Lula defende Escola de Sargentos em área de proteção ambiental: ‘Se não fosse o Exército nessa área, ainda teria alguma árvore aqui ou tudo teria se transformado em favela?’

Lula participou de troca de comando do Exército no Nordeste  assinou termo de compromisso da Escola de Sargentos no estado - RICARDO STUCKERT/PR

Obra anunciada no governo Bolsonaro preocupa ambientalistas por ser na Mata Atlântica. Presença de Lula na assinatura para construção é vista como mais um aceno aos militares.
Artur Ferraz, Pedro Alves, g1 PE

Termo de Compromisso entre o Exército e o governo do estado para a construção da Escola de Sargentos, na Zona da Mata. No evento, ele disse que é preciso agradecer às Forças Armadas pela preservação do meio ambiente no local do projeto.

“Eu sei da vocação e da capacidade de luta dos nossos ambientalistas, sei de tudo isso, mas o que a gente precisa fazer, a gente precisa agradecer alguma coisa. Se não fosse o Exército nessa área, ainda teria alguma árvore aqui ou tudo teria se transformado em favela, em ocupação desordenada?”, afirmou Lula.

Essa declaração do presidente é uma resposta às críticas feitas por ambientalistas ao projeto, que gerou polêmica por ser instalado em uma área de preservação ambiental (APA) de Aldeia, numa região de Mata Atlântica.

Na quarta-feira (17), o Exército informou que reduziu de 180 hectares para 90 hectares a área de supressão vegetal do projeto. Isso aconteceu, entre outras medidas, por causa da mudança de localização das vilas militares para moradia dos oficiais e suas famílias.

Com um investimento de R$ 1,8 bilhão, a construção da escola foi anunciada em 2021, durante o governo Bolsonaro (PL), que participou do lançamento da pedra fundamental da obra, em 23 de março de 2022.

Segundo o Exército, cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos devem ser abertos pelas obras. “A economia local nunca mais será a mesma. Novos negócios serão criados para atender a população de alunos, instrutores e familiares que viverão na escola. Se antes os pernambucanos e demais nordestinos que ingressaram na carreira militar tinham que ir para o Sul ou Sudeste para fazer sua formação, a nova escola representa o caminho inverso”, declarou Lula.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, disse que a Escola de Sargentos vai travar “a desafiadora guerra contra desigualdade, a falta de oportunidade, a miséria e o desemprego”.

“Esta também é uma obra de profundo alcance social para a nossa região. […] Os municípios da região não serão o mesmos depois da implantação de um dos maiores centros de formação do mundo, cuja finalidade principal é centralizar e aperfeiçoar o processo de formação e graduação de sargento da carreira, que compõem cerca de 62% do efetivo profissional do Exército”, declarou o ministro.

A governadora Raquel Lyra (PSDB), que assinou o termo de compromisso com o ministro José Múcio Monteiro, afirmou que o projeto vai abrir um “ciclo de muita prosperidade” no estado e fez um agradecimento aos “fóruns ambientais” da APA Aldeia/Beberibe pela participação nos debates sobre o empreendimento.

“Agradecemos pelo empenho profundo nas discussões para que a gente possa ultrapassar os obstáculos para a construção da Escola de Sargentos e, com isso, conseguir uma unidade a partir do diálogo que está sendo exercitado durante todo o ano de 2023 e o início de 2024”, declarou a governadora.

Na cerimônia, Lula reclamou da existência de obras inacabadas e abandonadas durante mudanças de governo. Ele citou a obra da Ferrovia Transnordestina, que em 2023 entrou para o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas deveria ter sido inaugurada em 2012.

“Já estamos em 2024 e nós ainda estamos retomando a construção da ferrovia. Eu, sinceramente, confesso que uma das desgraças do nosso país é a descontinuidade das obras públicas feitas nas prefeituras, nos estados, feitas pelo governo. Ou seja, basta mudar de governo para que sejam paralisadas, porque cada governante quer deixar a sua marca, cada governante quer deixar o seu legado. E não é o legado para o povo. É o legado pessoal. ‘Essa obra é minha, esse viaduto é meu, essa ponte é minha’, quando deveria ser ao contrário. ‘Essa ponte é do Brasil, de Pernambuco’”, disse Lula.

Troca de comando

O Comandante do Exército, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB); e o presidente Lula — Foto: Artur Ferraz/g1

A solenidade de assinatura do Termo de Compromisso aconteceu no Forte Guararapes, quartel-general do Comando Militar do Nordeste (CMNE), que fica no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife. Também nesse local, porém mais cedo, Lula também participou da cerimônia de troca de comando do Exército no Nordeste.

O general Kleber Nunes de Vasconcellos, que estava no cargo desde abril de 2023, foi substituído pelo general Maurílio Ribeiro. A visita do presidente, que faz um giro pelo Nordeste nesta semana, é vista como mais um aceno aos militares. Na quinta-feira (18), Lula assinou acordo que prevê R$ 650 milhões de investimentos na Aeronáutica.

Participaram das solenidades o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o comandante do Exército brasileiro, Tomás Paiva; a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB); o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT); os ministros André de Paula, da Pesca e Aquicultura; Silvio Costa Filho, dos Portos e Aeroportos; Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação; a senadora Teresa Leitão (PT); e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que chegou ao local em um carro junto com Lula.

Após as duas cerimônias, o presidente chegou de helicóptero, às 11h35, à Base Aérea do Recife, onde embarcou no avião da presidência. A aeronave decolou às 11h48 para Fortaleza.

g1

19 respostas

    1. Exato!

      Aqui no Brasil o problema não é o que se faz, mas quem faz.

      Como exemplo, o Lula pode fazer e falar todos os absurdos que o parMito fez/falou e a imprensa “cordeirinho” não escreve nenhuma linha contra.

  1. Venham todos para o possante HMAR, agora sob nova direção, um coronel de INFANTARIA.
    Isso mesmo.
    Aproveitem e passeiem por qualquer hospital do Recife ou qualquer município e perguntem a formação acadêmica do diretor. Do hospital, do posto de saúde, de qualquer barracão de saúde…

    Não basta viver a fantasia de colocar homens em forma para ficar falando, eles querem brincar de ser chefe militar usando sua saúde também.

  2. Resoluçao CFM 2147/2016

    Art. 9ºSerá exigida para o exercício do cargo ou função de diretorclínico ou diretor técnico de serviços assistenciais especializados a titulação em especialidade médica correspondente, registrada no Conselho Regional de Medicina (CRM).

    Ou o diretor é técnico ou é clinico, nos dois casos o CFM exige um médico.
    A vida do militar vale menos ou o é o conselho dos médicos que não sabe o que diz ou nao tem competência para dizer?

    Será que todo mundo está errado?

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