General acusa ex-ministro da Defesa e bolsonaristas: ‘Mais profunda traição da história do Exército’

Fundo do poço charge

Pela primeira vez o ex-titular da Defesa, general Paulo Sérgio, é acusado publicamente por colega de omissão nos fatos que levaram ao 8 de janeiro

Marcelo Godoy

O ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira | Foto: Divulgação

Pela primeira vez, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, então ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, foi acusado no domingo, dia 11, publicamente por um colega de farda de omissão no episódio que levou à intentona do dia 8 de janeiro, em Brasília. E quem o fez é o também general e ex-ministro de Bolsonaro Carlos Alberto dos Santos Cruz.

“Quem tinha que defender as Forças Armadas, no nível político, era o Ministro da Defesa”, afirmou à coluna. Sobre os demais generais palacianos, entre eles Walter Braga Netto, Santos Cruz afirmou que, no caso dele, e dos demais “ficava por conta da iniciativa de cada um” agir contra ação golpista, “o que nunca se concretizou”.

Há três semanas, generais da ativa e outros militares deixaram claro seu descontentamento com o papel desempenhado por colegas de farda no ataque às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Classificavam como “desleal” a conduta dos colegas bolsonaristas que tentaram incitar coronéis com comando de tropa a ultrapassar os generais que se recusavam a dar o golpe contra posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

As críticas, no entanto, evitavam apontar nominalmente os colegas, exceto nos casos em que a disciplina foi esgarçada de forma intolerável, e o xingamento a colegas de turma e a oficiais generais foi feito de forma pública, para além dos muros das casernas. Esse seria o caso de coronéis como Adriano Testoni e José Placídio Matias dos Santos, que alegam inocência.

Depois de fechar suas redes sociais em 2 de fevereiro, o Exército decidiu reabri-las em 30 de abril. Tornou-se alvo de uma campanha gigantesca de radicais bolsonaristas. No Congresso, deputados afinados com o antigo governo, como Ricardo Salles (PL-SP) chegou a dizer que investir nas Forças Armadas seria “desperdício de dinheiro público”.

Durante um mês espoucaram aqui e ali manifestações de militares que buscavam defender a instituição e esclarecer o público sobre o “papel do Exército nos fatos”. Mas até então ninguém apontara o dedo publicamente para os generais palacianos que acompanharam Bolsonaro nos últimos meses de seu mandato.

Esse tabu caiu ontem, enquanto se comemorava o Dia da Marinha, em Copacabana, no Rio. É inevitável a comparação nessa mesma Avenida Atlântica entre o público de ontem e o de 7 de setembro de 2022, quando as fronteiras entre um desfile militar e um ato de campanha eleitoral se esvaneceram até quase sumir. Se milhares lotavam a orla naquele dia e assistiram à passagem da esquadra, ontem, o carioca parecia mais disposto a fazer seu cooper sem dar atenção à banda dos Fuzileiros Navais e aos seus blindados, que tanta polêmica causaram em 2021, no dia em que o Congresso rejeitou a PEC do Voto Impresso.

“Os covardes nunca estão na linha de frente”, escreveu o general Santos Cruz. Seu artigo foi publicado no canal MyNews. Ex-ministro de Bolsonaro e, depois, um de seus maiores críticos entre os militares, o general não é uma figura qualquer. Quando fala em “linha de frente”, ele sabe o que diz. Entre 2013 e 2016, ele comandou a força multinacional de imposição da paz, na República Democrática do Congo.

Cruz disse que Bolsonaro teve “muito sucesso como cabo eleitoral do seu opositor, sem tirar o mérito próprio do atual presidente”. Para ele, de todas as instituições que o ex-presidente “prejudicou e desgastou, a que mais sofreu, e vem sofrendo, é o Exército brasileiro”.

O general afirmou que os acampamentos na frente dos quartéis foram estimulados após a derrota eleitoral “para pressionar o Exército a tomar decisão política descabida”. Como a instituição não embarcou no golpe, começou a campanha de difamação contra a Força e seus generais. Houve falta de “noção de disciplina, de respeito, e de limites do que é liberdade de opinião”.

Escreveu ainda Santos Cruz e confirmou para a coluna: “Alguns covardes e inconsequentes queriam que, depois de um processo eleitoral, dois turnos e um candidato eleito, o Exército impedisse o prosseguimento normal da vida nacional, tomando uma decisão política absurda. Essa tentativa de transferência de responsabilidade é a mais profunda traição já sofrida pelo Exército.”

