Um ano desafiador – artigo do general Rêgo Barros

O ex-porta-voz do governo Rêgo Barros Foto: Daniel Marenco / O GLOBO

Comandante do Exército faz um apanhado sobre o ano de 2023, realçando diversas ações que a Força Terrestre empreendeu no períodoOtávio Santana do Rêgo Barros*
Na semana passada, a página eletrônica do Exército brasileiro (www.eb.mil.br) divulgou a mensagem de fim de ano do comandante, o general de Exército Tomás, na qual ele faz um apanhado sobre o ano de 2023, realçando diversas ações que a Força Terrestre empreendeu no período.

Qualquer observador isento, paisano ou fardado, concordará com os avanços da organização rumo à estabilização das relações institucionais de olho no futuro. A fala do comandante destacou o soldado que há em cada integrante da Força — um cidadão fardado com missão específica em nome da sociedade à qual pertence e se integra.

Foi também uma reflexão indireta sobre o papel intransferível assumido pelo militar, às vezes não compreendido pela população em geral. Instigou a união, baseada na coesão histórica que perpassa cada soldado, herdeiro dos valores e tradições de Guararapes, de Caxias e dos pracinhas na Segunda Guerra Mundial.

“Qualquer observador isento, paisano ou fardado, concordará com os avanços da organização rumo à estabilização das relações institucionais de olho no futuro.”

O general se vale do dístico tão conhecido da força “Braço forte, mão amiga” para enquadrar as inúmeras e exitosas missões enfrentadas. Segundo o comandante, desafiador foi o epíteto para o ano de 2023. Justifica o sucesso na travessia pelo elevado profissionalismo dos quadros. Estimula seus liderados, reconhecendo o comprometimento com o qual eles e elas enfrentam as adversidades diárias.

Enquadra o Exército na política e na estratégia nacional de defesa, alinhando-o às orientações emanadas do Ministério da Defesa e da Presidência da República, em um contexto claro de instituição de Estado. A mensagem aborda, ainda, a necessidade de reforço dos programas estratégicos, embasando-a na ambiguidade, complexidade, volatilidade e incerteza que o mundo moderno está a impor às nações para defesa de seus interesses.

A peça de comunicação social é endereçada ao público interno. Todavia, serve de vitrine à sociedade, ainda impactada pelos últimos anos de fricções políticas, para que avalie e reconheça o esforço de apaziguamento empreendido pelas Forças Armadas.

“Ao refletir, as Forças Armadas indicam a necessidade de promover um espírito de segurança junto à sociedade que a leve a compreender que o futuro desejado só é alcançável se formos capazes de dissuadir nossos adversários.”

Forças Armadas que não medem esforços para estarem presentes onde e quando seus clientes “prime” sentirem a sua falta. Nos 17.000 quilômetros de fronteiras, nos 3,6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Azul e nos 22 milhões de quilômetros quadrados do espaço aéreo brasileiro, preservando o território nacional contra todo tipo de antagonismo.

No litoral de São Paulo, diante da catástrofe das chuvas de São Sebastião. No Nordeste, diante da tragédia da falta de água no Semiárido. Na Amazônia, diante da seca que transformou rios em estradas pedregosas. Na proteção do meio ambiente, ajudando a manter os biomas livres da depredação sistemática de desavisados.

No apoio às diversas comunidades indígenas, em especial aos ianomâmis, afetadas pela falta de comida, remédios e condições culturais e ambientais adequadas para a sobrevivência. Nos portos, aeroportos e fronteiras, em operação de GLO, diante da dificuldade de outros órgãos de segurança pública atuarem na plenitude de suas capacidades. Em Roraima, para reafirmar a soberania inegociável de nosso chão, em momento de tensão entre países fronteiriços.

Forças Armadas de ontem, de hoje e de sempre, guardiões da estabilidade institucional, vigias contra desvios que levam a soluções não democráticas, farol a indicar saídas dos labirintos construídos pelo maniqueísmo ideológico.

