Decisão foi anunciada em meio às investigações sobre o caso. Parte do armamento foi recuperado no Rio, e inquérito apura ainda envolvimento de civis
Nicolas Iory
São Paulo – O diretor do Arsenal de Guerra de São Paulo, tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista, será exonerado do cargo. O militar era o responsável pelo quartel de Barueri, na Grande São Paulo, de onde foram furtadas 21 armas. A decisão foi tomada pelo comandante do Exército, Tomás Ribeiro Paiva.
Batista não será expulso da Força, mas sim removido para outra função. Sua exoneração foi anunciada em entrevista coletiva concedida na noite desta quinta-feira pelo general Maurício Vieira Gama, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste.

Mais cedo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro conseguiu recuperar oito metralhadoras retiradas do quartel de Barueri. O equipamento estava dentro do porta-malas de um carro na Gardênia Azul, na Zona Oeste da cidade. De acordo com o general Gama, a operação da polícia fluminense contou com o apoio do Exército, que está em contato com outras forças de segurança para encontrar as demais armas que ainda estão desaparecidas.
Cerca de 160 militares ainda estão aquartelados, isto é, impedidos de sair da unidade militar de Barueri, por conta das investigações. Mais cedo, o Exército havia negado notícia publicada pelo portal G1 que dizia haverem três militares no alvo das investigações. Segundo o general Gama, “são mais que três” os suspeitos, e civis também estão sendo investigados por possível envolvimento no crime. Todos responderão perante a Justiça Militar.
A data exata em que os furtos ocorreram ainda não é sabida. O Exército entende que tenha sido no período entre 6 de setembro, data da última conferência do armamento existente na sala onde estavam depositadas as armas, e 10 de outubro, quando o sumiço do equipamento foi descoberto.
Imagens das câmeras de segurança do quartel estão sendo analisadas pelos investigadores, que também estão ouvindo os militares que permanecem aquartelados. De acordo com o general Gama, o lacre e o cadeado que fecham a sala onde as armas estavam armazenadas foram trocados, possivelmente pelos responsáveis pelo crime, no intuito de impedir que se descobrisse o sumiço do equipamento.
O Exército admite repensar os procedimentos de segurança na unidade para evitar ocorrências semelhantes. Em nota, a Força afirmou que “todos os procedimentos estão sendo revistos e, paralelamente à investigação, os militares que tinham encargos de fiscalização e controle poderão ser responsabilizados na esfera administrativa e disciplinar por eventuais irregularidades”.
Militares que permanecem há mais de uma semana no quartel de Barueri receberam um formulário para que apresentem suas defesas. O grupo inclui praças, ou seja, militares que ocupam cargos mais baixos, e também oficiais, de patentes mais elevadas. Aqueles que estão no Exército como temporários serão expulsos da corporação, enquanto os militares de carreira serão submetidos a um conselho que definirá as sanções — podendo também chegar à expulsão. Os responsáveis pelo furto também responderão na esfera criminal na Justiça Militar, que será a encarregada por definir as punições.
— O controle desse material é rígido. Nenhum armamento sai do quartel sem autorização. O grande objetivo nosso é saber o que ocorreu para que esse ilícito acontecesse, e também a recuperação do armamento. O foco de todos está nisso: identificar os responsáveis e também aqueles que, por ação ou inação, os responsáveis pelo controle, se eles cometeram algum desvio. Estes serão também responsabilizados na esfera administrativa e disciplinar — disse o general Gama.
Consideradas “inservíveis”, as armas furtadas estavam na unidade técnica de manutenção, responsável também por iniciar o processo de desfazimento e destruição dos armamentos. Segundo o general Gama, o que faz com que as metralhadoras .50 e calibre 7.62 furtadas fossem tachadas como “inservíveis” é o fato de que a sua recuperação é “antieconômica” para a administração do Exército, isto é, não vale a pena gastar os recursos e esforços necessários para sua utilização. Já para o crime organizado, um dos possíveis destinos dos equipamentos retirados do quartel, essa conta poderia ser mais vantajosa.
Em nota, o Exército afirmou que “considera esse episódio inaceitável e envidará todos os esforços para responsabilizar os autores e recuperar todo o armamento, no mais curto prazo”. “Tudo está sendo investigado e os ilícitos e desvios de conduta serão responsabilizados nos rigores da lei”, completou.
O Globo
Respostas de 3
Como nova medida, destruição imediata das armas inservíveis. Mas a burocracia não deixa aí pode dar nisto…
Foi exonerado pra Fortaleza? Kkkkkk
Isso é punição ou prêmio?
Praça teria a cabeça cortada, oficial é transferido para a praia com o bolso cheio de dinheiro. Que desgraça de EB.