O general afirmou que nenhum dos “covardes e fanfarrões que atacavam e atacam atualmente o Exército teve coragem de ir até junto daquelas pessoas acampadas na frente dos quartéis”. “Os covardes nunca estão na linha de frente. Eles estão sempre escondidos nos seus gabinetes, nas suas imunidades, na internet, nos grupos de redes sociais, no anonimato etc. Eles empurram a massa de manobra para fazer besteiras. Os manipulados e os inocentes úteis que se acertem com a Justiça!”

Para Santos Cruz, a responsabilidade por orientar de forma “clara e honesta” quem estava na frente dos quartéis era do presidente e do ministro da Defesa, as autoridades políticas. “O Ministério da Defesa não se manifestou e não defendeu o Exército. O comandante se manteve em atitude disciplinada (…). O Exército engoliu essa barbaridade em nome da disciplina e da institucionalidade.” Santos Cruz terminou seu texto afirmando que “atacar o Exército não é o caminho para a solução dos muitos e graves problemas nacionais”. “Isso é simplesmente oportunismo e covardia!”

Compreende-se a posição do general. Mas, em 11 de novembro de 2022, os comandantes então das três Forças publicaram uma nota conjunta na qual chamavam as manifestações bolsonaristas de “pacíficas” e condenavam “restrições a direitos por parte de agentes públicos” e “excessos cometidos” em atos pelo País – que pudessem “restringir os direitos individuais e coletivos ou colocar em risco a segurança pública”.

A atribuição de responsabilidades – civis, administrativas e criminais – cabe à Justiça. Essa espada está acima da cabeça de muitos dos que se envolveram em ilegalidades durante o governo Bolsonaro. E pode levar, dependendo das condenações proferidas, à expulsão do Exército dos oficiais responsáveis.

ESTADÃO

31 respostas

  1. Ridículo esse artigo. Depois de morto, chuta o cadáver e grita com ele. Assim fica fácil “general”. Todos são responsáveis pelo que aconteceu e acontece e acontecerá enquanto existirem políticos disfarçados de salvadores, sejam civis ou militares. Cobrar honestidade hoje tá difícil, não é mesmo?

    1. Ridículo? O General Santos cruz está correto no que escreveu.

      Sim, ele foi Bolsonarista, eu também…logo no início, com aquela história do Bibiano, abri os olhos. Comecei a ser mais criterioso nas matérias sobre a família e deixei de Apoiá-Los, mesmo sob pressão dos amigos. Dizer que Bolsonaro foi um desastre para o país e para o Exército em especial ,não quer dizer que passei apoiar Lula.
      O bônus de comer camarão gigante na beira do lago todos querem, o ônus dos erros, este, ninguém assume. Sempre ouvi que o Soldo era conforme a formação e a responsabilidade. O Exército está lambendo suas feridas e, vai 30 ou 40 anos, no mínimo, para Cicatrizarem.

    1. Oportunista foi o que estava enrolando para apresentar o relatório sobre as urnas. Asco é verificar que pessoas bem situadas se desnorteiam com o brilho do vil metal.

  2. Certíssimo! Por conta de alguns, as Instituições sofrem. O bozonaro e sua trupe até Parecem aquele personagem do filme Motoqueiro Fantasma II quando recebe poderes do capiroto e tudo que ele toca apodrece.

  3. kkkkkkkkkkkkkkkk

    Está lindo ver o corporativismo militar a que chamam de patriotismo sendo desmascarado. Também está lindo ver a covardia a que chamam de apoliticidade sendo desmascarada.

    Santos Cruz, entenda e aceita: O tempo do embuste passou. No momento em que deviam agir para demonstrar força, não agiram. Agora o rei está nu, todos sabem que são fracos e ninguém quer estar junto de fracos. não vai ser esse aceno pro PSDB e FHC, pontas de lança do poder global no Brasil que vai mudar isso. Vai piorar ainda mais a percepção de fraqueza.

    Simples assim.

    STF, Congressistas e classe política em geral, formadores de opinião de direita e esquerda, ONGs LGBT, pT, PSDB, governos estrangeiros, etc. Todo mundo já sabe que são fracos. E por serem fracos são irrelevantes.

  4. Fala sério Montedo, eu crente que era um general de verdade acusando o Paulinho mentirinha e vc vem com gagá do Santos Cruz.

    Montedo, Paulo Chegas e Santos Cruz não são dignos de credibilidade nem entre os familiares deles.

