EUA enviam altos funcionários militares e antinarcóticos ao Equador para ajudar na luta contra criminosos

Membros das Forças Armadas do Equador em operação nas ruas de Quito — Foto: STRINGER/AFP

Autoridades farão uma visita nas próximas semanas ao país para explorar possíveis soluções para a situação
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que enviarão ao Equador a general Laura Richardson, responsável pelo Comando Sul dos Estados Unidos, e funcionários civis para discutir formas de cooperação em apoio à luta do presidente Daniel Noboa contra facções criminosas que, desde domingo, explicitaram a crise de segurança do país. Localizado entre a Colômbia e Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador se transformou em um novo centro do narcotráfico, com quadrilhas disputando o controle do território e em guerra contra o Estado.

Em um comunicado, o Departamento de Estado informou que a visita das autoridades americanas ocorrerá nas próximas semanas “para explorar, juntamente com seus contrapartes equatorianos, formas de trabalhar juntos de maneira mais eficaz para confrontar a ameaça representada pelas organizações criminosas transnacionais”.

A crise começou no domingo, após a fuga de José Adolfo Macías Villamar, conhecido como Fito, líder da principal facção criminosa do Equador, Los Choneros. O país registrou motins nos presídios, com 178 agentes carcerários sendo feitos reféns pelos detentos, o sequestro de sete policiais (dos quais seis foram libertados), ataques com explosivos e veículos incendiados.

O presidente do Equador reagiu decretando, na segunda-feira, estado de exceção em todo o país, incluindo o sistema penitenciário. A medida inclui toque de recolher das 23h às 5h para a população por 60 dias e autoriza as Forças Armadas a apoiarem a polícia no patrulhamento das ruas.

Na terça-feira, outro chefe do crime organizado, Fabricio Colón Pico, um dos líderes de Los Lobos, acusado de sequestro e de planejar o assassinato da procuradora-geral, também fugiu da prisão. No mesmo dia, homens encapuzados e armados com fuzis e granadas ocuparam o canal público TC Televisión durante o telejornal do meio-dia e feriram dois profissionais em Guayaquil, maior cidade do país. Não houve mortos e 13 responsáveis pela invasão foram detidos, mas a transmissão foi interrompida.

Noboa então decretou estado de Conflito Armado Interno em todo o território nacional. Com a medida, as Forças Armadas foram ordenadas a “neutralizar” 22 grupos criminosos, que passaram a ser considerados “organizações terroristas”. Foram mobilizados mais de 22,4 mil militares para fazer patrulhas por terra, ar e mar, bem como apreensões nas ruas e operações nas prisões.

Na noite de quarta-feira, o número de mortos aumentou para 16, após um incêndio provocado em uma discoteca na Amazônia equatoriana, que deixou dois mortos, nove feridos e danos em 11 locais. A polícia qualificou o ataque de “terrorista”.

Embora as atividades tenham sido retomadas timidamente nas principais cidades do país, nesta quinta-feira muitos comércios permaneceram fechados, o transporte público circulou com menor frequência do que o normal, universidades e escolas ofereceram aulas virtuais e houve preferência pelo trabalho remoto.

Em meio à crise, o Equador anunciou nesta quinta-feira que cerca de 1,5 mil colombianos presos no país serão repatriados. Segundo Noboa, a decisão responde ao fato de as prisões terem um excesso de cerca de 3 mil pessoas.

— Por isso estamos retirando 1,5 mil colombianos, e também precisamos construir prisões de segurança máxima — afirmou o presidente de 36 em uma entrevista à rádio FM Mundo.

A Colômbia rejeitou a medida, que chamou de unilateral e repatriação em “massa”. Em um comunicado, afirmou que seria necessário “estudar caso a caso” e “contar com o consentimento da pessoa privada de liberdade”.

O Globo

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