preocupado com a parça ele estaria cuidando dos problemas reais da praça e não lacrando nas redes sociais.

  3. Gostaria muito que aqui se transformasse em um sistema “comunista”, como a Russia, a China e Outros por aí. Esses Citados, e idolatrados pela esquerda do Brasil, valorizam seus militares.

  4. “Sobre a cerca de concertina, o Iphan se reservou em informar que “a instalação no gradil do Passeio Público, bem tombado, não teve a aprovação prévia do Instituto”, disse em nota. Segundo o órgão, uma equipe de atuação no Estado “realizará vistoria no local para avaliar o impacto da mesma”.
    E quando larápio pular para invadir o local o iphan também realizará vistoria ?
    Também não esclareceu se a área mesmo tombada está sob Jurisdição do exército?
    e esse boateiro também vai lembrar que, alambrados, gradis, cercas, muros definem limites que não devem ser ultrapassados por gatunos, pivetes e curiosos etc.

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