    O que ocorreu é que eles queriam ser tratados como general é tratado no quartel pelo meio político, tomaram umas cacetadas e agora ficam murmurando em colunas de 5 categoria de jornalecos falidos.

  5. O que define o Brasil como “terceiro mundo”, não é a falta de tecnologia, a falta de excelentes faculdades, de instituições fortes etc, mas a maneira de pensar de parte de nós.
    GOLPE DE ESTADO. Em qual país dito de “primeiro mundo” isso é cogitado? Ou seja, essa é uma prática de país e povo subdesenvolvido.
    A desculpa de ontem é a mesma de hoje, salvar o Brasil de um mal que só as mentes tacanhas conseguem enxergar. E para fazer isso querem impor a vontade deles sobre a vontade dos demais, ou seja, uma mentalidade de gente barbara, da idade média, senão, da idade das cavernas.
    Ditadura nunca deu certo em lugar nenhum do mundo, por que daria certo agora e no Brasil?
    Na verdade esses bandos de detraques querem mais uma satisfação pessoal do que qualquer outra coisa.
    A falta de inteligência desse BANDO chega a tal ponto que acham que colocar a bandeira do Brasil na janela de casa ou pendurada no carro faz deles patriotas. Não, não faz, pois o conceito de patriota é mais complexo. Não é uma atitude por adoração a um político qualquer, mas por uma vida dedicada a servir o melhor país do mundo, ou seja, o Brasil. E essa é outra questão que torna esse povo em um verdadeiro BANDO, pois para eles o melhor país do mundo não é o Brasil, e não precisa nem ter dois neurônios para saber qual país eles acham que é.
    A lei é o melhor caminho para resolução dos conflitos, pois como disse Maquiavel – lutar usando a lei é método dos homens, lutar usando a força é método dos animais.
    Para fazer o Brasil grande só há um caminho viável, o caminho da democracia. Não pode haver a mínima possibilidade de cogitação de implantação de qualquer tipo de ditadura, quer seja de direita, centro ou esquerda. Pois ditadura, como disse acima, é coisa de pessoas com mentalidade subdesenvolvida.

    1. “Reajuste”
      Só se for na sua escala de Serviço.
      Sai da Escala de Adjunto, “cai” pra de Comandante da Guarda do Quartel.

  6. O general Santos Cruz e o Único general brasileiro com Experiência em combate, o restante treina tiro com a boca “Bambambã”. Então ele tem moral e respeito pelo que fala. E apontou o dedo para o general que pinta cabelo.

  7. Parabéns General! O senhor não conseguiu permanecer no governo do falso meçias por ser honesto e coerente com a postura de um militar. Se o braço da justiça não desentocar os covardes, sairão ilesos do grave Atentado contra a democracia.

    1. E você é minion derrotado. Teu ídolo dançou na eleição ano passado, vai dançar daqui uma semana, se tornando inelegível. Em 2024, dança novamente, ato 3, emoções, choradeiras, e mi-mi-mis. Kkkkkkkkkkk.

  8. Com certeza esse general Tem muito competência para falar em traição do povo brasileiro, pois ele é o maior expoente dessa traição. Ele acha que engana alguém….melancia

  9. Gen Santos Cruz heroi barileiro e reserva moral das FFAA. não compactuou com as psicopatias daqueles que queriam destruir a nação e manteve a honra e o carater puramente miltar. Sois reserva moral e estadista nesses rincões sulamericano no inicio do seculo XXI onde esta raro esses valores que o senhor ostenta como coragem para falar a verdade!!!!!!!!

  10. General Santa Cruz, pq nao falou isso na cara do homem quando ele era Ministro?
    Agora chuta cachorro morto e acusa de covardia os outros.
    O que foi escrito está certo, não deveriam ter permitido que uma instituição embarcasse nessa loucura bolsonarista, mas o general falou na cara do Ministro isso oportunamente?

  11. Este velho e doido, quero saber qdo e quant vai vir de reajuste no soldo das pracas, principalmente o do Quadro Especial, foi a maior sacamagem que vi ate hj dentro do Exército, so p destacar nao sou QE. Em tempo a Diretoria de Saúde deveria Mudar o nome p funeraria, pois fez um corte absurdo na verba que manda p os Hospitais militares. E olha que o diretor de saude foi Diretor do HMAR qdo era coronel a cordinha dele tb foi diretora Do HMAR tb! ARREGOOOOOOO!

  12. O governo do PT nem fez isso com a Petrobras, Eletrobras, Correios, Fundos de Pensão, Mensalão…! Cuidado, eles estão no poder de novo!

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