Polícia do Exército deixou acampados atacarem fiscais do governo do DF

Apoiadores de Bolsonaro, inconformados com a derrota do presidente nas eleições de 2022, estão acampados em frente ao Quartel General do Exército. Foto: Wilton Junior/Estadão

Ao contrário do acertado em reunião, Polícia do Exército se omitiu e não protegeu fiscais, que tiveram que sair às pressas do QG

Eduardo Barretto
A Polícia do Exército deixou que golpistas acampados em frente ao Quartel-General (QG) do Exército atacassem fiscais do governo do Distrito Federal em uma operação em novembro. A omissão fez com que os funcionários saíssem às pressas do local. As informações estão em documentos enviados pelo governo do DF à CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal e obtidos pela coluna.

O episódio aconteceu em 12 de novembro do ano passado. A Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do DF, o DF Legal, havia preparado uma operação de fiscalização do comércio ambulante em frente ao QG do Exército, atendendo a um pedido do Comando Militar do Planalto feito dias antes.

A Polícia do Exército de Brasília é subordinada ao Comando Militar do Planalto. Trata-se de uma guarda semelhante ao Batalhão da Guarda Presidencial, que hesitou em conter extremistas na invasão do Palácio do Planalto nos atos terroristas de 8 de janeiro.

“Manifestantes passaram a seguir e hostilizar a equipe. Sentimos a necessidade de a Polícia do Exército mitigar a aglomeração, porém isso não aconteceu”, afirmou o relatório da operação do DF Legal, acrescentando: “Essa situação poderia ter ficado incontrolável e, assim, expor a integridade física da equipe”.

Outro documento do DF Legal, do dia 18 de novembro, repassou as informações à Secretaria de Segurança Pública do DF e considerou a omissão da Polícia do Exército como “o fato mais relevante” da operação. “O fato mais relevante consiste em não ter havido por parte da Polícia do Exército a devida intervenção no sentido de garantir a segurança dos auditores. Diante da iminência de risco, determinamos a imediata retirada dos fiscais do local”.

A situação se repetiria. No último dia 17, a coluna mostrou que o Exército vetou quatro ações da PM para retirar o acampamento golpista do QG. A operação do DF Legal de 12 de novembro havia sido citada pela Polícia Militar à CPI.

Em uma reunião antes da fiscalização, o DF Legal acertou com os militares que a Polícia do Exército agiria se houvesse alguma resistência à operação. A ação dos militares, contudo, não aconteceu. Quando bolsonaristas acampados começaram a hostilizar os fiscais, a Polícia do Exército não tomou providência alguma.

GUILHERME AMADO(METRÓPOLES)/montedo.com

Respostas de 4

  1. A Polícia do Exército é uma tropa especial que tem como um de seus pilares o fiel cumprimento de Ordens. Quando uma ordem do Cmdo é emitida, não será Descumprida nem ponderada. A tropa confia plenamente que a ordem dada, é correta e necessária. Em suma, se fez ou não fez, recebeu ordens para tal.

  2. Então deixaram os funcionários do governo serem atacados pelos que depois foram conduzidos em comboio para uma penitenciária. Esse acampamento tava mesmo uma bagunça. Aí a credibilidade despenca.

  3. Aqueles que deram a ordem manifestamente criminosa (prevaricar) agora terão contas a acertar com a justiça civil. Para um juiz civil ou um procurador da república, não há diferença entre cabo e tenente coronel… todos receberão suas etapas por querer fazer rir o superior imediato.

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