Mulher apontada como organizadora de atos terroristas em Brasília diz que Exército apoiou acampamentos em frente a quartéis

Ana Priscila Azevedo, presa por incentivar atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília, presta depoimento à CPI da Câmara Legislativa do DF — Foto: CLDF/ Divulgação

Durante depoimento na CPI dos Atos Antidemocráticos, Ana Priscila Azevedo afirma que militares ‘ajudavam, incentivavam, tiravam fotos’. Ela nega que depredou prédios públicos durante ataques do dia 8 de janeiro.
 Bruna Yamaguti, Iana Caramori, g1 DF

Ana Priscila Azevedo — apontada pela Polícia Federal como uma das organizadoras dos atos terroristas de 8 de janeiro, em Brasília (veja detalhes abaixo) — afirma que os militares do Exército apoiaram os acampamentos formados em frente aos quartéis-generais em todo o país.

“Tinham os homens do Exército, [que] ajudavam, incentivavam, tiravam fotos. [Generais] apareciam lá, filmavam. Todo dia aparecia um”, disse a mulher, que ficou 11 dias acampada em frente ao Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

A declaração foi dada durante depoimento na CPI dos Atos Antidemocráticos na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta quinta-feira (28). Presa desde o dia 10 de janeiro, Ana Priscila precisou da autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prestar depoimento.

Segundo ela, foram divulgadas mensagens que informavam que um general teria alertado que os bolsonaristas deixassem o acampamento em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, após os ataques do dia 8 de janeiro.

Durante o depoimento, ela nega ter depredado os prédios públicos e afirma que não foi presa no dia 8 de janeiro, apesar dos vídeos que mostram ela dentro do Palácio do Planalto.

‘As Forças Armadas eram o VAR’

Ana Priscila Azevedo foi presa em 10 de janeiro pela PF — Foto: Reprodução
Ana Priscila Azevedo foi presa em 10 de janeiro pela PF — Foto: Reprodução

Durante o depoimento, a bancária afirma que o grupo não tinha intenção de aplicar um golpe de Estado durante os ataques do dia 8 de janeiro.

“Queríamos o código-fonte [da urna]. O relatório do Ministério da Defesa em que nos baseamos disse que não excluiu a possibilidade de fraude e que os técnicos não tiveram acesso adequado ao código-fonte”, diz Ana Priscila.
De acordo com ela, os grupos que se reuniram em frente a quartéis-generais do Exército em todo o país, inclusive em Brasília, queria apenas que as Forças Armadas apontassem que as eleições de 2022 haviam sido “um processo transparente”.

“As Forças Armadas eram como se fosse o VAR. O gol valeu ou não valeu? Era só isso que a gente queria saber”, declara a mulher, fazendo referência ao Árbitro Assistente de Vídeo, que é uma ferramenta que analisa imagens de uma partida para auxiliar o árbitro em uma tomada de decisão.

A bancária disse ainda que, em nenhum momento, os acampamentos foram desmotivados pelo Exército. “Bastaria um soldado raso avisar que teríamos que sair e teríamos ido embora”, disse Ana Priscila.

‘Sou patriota, não golpista’
Ana Priscila negou que tenha participado do “quebra-quebra” no dia 8 de janeiro. Em seu depoimento, ela também disse que “não sabia que estava errando” ao participar dos atos..

“Sou patriota e não sou golpista. […] Jamais pensei que ser patriota fosse ser sinônimo de golpista e fosse considerado algum tipo penal. Apenas pensava que não havendo censura, poderia livremente me manisfestar”, disse.

Investigação
Ana Priscila foi detida por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, e trazida para a capital. A mulher está na Penitenciária Feminina do DF, conhecida como Colmeia, no Gama.

Segundo as investigações, pelo menos dois dias antes dos ataques às sedes dos três Poderes, a bolsonarista usava um grupo de mensagens no Telegram para convocar golpistas para virem para Brasília “tomar o poder de assalto”.

Um dia antes dos atos terroristas, Ana Priscila fez uma publicação em uma rede social em que afirmou que o Brasil iria “parar” e que os Três Poderes seriam “sitiados”.

Um vídeo compartilhado pela bolsonarista mostra golpistas carregando um ônibus com garrafas de água. Na legenda do vídeo, ela diz que não colocará datas e locais “para dificultar a ação do inimigo”.

Em outro vídeo, Priscila mostra um ônibus que foi carregado com mantimentos e diz que em 6 de janeiro um grupo de golpistas deixou Sorocaba, em São Paulo, para vir para Brasília.

Também há vídeos indicando ônibus com golpistas saindo de Jundiaí e Mogi das Cruzes, em São Paulo, Londrina e Umuarama, no Paraná, além de Tangará da Serra, em Mato Grosso.

g1

2 respostas

  1. O Bolsonaro é corrosivo,quase conseguiu corromper na segunda tentativa as FA, só não viu quem não quiz ver que as FA e Bolsonaro faziam gosto pelo ilegal,uns projeto de ditadura golpista.

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