A aproximação do Natal inspira renovação e reflexão. A mensagem do comandante do Exército vai nesse sentido. Renovação do espírito militar e reflexão sobre o futuro.

“Na “marcha para o combate”, poucos ficaram pelo caminho, alguns tomaram um desvio […] mas o grosso da tropa seguiu adiante e encontrou, […]mais uma vez, o olhar acolhedor de aprovação da maioria dos brasileiros por seu incansável trabalho.”

Ao renovar-se, as Forças Armadas seguem perseguindo os ideais consolidados de nossos antepassados que nos transformaram neste país exuberante e cheio de contrastes, sempre capaz de superar os desafios que se apresentam. Ao refletir, as Forças Armadas indicam a necessidade de promover um espírito de segurança junto à sociedade que a leve a compreender que o futuro desejado só é alcançável se formos capazes de dissuadir nossos adversários.

Como um observador agora afastado das lides castrenses, mas sempre preocupado com o êxito da instituição, sigo otimista, mesmo diante do ano desafiador que enfrentamos. Uso uma referência com termos militares para explicar a tese. Na “marcha para o combate”, poucos ficaram pelo caminho, alguns tomaram um desvio incorporando-se a outros grupamentos e defendendo nova bandeira, mas o grosso da tropa seguiu adiante e encontrou, ao fim da jornada, mais uma vez, o olhar acolhedor de aprovação da maioria dos brasileiros por seu incansável trabalho.

Feliz Natal e um ano novo de muitas realizações.

* General da reserva. Foi chefe do Centro de Comunicação Social do Exército

CORREIO BRAZILIENSE

14 respostas

  1. Mas que deixarem um monte de praças para traz, deixaram na lei 13.954. Farinha pouca meu pirão primeiro. Nada melhor que um dia após o outro. O tempo é o senhor absoluto da razão.

  2. Folha diz que Exército Brasileiro contrata caminhões “por fora” para ajudar na mudança de Generais (By Sociedade Militar)

    Comportamento contrário a ética, moral E princípios Constitucionais…para qualquer observador isento.

  3. Correio Braziliense dando voz a tolos, encantadores das massas. Se tem uma coisa maior do que a extrema direita Mujahidin, é um extrema direita passando para uma direita “arrependida”, isso sim é pior ainda o chamado engôdo.

  4. Ngm ta nem ai pro que esse home escreve.

    Nao ha mais formaturas para ele falar por horas sobre os valores.

    Reunioes agora so no clube militar, e nao tem assessores. Nao tem powerpont, ACABOH TUDO rego barros.

    Ex chefe do ccomsex…..é muito viver de passado ha ha ha ha

    E ainda vai dar muito custo pro pais, a filha ainda tem pensao.

  5. O ex chege do ccomsex nao é formado em comsoc

    EBZAO vc pode ser o que quiser dependendo do seu posto… so nao pode ser combatente, mandar um efetivo para acompanhar uma guerra isso eles tem medo.

    Ebzao um lugar que todo sonho pode ser realidade

  6. Rego Barros, Santos Cruz, FHC, entre outros, viviam alardeando que o presidente devia exaltar a liturgia do cargo. Hoje, o ex presidiário, tendo afundado o pais em dívidas, financiado ditaduras, liberado pela justiça por chicanas jurídicas, tendo se reunido em campanha com lideres do crime organizado no CPX e repetindo tudo o que fez no passado recebe o silencio sobre a liturgia do cargo e a acolhida das FFAA. Tem algo de muito estranho em tudo isso.

  7. Há órgãos competentes para a defesa civil? Para a proteção e fiscalização das fronteiras? Para cuidar dos indígenas? Para combater a dengue? Para a defesa das florestas? Para combater o narcotráfico e contrabando de minérios? ICmBIO, PF, Ministério da Saúde, IBAMA, PRF, entre outras dezenas de órgãos públicos servem para quê? Porquê as Forças Armadas têm que se meter nas atribuições de outros órgãos de Estado e de governos?

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