Comandantes de exércitos da América do Sul, unidos “para preservar a paz no continente”

Imagem: EB

Comandantes dos exércitos de sete países sul-americanos se reuniram em Brasília  para estreitar relações, enfrentar ameaças comuns e realizar exercícios conjuntos e combinados
NELZA OLIVEIRA/DIÁLOGO
Exercícios combinados e atividades realizadas contra ilícitos transfronteiriços foram alguns dos temas tratados entre comandantes dos exércitos sul-americanos em seu último encontro. A reunião, realizada no Quartel-General do Exército Brasileiro (EB), em Brasília, teve como objetivos fortalecer ainda mais a interoperabilidade, tratar de temas de interesse mútuo e aprofundar as relações institucionais por meio da manutenção de intercâmbios e de programas de cooperação.

Líderes dos exércitos da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai participaram da reunião no final de agosto.

“A experiência nos ensina que o intercâmbio de experiência e de doutrina no âmbito militar é o caminho para alcançar o sucesso diante das ameaças comuns. Nesse sentido, esse tipo de evento proporciona o fortalecimento dessa união entre os exércitos”, disse o General de Exército César Augusto Moreno Landaira, comandante do Exército Paraguaio.

Durante a reunião, os participantes analisaram exercícios combinados anteriores, como a Operação Paraná III, um exercício de ajuda humanitária, realizado no início de agosto, em Foz do Iguaçu, que contou com a participação do Brasil e de outros 13 países das Américas. O exercício consistiu em um evento de treinamento simulado de desastres naturais, com foco no trabalho de ajuda humanitária. A Agência Verde-Oliva, do Centro de Comunicação do EB, disse à Diálogo em um comunicado que mais exercícios conjuntos combinados estão em andamento, incluindo um Exercício de Combate em Área Urbana com o Uruguai, planejado para 2026.

A cooperação para a proteção da floresta amazônica contra atividades ilícitas transfronteiriças foi outro tema, que também esteve no centro da apresentação do General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante do EB. Alguns países vizinhos, disse a Agência Verde-Oliva em seu comunicado, já têm estratégias em vigor, como a realização de patrulhas espelhadas no combate a ilícitos transfronteiriços ao longo de suas fronteiras comuns, que países como o Uruguai e o Paraguai já realizaram e com perspectivas de acontecer com os demais países.

“Nós temos buscado sempre aumentar a participação militar nesse tipo de fórum. Nós temos diversos problemas em comum, diversas iniciativas em comum. O intercâmbio já é muito bom. Então ter a oportunidade de estabelecer um fórum na América do Sul para tratar dos problemas em comum e conversar de maneira aberta, verificando onde a gente pode melhorar, eu acho sempre muito bom e muito salutar”, disse o Gen Ex Tomás.

“Acho que [a reunião] é um elemento fundamental para poder em conjunto combater aquelas situações de emergências que possam ocorrer nas zonas fronteiriças como temos com o Brasil ou com a Argentina, ou ainda quando houver solicitação de ajuda de um país para outro. E também porque nos posicionam, eu acho, de um modo muito mais forte diante dos olhares do mundo”, lembrou o General de Exército Mário Rafael Stevenazzi Viñas, do Exército Nacional do Uruguai.

Durante a reunião, os comandantes dos exércitos também realizaram reuniões bilaterais, o que lhes permitiu aprofundar os acordos de cooperação em diversas áreas, como as de pessoal (capacitação de recursos humanos), operações combinadas, logística, ciência e tecnologia, engenharia e inteligência, explicou o EB em um comunicado.

“O primeiro a se enfatizar é o que nos une, um objetivo em comum, que é preservar a paz de nosso continente. Nisso nossos exércitos têm muito em comum: garantir e fortalecer o processo de integração que desenvolvemos por mais de 40 anos de trabalho. E tudo isso faz que tenhamos um relacionamento muito próximo”, enfatizou o General de Divisão Guillermo Olegario Gonzalo Pereda, do Exército Argentino.

Essa foi a primeira vez que o EB organizou o encontro.

DIÁLOGO AMÉRICAS

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