CPI do DF: “Protagonismo político das Forças Armadas” contribuiu para o 8/1

Gonçalves Dias ainda afirmou que relatórios da Abin não falavam de depredações
(foto: Rinaldo Morelli/Agência CLDF)

Relatório destaca protagonismo das Forças Armadas como fato “mais significativo” para atos de 8/1, mas só um general é apontado no texto
Jade Abreu, Alan Rios
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos responsabiliza o protagonismo político das Forças Armadas durante o governo Bolsonaro como “fato mais significativo” relacionado aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. No entanto, apenas um general consta como possível indiciado no texto: o Gonçalves Dias, que ocupou cargo de chefia no governo Lula.

De acordo com o texto, o próprio ex-presidente concedeu esse destaque aos militares. “Por algumas vezes, referiu-se às Forças Armadas de maneira a se apropriar das instituições, assim como numa interpretação própria e equivocada do artigo 142 da Constituição Federal. Atribuiu a elas um ‘Poder Moderador’ que não lhes era próprio”, conforme consta no texto.

Segundo o relatório, esse protagonismo motivou manifestantes com intenções golpistas a acamparem em frente ao Quartel-General do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília.

“Isso se confirma com inúmeras faixas e cartazes espalhados pela Praça dos Cristais, com dizeres tais como ‘Generais, confiamos nos Senhores’, ou ‘Forças Armadas salvem nossa pátria’, além daquelas que pediam por ‘Intervenção Militar’”, ressalta o relatório.

O documento ainda cita que as forças de segurança do Distrito Federal tentaram, por duas vezes, desmobilizar o comércio irregular nesses acampamentos, mas as ações eram interrompidas ou canceladas por ingerência do Comando Militar do Planalto.

Relatório
O relatório de Hermeto pede o indiciamento do coronel Marcelo Casimiro, que chefiava o 1º Comando de Policiamento Regional (CPR), e da coronel Cíntia Queiroz de Castro, que é da PM, mas atua como subsecretária de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do DF.

Os outros policiais militares já presos, segundo o relator, são “vítimas da falta de informações” desses dois.

Pedidos de indiciamento
Em andamento na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a Comissão apura os ataques contra a democracia de 8 de Janeiro. Conforme o Metrópoles adiantou, o relatório final da CPI apresentou 444 páginas e 136 indiciados. Também constam no texto o crime pelo qual cada um deve responder, no entendimento da CPI, e a prova da ação criminosa.

Os indiciados compõem quatro grupos principais. Aqueles que instigaram as pessoas a participar dos atos, aqueles que financiaram golpistas, os que foram omissos e os que efetivamente estiveram na Praça dos Três Poderes na data praticando ações violentas para anular o resultado das eleições.

A CPI dos Atos Antidemocráticos se tornou histórica na Casa e no DF. Em andamento há nove meses, a Comissão ouviu 30 pessoas entre fevereiro e novembro. Foram colhidos depoimentos de autoridades, como ex-ministros, generais, membros da alta cúpula da Polícia Militar do DF (PMDF) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e de figuras-chave da tentativa de golpe, como lideranças e financiadores.

Os outros membros da Comissão também podem apresentar emendas aditivas ou supressivas, que, respectivamente, têm o poder de adicionar ou retirar nomes de indiciados, caso sejam aprovadas pela maioria. Após a votação do relatório e a conclusão total dos trabalhos, a CPI enviará o documento para os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Advocacia-Geral da União (AGU), que podem abrir novas investigações, anexar mais elementos às apurações em andamento ou oferecer novas denúncias, por exemplo.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa (CLDF) ouviu o depoimento de Ana Priscila, na manhã de quinta-feira (28/9). Ela é apontada como uma das lideranças do movimento bolsonarista que invadiu os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro Hugo Barreto/Metrópoles

Hacker Walter Delgatti Neto participa da oitiva dos antidemocráticos do 8 de Janeiro da CLDF
Deputados distritais na oitiva de Walter Delgatti Breno Esaki/Metrópoles

Veja os nomes:

Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues
Cíntia Queiroz de Castro
Fernando de Souza Oliveira
Marco Edson Gonçalves Dias

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METRÓPOLES

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